Música Romero Ferro mistura brega recifense, pop e new wave em novo clipe Cantor e compositor apresenta nova sonoridade no single Pra Te Conquistar, que será lançado nesta quarta-feira, no Youtube

Por: Marina Simões - Diario de Pernambuco

Publicado em: 04/07/2018 11:33 Atualizado em: 04/07/2018 19:14

Pra te conquista vai integrar o repertório do segundo disco de carreira, em fase de produção. Foto: Lana Pinho/Divulgação
Pra te conquista vai integrar o repertório do segundo disco de carreira, em fase de produção. Foto: Lana Pinho/Divulgação


Um dos nomes que se consolida no cenário musical pernambucano, o cantor e compositor Romero Ferro, de 27 anos, mistura referências do brega recifense, sonoridades do pop e nuances do movimento New wave, da década de 1980, no clipe do novo single Pra te conquistar, que será lançado nesta quarta-feira (4), às 19h, no YouTube. A faixa vai integrar o repertório do segundo disco de carreira, em fase de produção, que já tem mais duas canções a serem divulgadas até o final do ano.

Após os clipes de Arsenal (2014) e O medo em movimento (2016), o artista recorre novamente ao projeto audiovisual para impulsionar trabalho, buscando referências que vão de Kaftwerk, Toro y Moi, Daft Punk, Tame Impala, Reginaldo Rossi, Márcio Greyck e Odair José. "Juntamos elementos mais rebuscados da New wave com a proposta direta da cultura local. Quero que essa faixa dê um nó na cabeça do ouvinte, que se questione como pude unir essas linguagens", comenta o músico. 

Este ano, Romero colhe os frutos da repercussão positiva de Arsênico (2016), seu primeiro disco da carreira indicado como Melhor Cantor Popular no Prêmio da Música Brasileira de 2017, e se debruça na construção e refinamento da identidade musical. Em Pra te conquistar, o artista fala sobre a dualidade das relações amorosas e de amores imperfeitos em faixa produzida pelo tecladista do Mundo Livre  S/A Leo D, que já trabalhou com Johnny Hooker e Nação Zumbi. "Criei a letra para ser despretensiosa, leve e que o público se divertisse ouvindo. Falo sobre alguém que lutou por uma pessoa e quando conseguiu, se questiona se era aquilo mesmo", explica o cantor, que no último ano se aproximou ainda mais do brega e contribui para fortalecer o ritmo pernambucano nascido na periferia. "Trago muito forte a musicalidade do brega, que fala de amores que todo mundo já viveu, é um movimento forte e sério que não pode ser desmerecido", afirma. A sonoridade foi carregada de sintetizadores e criou um estilo batizado pelo artista como ‘BregaWave’. 

O vídeo foi gravado em estúdio, em Juiz de Fora (MG), com direção de Mário Junior, produção geral de Maurício Spinelli e direção artística de Patrick Torquato. "Construímos um cenário primoroso, com cores intensas e pegada tropical. Ele é muito visual e segue a linha dançante. Os ritmos dialogam entre si e resultam em mistura inusitada", adianta Romero. O artista nascido em Garanhuns, no Agreste do estado, retorna à cidade natal para estrear o novo show na programação do Festival de Inverno de Garanhuns, no palco Dominguinhos, dia 27 de julho. Ele também participa do show Nova Cena Pernambucana, no dia seguinte, com a presença de Aninha Martins, Flaira Ferro, Isaar, Isadora Melo, Martins, Almério, Amaro Freitas e direção de Juliano Holanda.

Assista ao clipe de Pra te conquistar:



 ( Foto: Lana Pinho/Divulgação)
Entrevista // Romero Ferro (cantor e compositor)

Você introduz o brega no seu trabalho, como se deu a aproximação com o ritmo pernambucano nascido na periferia e alvo de preconceito?
O brega é um ritmo inevitável. Parodiando o samba, quem não gosta de brega, bom sujeito não é. No final de Arsênico comecei a aprofundar ainda mais nesse universo, mas não sabia se iria seguir o caminho. Tive oportunidade de conhecer e cantar com Carlinha Alves (ex-Kitara), Priscila Senna (Musa) e Michele Melo, a frequentar os shows e ver a forma como elas dialogam com o público. Senti a necessidade de cantar para mais pessoas, ser mais direto e ser mais pop, para potencializar o que já estava dentro de  mim. Estou ainda mais envolvido com as nuances do universo do brega e empolgado por essa fase. Qualquer tipo de preconceito é falta de tato. Respeito a opinião de quem disser que não curte e não ouve. Mas tem muitos trabalhos de qualidade feitos no brega, como em tantos outros gêneros. Transformam o brega em uma coisa menor. O gênero tem força imensa, movimenta o mercado e sustenta milhares de famílias no Recife. É um trabalho feito por profissionais de forma séria e que dão o suor para isso. Respeito o ritmo e escolhi fundir o brega ao meu trabalho. Fico feliz em contribuir para que ele seja visto de outra maneira.  

Você faz parte do show Nova Cena Pernambucana, que foi apresentado do Festival Rio2C e estará na programação do FIG. Como é o trabalho que está sendo produzido?
Prefiro batizar de um ‘recorte’ da nova cena pernambucana. São oito artistas no palco que representam milhares de outros com suas carreiras e trabalhos. A gente não consegue colocar todo mundo no palco, mas já dá uma mostra do que está sendo feito no estado. A cena atual está cada vez mais diversa, intensa, com artistas que estão ganhando espaço no cenário nacional. Senti um feedback positivo e muito respeito do público no Rio de Janeiro. As pessoas vinham falar e elogiar. Fiquei muito feliz por isso. Temos Almério, um cantor maravilhoso que tem aparecido no Brasil, Flaira Ferro, que traz a força na dança e da música, e ainda Aninha Martins, Amaro Freitas, Isaar, Martins e Isadora Melo. É importante ver esses trabalhos juntos e unidos. São todos diferentes, mas estivemos abertos para conhecer a linguagem do outro. Cada um canta sua música e dos outros. A direção é de Juliano Holanda, que mostra o fio condutor. E há faixas que cantamos juntos como Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Reginaldo Rossi. Passeamos pelos ritmos e mostramos um regionalismo forte, com pegada moderna.

Em tempos de forte movimento conservador, assumir algumas bandeira na música não pode afastar parte do público?
O trabalho que construo tem a preocupação de transformar. Acaba sendo uma busca individual de cada artista, se reconhecer como ponto de mudança no mundo e buscar a forma de tratar as questões. A gente precisa levantar bandeiras e resistir diante desses movimentos que encaminham para uma história mais conservadora, que levam o país para um retrocesso. São tempos de resistência e de dar vozes a canções e obras que serão vistos e lidos e saber que mensagem vai colocar para que aquilo modifique quem está recebendo.

Assista aos clipes:







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