Música Gabriel Leone se prepara para protagonizar Eduardo e Mônica, baseado na canção da Legião Urbana No ar como o Hermano de Onde nascem os fortes, ator pode viver Roberto Carlos novamente no cinema

Por: Ana Clara Brant -

Publicado em: 24/06/2018 13:41 Atualizado em: 24/06/2018 13:46

'Sou fanático pela Legião. Então para mim é uma honra dar vida a um personagem que saiu da cabeça do Renato Russo', diz o ator Gabriel Leone (foto: Estevam Avellar/TV Globo/Divulgação )
'Sou fanático pela Legião. Então para mim é uma honra dar vida a um personagem que saiu da cabeça do Renato Russo', diz o ator Gabriel Leone (foto: Estevam Avellar/TV Globo/Divulgação )
Quando Renato Russo morreu, em 1996, Gabriel Leone tinha apenas 3 anos de idade. Nem por isso o vocalista da Legião Urbana deixou de estar presente na vida do ator carioca. Nesta semana, ele inicia as filmagens do longa-metragem Eduardo e Mônica, sobre a história dos jovens que “um dia se encontraram sem querer/E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer”. “Sou fanático pela Legião. Então para mim é uma honra dar vida a um personagem que saiu da cabeça do Renato Russo. É quase um sonho fazer parte disso. Eduardo e Mônica é uma música que está no imaginário do brasileiro”, diz Gabriel.

O filme, que terá boa parte de suas cenas rodadas em Brasília, será dirigido por Renê Sampaio, que já adaptou para a telona Faroeste caboclo (2013), também da obra da Legião Urbana, com Ísis Valverde e Fabrício Boliveira como protagonistas. “Se você for analisar, a obra do Renato e da Legião têm canções mais densas, profundas, e Eduardo e Mônica é mais leve, apesar de ser complexa. Estar nesse projeto com pessoas como o Renê, a Alice Braga (que interpretará Mônica) é muito bacana. A gente sabe da responsabilidade que esse filme envolve e por isso a importância de ter respeito e uma dedicação enormes”, diz o ator.

Gabriel Leone, que completa 25 anos em julho, atualmente está no ar na TV em Onde nascem os fortes (Globo), na pele de Hermano. O ator comenta que não é à toa que a trama leva esse nome, já que cada um dos personagens é forte à sua maneira. “O Hermano veio daquele sertão, daquele lugar de seca e acaba sendo uma figura muito contida, dura. Mas, ao mesmo tempo, de cara ele se envolve num amor arrebatador e impossível com a Maria (Alice Wegmann), que é uma espécie de Romeu e Julieta sertanejo. Esse outro lado dele, mais amoroso, fica visível também. Essa dualidade foi uma das coisas que mais me atraíram”, conta.


Outro motivo que o fez embarcar de cabeça na série foi a oportunidade de trabalhar com uma tríade de sucesso: o diretor mineiro José Luiz Villamarim, o autor e roteirista pernambucano George Moura e o fotógrafo e diretor paraibano Walter Carvalho. “Os três têm uma parceria de anos e com trabalhos muito consistentes, densos e bonitos esteticamente. Sempre tive muita vontade de trabalhar com eles, principalmente com o Villamarim”, diz.

O jovem ator destaca também a imersão nas locações do Nordeste, onde ocorreram aproximadamente 70% das gravações da série. “Entre idas e vindas, ficamos uns cinco meses lá, e é raro em televisão isso acontecer. Acho que isso acabou trazendo uma credibilidade, uma riqueza e uma outra dimensão ao nosso trabalho. Sem contar que é um lugar maravilhoso, mágico e, infelizmente, pouco conhecido da maioria dos brasileiros.” Em Onde nascem os fortes ele contracena com sua atual namorada, a também atriz Carla Salle, que faz o papel de Valquíria, o outro vértice do triângulo amoroso com Hermano e Maria. Gabriel diz que foi uma feliz coincidência os dois emendarem os mesmos trabalhos – eles foram irmãos na série Os dias eram assim (2017) – e que há uma troca artística muito interessante entre o casal. “Temos gostos e pensamentos muito parecidos. A gente se acrescenta muito e ajuda um ao outro.”

ROBERTO CARLOS - Além de Eduardo e Mônica, Gabriel Leone tem outros trabalhos no cinema em andamento. Ele integra o elenco de Piedade, longa inédito de Cláudio Assis (Amarelo manga, A febre do rato), e Minha fama de mau, de Lui Farias (Com licença, eu vou à luta). O filme de Assis foi outro mergulho nordestino, já que a produção foi rodada em Recife. Na trama, Gabriel é um ativista e é filho do personagem de Cauã Reymond.

“O Cauã teve que ‘envelhecer’ para esse filme e teve o filho muito novo. Estar ao lado não só dele mas da Fernanda Montenegro, de Matheus Nachtergaele e Irandhir Santos é um privilégio”, comenta. Já Minha fama de mau, previsto para estrear no fim do ano, retrata os primeiros anos da carreira de Erasmo Carlos até o fim da Jovem Guarda. Gabriel Leone interpreta ninguém menos do que Roberto Carlos. É a segunda vez na carreira que o ator vive o Rei na ficção. A primeira foi no musical Chacrinha (2014), onde fez uma pequena participação, cantando Detalhes e Emoções.

“Ao contrário do musical, no filme eu pude me aprofundar. Ele retrata uma época pouco documentada e com poucas referências, que é o começo de tudo. Eles estão bem novinhos. Era o início da talvez mais bem-sucedida parceria musical no Brasil”, comenta. Gabriel conta que é fã de Roberto desde criança e que sua família, sobretudo, suas avós, sempre ouviram e acompanharam a trajetória do artista capixaba. Após a dupla interpretação de Roberto Carlos, há rumores de que Gabriel Leone será o protagonista da cinebiografia do Rei, do diretor Breno Silveira (Gonzaga - De pai pra filho e Dois filhos de Francisco). “É uma honra interpretar o Roberto Carlos. Sobre esse filme, vi notícias na imprensa, mas não tem nada de oficial”, desconversa.
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A música é um dos talentos de Gabriel Leone. E dele uma das vozes da abertura da supersérie Os dias eram assim, na qual estão também os colegas Sophie Charlotte, Renato Góes, Daniel de Oliveira e Maria Casadevall. Quando começou a fazer teatro, ainda bem jovem, ele decidiu investir também na interpretação musical, principalmente porque já se anunciava o boom dos musicais nos palcos brasileiros. O ator já cantava e tocava em uma banda e, depois de se aperfeiçoar, acabou levando isso para seus personagens. “Meu próximo projeto, inclusive, vai ser Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812, musical off Broadway, inspirado em Guerra e paz, que estreia em São Paulo no segundo semestre. Tenho tido a sorte de ter muitos trabalhos bacanas ao longo da minha trajetória. Só tenho a agradecer.”


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