Telinha Netflix lança sua primeira série original indiana Jogos sagrados, com oito episódios, é uma adaptação do best-seller homônimo do escritor Vikram Chandra

Por: Anamaria Nascimento

Publicado em: 18/07/2018 16:20 Atualizado em: 18/07/2018 16:28

O thriller policial expõe a realidade social da Índia. Foto: Netflix/Divulgação.
O thriller policial expõe a realidade social da Índia. Foto: Netflix/Divulgação.
Há dois anos, a Netflix anunciou que estava expandindo negócios globalmente e chegando a 130 países, como Índia, Rússia e Coreia do Sul. O serviço de streaming foi inaugurado no mercado indiano sem concorrência. No entanto, a chegada da Amazon e da empresa local Hotstar (autorizada a transmitir Game of Thrones, por exemplo), que rapidamente se tornaram muito mais populares no país, frustrou as ambições. Agora, a plataforma quer se reaproximar desse público com o lançamento de Jogos sagrados (Sacred games), primeira série indiana da Netflix. 

Disponível há pouco mais de uma semana e com opções de legenda ou dublagem em português, é opção também para o público brasileiro. A série, com oito episódios, é uma adaptação do best-seller homônimo do escritor Vikram Chandra, lançado no Brasil pela Companhia das Letras em 2008. O thriller policial expõe a realidade social da Índia. Mais especificamente de Mumbai, a maior cidade do país. “O policial Sartaj Singh recebe uma pista de um criminoso foragido e agora tem de correr contra o tempo para salvar Mumbai da destruição”, adianta a Netflix na sinopse da trama.

Sartaj Singh, interpretado pelo astro de Bollywood Saif Ali Khan, é um policial excluído pelos colegas por causa da honestidade e por pertencer à minoria religiosa sikh. Numa noite, ele recebe um telefonema de um homem prestes a se suicidar. Do outro lado da linha está Ganesh Gaitonde (Nawazuddin Siddiqui), um gângster que muitos acreditavam estar morto. Antes de cometer suicídio, o criminoso revela ao policial que algo vai acontecer em Mumbai em 25 dias. “Ninguém sobreviverá”, diz ele.

A trama se desenrola a partir da ligação em dois tempos narrativos. Na linha de tempo atual, acompanhamos a busca de Singh sob a narração de Gaitonde. Em flashback, vemos como o gângster chegou ao topo no mundo do crime. Em determinado ponto da narrativa as duas linhas se encontram. Violência, sexo, corrupção e referências às crenças indianas são ingredientes da receita de Jogos sagrados.  A primeira temporada termina com lacunas e deixas que podem ser exploradas em uma possível continuação da história. 

Polêmica
Poucos dias depois da estreia, a Netflix foi processada pela forma como o programa representa o ex-Primeiro Ministro da Índia Rajiv Gandhi. Na trama, ele é citado como um político envolvido em casos de corrupção. A narração chama Gandhi de “fattu”, gíria indiana para covarde, por ceder a demandas de grupos muçulmanos.

O governo indiano costuma censurar séries de TV e filmes para adequá-los a regras e normas. As restrições, no entanto, não valem para a Netflix, categorizada como conteúdo de internet. “O seriado Jogos sagrados tem diálogos inapropriados, ataques políticos e até discursos que são humilhantes e ferem a reputação do senhor Rajiv Gandhi”, afirma o advogado e membro do partido que era liderado por Gandhi até o seu assassinato em 1991, Nikhil Bhalla, no processo. A Suprema Corte de Delhi julgará o caso nesta segunda-feira. Enquanto isso, o público ainda pode assistir aos oito capítulos, que permanecem no catálogo.

Confira o trailer:


+ Bollywood
Confira produções indianas disponíveis no catálogo da Netflix 

1. Dhanak (2015)
Pari (Hetal Gada), uma menina de 10 anos, e Choru (Krrish Chhabria), seu irmão de 8 anos, moram em uma vila perto de dunas de areia. Eles perderam os pais em um acidente e moram com os tios. Choru é cego, mas lida bem com a situação, enquanto Pari é sua guia e melhor amiga. A menina promete a Chotu que ao completar 9 anos ele irá enxergar. Ao ver um cartaz de doação de olhos, ela acredita que encontrará alguém que possa ajudá-la.

2. Lagaan: a coragem de um povo (2001)
A história se passa em 1893, num vilarejo rural na Índia Central. Nos arredores da vila, fica um acampamento inglês comandado pelo capitão Russel (Paul Blackthorne); homem arrogante e cheio de caprichos, que controla a vida e morte dos povos sob seu comando. O filme retrata uma luta de heróis anticonvencionais liderados por Bhuvan (Aamir Khan), um enigmático jovem fazendeiro cheio de coragem e convicção. Ele é ajudado pela jovem inglesa Elisabeth (Rachel Shelley). 

3. Como estrelas na Terra (2007)
Conta a história de uma criança que sofre com dislexia e não é compreendida pelos professores e pais. Ishaan Awasthi (Darsheel Safary), de 9 anos, já repetiu uma vez o terceiro período (no sistema educacional indiano) e corre o risco de reprovar novamente. Boa opção para professores e educadores em geral, o filme pode ser usado para discutir a importância da atenção às defasagens apresentadas por estudantes.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.