Show BaianaSystem faz show no Bud Basement deste sábado A banda volta à capital pernambucana com uma apresentação que promete ser diferente da última realizada no estado em abril

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 07/07/2018 09:33 Atualizado em:

Além do grupo baiano, a festa ainda vai contar com a discotecagem da DJ Allana Marques e do DJ Renato DaMata. Foto: Jardel Souza / Divulgação
Além do grupo baiano, a festa ainda vai contar com a discotecagem da DJ Allana Marques e do DJ Renato DaMata. Foto: Jardel Souza / Divulgação


Quem frequenta o carnaval de Salvador certamente conhece o som que emana pela guitarra baiana, instrumento idealizado nos anos 1940 e que foi responsável pela criação dos trios elétricos. Foi por sentir a necessidade de dar outras leituras para o que era feito com essa guitarra, que nasceu em 2009 a banda BaianaSystem. “A gente quis abrir as possibilidades do instrumento, que era sempre muito visto daquela forma datada, dentro de um contexto, somente no carnaval e com aquela mesma sonoridade”, explica Roberto Barreto, guitarrista da BaianaSystem, nome que surgiu de recortes do reggae e do dub, misturados a guitarra baiana e ao Sound System, movimento popularizado na Jamaica nos anos 1950.

Apesar de a trajetória da BaianaSystem ter começado ainda nos anos 2000, o grupo, formado por Russo Passapusso, Roberto Barreto, SekoBass e Filipe Cartaxo, só ganhou visibilidade nacional e internacional em 2016, com a música Playsom, que fez parte da trilha sonora do jogo de futebol virtual Fifa 16. “Acredito muito no trabalho feito a longo prazo e na arte que respira com o tempo necessário para ser absorvida”, afirma o vocalista Russo Passapusso sobre a ascensão da banda, que hoje canta o tema de abertura de uma novela global.


Ao escutar os discos Baianasystem (2010), Duas cidades (2016) e Outras cidades (2017) é possível perceber um processo de amadurecimento musical, com influências que vão de Ramiro Musotto e Dorival Caymmi a Ratatat e Death Grips. “Para entendermos nossa formação, acho fundamental nos reconhecermos como mestiços e que isso é, além de um dado histórico, a força principal que temos para transformar o mundo. Nossa música lida com muitas referências e muitos aspectos dessa miscigenação”, comenta o guitarrista sobre a sonoridade urbana da BaianaSystem.

Sempre com shows lotados no Recife, a banda volta à capital pernambucana neste sábado (7) com uma apresentação que promete ser diferente da última, realizada em abril. “Temos um esqueleto geral. Mas isso se move de acordo com o público e com o dia. O formato inspirado no Sound System traz essa liberdade. Temos bases, temas e ideias que estão ali mas que podem mudar na hora do show. Isso deixa a coisa mais viva e verdadeira. O público e as trocas que acontecem acabam ditando o ritmo e como o repertório vai caminhar”, explica Barreto. O show será no espaço Bud Basement (Av. Sul Gov. Cid Sampaio, 121, Imbiribeira), a partir das 23h, com ingressos a R$ 60, à venda nas lojas Chilli Beans e Vitabrasilnet ou através dos sites Evenbrite, Ingresso Prime e Bilheteria Digital. Na hora, a entrada vai custar R$ 70. Além do grupo baiano, a festa ainda vai contar com a discotecagem da DJ Allana Marques e do DJ Renato DaMata.

3 perguntas - Russo Passapusso e Roberto Barreto // Cantor e guitarrista

É possível identificar nas letras das músicas ou em discursos nos shows o posicionamento político e social da banda. Qual a importância de abordar esses assuntos?
Russo Passapusso: Ou eu vou falar de sexo, ou eu vou colocar bunda, ou eu vou falar palavras até piores para o público poder prestar atenção, ou eu vou fazer uma relação com a violência, seja ela qual for. Até a própria palavra “violência” chama mais atenção do que você pedir paz. Eu posso também trabalhar com elos de apelação midiática e falar mal de alguém. Hoje em dia, esse bê-á-bá é muito caricaturado nos processos musicais e a gente não vive nesse meio. O homem é fruto do meio, ele produz em cima daquilo que ele tem convivência. É dentro da música do BaianaSystem que nasce um processo experimental, que tem uma relação com o que se está vivendo ali. Há uma convivência e não projetamos nenhuma imagem fantasiosa de personagem ou uma realidade que não é condizente com a nossa.

Qual a relação da banda com elementos da música africana?
Russo Passapusso: Dentro desse processo da música, a gente vê de uma forma bem mais ampla um processo de alma. E dentro disso a gente acaba chegando cada vez mais e se aproxima cada vez mais a um sentido matriarcal. O surgimento da música, a África e todo esse legado que foi deixado para a gente segue. A música é relacionada com a nossa alma. Em relação a música africana, a gente tem que ter o olho bem mais aberto para poder ter o entendimento de uma música e correlacionar ela com o gênero.

Quais são os próximos projetos da BaianaSystem?
Roberto Barreto: A gente está em processo de criação sempre, produzindo, criando coisas e juntando material. Eu diria que agora estamos juntando esse material. Não tem como falar muito o que se pode esperar, porque nem a gente sabe qual é a direção que isso vai tomar. A banda tem se voltado muito para coisas de pesquisa, mais ainda para as coisas da nossa ancestralidade, coisas da Bahia e o que tem de mais forte da nossa formação. Da gênese, das cordas, de como tem as histórias das cordas da Bahia. Vamos para uma turnê internacional agora em julho, passando por Portugal, Espanha, Estados Unidos e Inglaterra.

SERVIÇO
Bud Basement - BaianaSystem + DJs Allana Marques e DaMata
Quando: Sábado, 07 de julho, às 23h
Onde: Bud Basement (Av. Sul Gov. Cid Sampaio, 121, Imbiribeira)
Quanto: R$ 60 (antecipado), R$ 70 (na hora)


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