Show Arrasta-Pé do Galo encerra ciclo junino no Recife Evento será realizado na Sede do Galo da Madrugada e vai reunir grandes nomes do forró de Pernambuco na saideira do São João

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 13/07/2018 14:37 Atualizado em: 13/07/2018 14:30

A atração principal da festa é o forrozeiro Luizinho de Serra. Confira entrevista. Foto: Divulgação
A atração principal da festa é o forrozeiro Luizinho de Serra. Confira entrevista. Foto: Divulgação

Quase um mês após o São João, os pernambucanos terão mais uma chance de "forrozar" na edição 2018 do Arrasta-Pé do Galo. O evento será realizado nesta sexta-feira (13), a partir das 21h, na Sede do Galo da Madrugada (Rua da Concórdia, 984, São José, Recife) e vai reunir grandes nomes do forró do estado. Entre as atrações estão Nádia Maia, Irah Caldeira, Cristina Amaral, Gustavo Travassos, Ivan Gadelha, Loirão e Luizinho de Serra. Segundo o presidente da agremiação, Rômulo Meneses, o Arrasta-Pé do Galo costuma promover o reencontro dos artistas que estiveram com a agenda cheia durante os festejos juninos. "É mais uma oportunidade para os representantes do forró pé-de-serra se apresentarem ao público. A noite promete muito xote, baião e xaxado no salão para não deixar ninguém parado", comenta. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) à venda através do Sympla e R$ 160 (mesa) disponível apenas na sede. 

O principal show da noite ficará sob a responsabilidade de José Luiz de Lima, que adotou o nome artístico de Luizinho de Serra, para homenagear sua cidade natal Serra Talhada. Com sua banda, o artista vai apresentar um repertório autoral, intercalado a clássicos do forró e releituras da MPB. "Vai ser uma alegria tocar no Arrasta-Pé do Galo. O público pode esperar um show pra cima, envolvente, com muitas homenagens e convidados especiais", adianta o músico de 31 anos. Sob forte influência do pai Zé Caiçara, Luizinho aprendeu os primeiros acordes da sanfona ainda criança e se profissionalizou aos 13 anos, quando gravou com diferentes artistas nordestinos. Durante 4 anos, ele integrou a banda da cantora Irah Caldeira e, em 2008, fez sua primeira direção musical no DVD do poeta e cantor Bira Marcolino. Com 18 anos de carreira, Luizinho tem no currículo parcerias com Almir Rouche, Alcimar Monteiro, Cajú e Castanha, Santanna o cantador, entre outros. 

Em 2017, o forrozeiro foi convidado a levar a música nordestina para festivais europeus. O primeiro deles foi o Festival Psiu de Forró em Berlim, organizado pelo pernambucano radicado na Alemanha Carlos Frevo, que abriu portas para Luizinho tocar em outros países. O cantor, compositor e multi-instrumentista já planeja uma nova turnê pela Europa no ano que vem, mas, antes disso, ele pretende lançar seu primeiro disco autoral, que vai se chamar Luizinho de Serra na poesia da sanfona. "Nasci em Serra Talhada e morei em São José do Egito. Nesses lugares, as pessoas são muito ligadas a poesia declamada e eu faço isso nos meus shows também, surgiu daí o nome do disco", explica Luizinho, que também prepara um DVD ao vivo com o novo repertório.

3 perguntas // Luizinho de Serra, forrozeiro

No ano passado, você se apresentou em festivais da Alemanha e da França. Como foi a experiência de levar o forró para a Europa? 
Eu fui convidado para o Festival Psiu de Forró em Berlim, na Alemanha, e depois para o Festival Forró Lille Vamo que Vamo, na França, e foram experiências fantásticas. Eu me considero um defensor dessa nova geração do forró autêntico. Meu slogan é "vamo ispaiá forró no mundo", então, sair de Serra Talhada e representar o nosso forró na Europa, vendo as pessoas se emocionarem com as músicas de Luiz Gonzaga e Dominguinhos, me tocou bastante. O nosso forró está em uma crescente ascensão por lá, os europeus são apaixonados pela nossa dança e pelo chamego do forró... E isso foi o pontapé para uma safra de músicos pernambucanos tocarem lá fora todo ano.

Como você avalia a modernização do forró, que hoje ganhou o nome de "forró estilizado"? 
Tem muita gente ligada ao forró tradicional, meio do qual faço parte, que critica radicalmente essa evolução. Mas eu não tenho nada contra nenhum estilo musical, acho até que é preciso existir a modernização da música e tem bandas de forró estilizado que gosto e respeito. O que não me agrada são músicas que fazem apologia ao álcool e que objetificam a mulher. Eu acredito muito no poder da música e, se não for feita com cuidado, ela pode induzir o jovem a beber sem moderação e não respeitar as mulheres. 

Nos shows, além das suas músicas, você também faz homenagem a outros artistas? 
Sim. Eu gosto sempre de tirar o chapéu e pedir a bênção aos grandes mestres do forró, como Dominguinhos, o rei Luiz Gonzaga e o meu conterrâneo Assisão. Então, a gente toca Numa sala de reboco, Sete meninas, Pagode russo, Um amor numa fogueira, Eu só quero um xodó, além de homenagear os artistas mais novos, como Maciel Melo, Flávio José e Santanna. Um momento especial é que em 2018 faz 20 anos da morte de Tim Maia e em todos os shows eu estou fazendo homenagens para ele, o pessoal sempre canta comigo e é emocionante.

SERVIÇO
Arrasta-Pé do Galo
Quando: Sexta-feira, 13 de julho, às 21h
Onde: Sede do Galo da Madrugada (Rua da Concórdia, 984, São José, Recife)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) à venda através do www.sympla.com.br/galodamadrugada e R$ 160 (mesa) à venda apenas na sede


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