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Música 'É uma canção que poderíamos ter feito hoje', diz João Bosco sobre o 'hino da anistia' da ditadura militar Cantor se apresenta no Recife com a turnê do álbum Mano Que Zuera

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 13/04/2018 16:48 Atualizado em:

Em 2017, quebrou um hiato de oito anos sem lançamentos inéditos com o Mano que Zuera. Foto: Beti Niemeyer/Divulgação
Em 2017, quebrou um hiato de oito anos sem lançamentos inéditos com o Mano que Zuera. Foto: Beti Niemeyer/Divulgação

João Bosco tem quatro décadas de carreira, mas, sem dúvidas, são dois séculos de ritmos brasileiros que fluem pelos seus dedos. Trata-se de um dos instrumentistas mais consagrados da música nacional. Em 2017, ele agraciou os fãs da MPB quebrando um hiato de oito anos sem lançamentos inéditos com o Mano que zuera, um álbum conciso e "orgânico", como ele mesmo diz. "É um disco que você sente a presença da voz e do instrumento de forma muito viva. Sente aquilo à flor da pele", define.

As faixas da novidade serão o foco do show que o artista de 70 anos fará no Teatro RioMar neste sábado (13), às 21h. No palco, ele sobe acompanhado por Guto Wirtti (contrabaixo), Kiko Freitas (bateria) e Ricardo Silveira (guitarra). Em viagem para completar a agenda de shows da turnê, o carioca havia acabado de se hospedar em um hotel no bairro praiano de Meireles, em Fortaleza (CE), quando deu a entrevista por telefone.

Bosco se mostrou incomodado quando questionado sobre o porquê de ter passado quase uma década sem álbuns inéditos. Para ele, não lançar discos inéditos não é sinônimo de falta de criatividade. A releitura de obras já existentes seria o suficiente para criar. "Nós compositores gostamos de experimentar a música, seja ela cantada, instrumentada, reinterpretada, relida, de todas as maneiras. É um exercício diário sobre sua música e de outros compositores de sua formação musical. Você exercita novos limites para as canções. Eu venho fazendo isso desde 1972, diariamente, é uma coisa que eu respiro, uma necessidade vital para mim. Jamais ficaria sentado de braços cruzados olhando para o teto".

A reinvenção é, aliás, uma das marcas do Mano que zuera. A faixa Sinhá, originalmente gravada no disco Chico (2011), de Chico Buarque, aparece com uma nova roupagem no lançamento. No trabalho do amigo carioca, a música tem uma concepção bastante africana, com influências de Cabo Verde, enquanto a versão para o Mano... não conta com percussão.

ENTREVISTA / João Bosco, cantor

A canção O bêbado e a equilibrista, feita em parceria com Aldir Blanc e gravada por Elis Regina em 1978, se tornou uma espécie de "hino pela anistia" nos últimos anos da ditadura militar. Como é ver a sua cidade novamente ocupada, em outro contexto, por militares?
Essa é uma canção que fala sobre sorrisos, da necessidade de sorrir apesar de tudo. De não perder a alegria de viver. Acho isso maravilhoso, algo que temos de sentir diariamente. Infelizmente é uma canção que poderíamos ter feito hoje. Ela teria a mesma função, da mesma forma que teve naquela época. O Brasil já deveria ter seguido seu caminho, mas às vezes nós retrocedemos. Sobre isso, costumo dizer o seguinte: se alguém estiver pensando em fugir, que seja para a frente. Precisamos estar na zona de fronteira.

Com tantos anos de carreira, você viveu da época dos LPs, K7s e CDs. Mano que zuera é seu primeiro disco lançado na era do streaming. O que acha dessa nova forma de consumir música?
Sinceramente? Não sei. A vida hoje em dia, no ponto de vista da tecnologia, é tão dinâmica que você nem consegue formar uma opinião. Quando você consegue entender um novo suporte, aparece outro mais complicado. Existe essa velocidade, mas isso não interfere no meu processo de fazer música. Eu ainda continuo ouvindo música em vinil e CD, vendo filmes em VHS e DVD. Nem cheguei no BluRay ainda (risos). Acho que essas novas gerações nasceram com um "iDedo", um dedo inquieto. Gostam de viajar e pesquisar nesse universo.

SERVIÇO
João Bosco em Mano Que Zuera
Quando: hoje, às 21h
Onde: Teatro RioMar (Avenida República do Líbano, 251, 4º piso do RioMar Shopping)
Quanto: R$ 160 (plateia baixa), R$ 140 (plateia alta) e R$ 100 (balcão nobre), à venda na bilheteria do local e no www.uhuu.com. Todas opções possuem meia entrada.


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