Arte Exposição itinerante mostra a caatinga através do olhar de jovens do Sertão Olhares da Mata reuniu fotografias de 30 alunos de escolas públicas de Serra Talhada

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 07/05/2018 10:31 Atualizado em: 07/05/2018 14:37

O processo de construção das imagens durou dois dias e os adolescentes ficaram livres para escolher o que seria registrado. Foto: Adrielly Viturino/Divulgação
O processo de construção das imagens durou dois dias e os adolescentes ficaram livres para escolher o que seria registrado. Foto: Adrielly Viturino/Divulgação

Foi através de um edital público que surgiu o projeto de educação ambiental Olhares da mata, que reúne fotografias produzidas por 30 alunos de duas escolas públicas de Serra Talhada, no Sertão do Pajeú. Cada jovem ficou responsável por escolher uma imagem - das várias que fizeram - do Parque Estadual Mata da Pimenteira, para integrar uma exposição fotográfica itinerante. A mostra será lançada nesta segunda-feira (7), às 17h, com acesso gratuito, na Casa de Cultura de Serra Talhada (Rua Cmte. Superior, 549, Centro, Serra Talhada).

O trabalho dos estudantes foi orientado e supervisionado pelo fotógrafo e educador Daniel Meirinho, com experiência nacional e internacional em fotografia participativa e intervenção social. "Visitamos algumas escolas que tivessem trabalhos socioambientais e fizemos uma triagem com alunos dos 7º ao 9º ano. Essa seleção passou pelo processo de sensibilização deles e, praticamente, escolhemos todos os que se inscreveram", explica Daniel, que ministrou uma oficina de uma semana com os discentes. Segundo ele, os jovens não tiveram aulas de técnica fotográfica e as imagens foram construídas a partir das experiências deles com a câmera. "A gente fez uma discussão coletiva das regras de convívio e depois passamos para a atividade de conhecer o equipamento. Um foi ensinando ao outro como funciona e minha função foi mediar essa troca de aprendizado", relata.

Quando questionados sobre o que é a caatinga, Daniel lembra que os alunos responderam: "Vegetação seca e morta". O processo de construção das imagens durou dois dias e os adolescentes ficaram livres para escolher o que seria registrado. "Cada um tem um olhar muito individual sobre cada coisa. Os jovens que vivem muito próximos da mata, têm um olhar muito apurado sobre o que é cada espécie de árvore e cada espécie de animal. Enquanto os outros, têm um olhar mais amplo e descobridor da mata. Assim, eles dialogaram e trocaram experiências", diz.

Daniel conta ainda que não se preocupou com a estética das imagens, mas, sim, com o que eles quiseram apresentar a partir de um olhar próprio. "A ideia é mostrar para as pessoas que elas podem contar histórias em primeira pessoa", finaliza. A exposição Olhares da mata ficará aberta à visitação até o dia 11 de maio, das 8h às 18h. Em seguida, passará pela UFRPE/UAST, Museu do Cangaço, Secretaria de Meio Ambiente de Serra Talhada, IF-Sertão Campus, Biblioteca Municipal de Serra Talhada e as escolas escolhidas: Methodio Godoy Lima e Brás Magalhães. Em agosto, a mostra deverá passar pelo Recife, com datas e locais a serem divulgados em breve.


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