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Entrevista 'A sensação é de dever cumprido', diz integrante do Rappa antes de último show em Pernambuco Grupo carioca se apresenta nesta sexta-feira, no Centro de Convenções

Por: Marina Simões - Diario de Pernambuco

Publicado em: 06/04/2018 11:03 Atualizado em:

As bandas Nação Zumbi e Baiana System também se apresentam na noite. Foto: Guto Costa/Divulgação
As bandas Nação Zumbi e Baiana System também se apresentam na noite. Foto: Guto Costa/Divulgação

São 25 anos de carreira, 12 discos, 5 DVDs lançados, uma legião de fãs e muito hits. "A sensação é de dever cumprido. É uma grande vitória ter uma obra reconhecida, com teor relevante, e não ser uma moda. Nosso objetivo sempre foi esse", afirma o guitarrista Xandão, da banda O Rappa, em entrevista ao Viver. 

O grupo formado por Marcelo Falcão (vocal), Xandão (guitarra), Lauro (baixo) e Marcelo Lobato (teclados) anunciou pausa por tempo indeterminado e faz a derradeira apresentação em solo pernambucano nesta sexta-feira (6), às 21h, no Centro de Convenções. As bandas Nação Zumbi e Baiana System também se apresentam na noite. 

Para o guitarrista, não se trata de uma despedida e, sim, oportunidade de renovação. “Precisamos de bandas novas, novas sonoridades. A arte existe para estar se renovando o tempo todo. É esse nosso papel ou perdemos o propósito. Isso é o que nos mantém com vontade de continuar no palco”, comenta. 

Por divergências internas, o grupo decidiu dar uma pausa desde maio do ano passado. Fez um 'último show' em setembro de 2017, voltou para o Carnaval Boa Viagem, e já deveria ter finalizado a agenda desde fevereiro, mas esticou para abril. Neste sábado e domingo eles se apresentam em São Paulo (São Bernardo do Campo e Mogi das Cruzes) e encerram com dois shows no Rio de Janeiro (13 e 14 de abril). 

A relação do grupo carioca com o estado se estreitou nos últimos anos. O mais recente trabalho foi o DVD Acústico, gravado na Oficina Brennand em novembro de 2015 e dirigido pelo pernambucano Lírio Ferreira. Em 2016, a banda fez um registro audiovisual de um show no Marco Zero, durante o carnaval. Para o show no Cecon, os músicos prometem um repertório emblemático passeando pelos principais sucessos da carreira. Os ingressos variam entre R$ 50 e R$ 240, à venda na bilheteria e no site Eventim. 


Entrevista Xandão // guitarrista

Qual o sentimento nessa despedida?
Na verdade, depois de 25 anos, a sensação é de dever cumprido. É uma grande vitória ter uma obra reconhecida, com teor relevante e não ser uma moda. Por muitos anos tivemos que explicar aos jornalistas que perguntavam ‘Que tipo de som vocês fazem?’. Queriam nos colocar em algum contexto e esse tipo de identificação nunca foi conseguido, pois sempre procuramos um caminho próprio. Nosso som nunca foi compreendido, é uma identidade construída em um processo muito longo. Me sinto uma pessoa realizada por viver e sobreviver de música em um país como o Brasil. 
 
Quais serão os próximos passos? 
A gente já conversa a possibilidade de trabalhar os três juntos. É um momento bacana para conhecermos novos artistas e nos renovar. Por enquanto, vamos dar atenção para vida pessoal, depois de anos negligentes com nossas vidas e famílias.  Nós três, pelo menos, vamos aproveitar o restante do ano para dar uma arejada e viajar. E depois pretendemos tocar nossos projetos pessoais. Temos uma afinidade pessoal e musical forte. A gente vai querer voltar a tocar. 

O que diria aos fãs que lamentam o fim da banda?
Ao público, agradeço com muita humildade. Eu lamento pelo que não vem, o novo que não vai chegar. Não gostaria que as pessoas se sentissem usurpadas pelo direito de não ter. Tem que aceitar. Sinto pela falta de espaço para novos artistas. A lástima deveria se reverter no processo de procurar por novos artistas. Consegui achar milhares de coisas bacanas. Conheci Barro (cantor recifense), e me surpreendeu profundamente o trabalho de qualidade excepcional. O disco Miocárdio é uma obra prima. Só não tem espaço.

O que motivou a decisão?
O término da banda vem muito pelo desgaste desses 25 anos. Existem claramente visões diferentes no grupo. Um lado - formado por mim, Lauro e Lobato - não concorda com as ações tomadas pelo outro lado. O Rappa não foi o nosso primeiro trabalho juntos, foi um processo, foi criado em cima de músicos e para fazer música. 

Qual a relação com a Nação Zumbi e Baiana System?
Admiro profundamente. Nação Zumbi sempre foi referência da música contemporânea brasileira. A gente acompanha e vê que nas turnês internacionais, as pessoas ignoram essa música. O público lá fora ainda está com referência a Bossa nova. O trabalho de feito por Chico Science e Nação é uma obra para ser admirada no mundo todo. De uma qualidade e contexto ímpar. Me serve de grande inspiração.

Qual o maior legado d'O Rappa?
Não seguimos um roteiro muito em função da procura de não fazer as mesmas coisas, todas as noites. Sempre digo que se tocarmos três vezes a mesma música em um show, ela sai com arranjos diferentes. No primeiro momento o público estranhou, mas viu que, a cada show, recebia um som com coisas frescas. Gostaria que viessem novas bandas, com novas identidades e características. O que fizemos já é inerente ao Rappa, nos pertence. Gosto de admirar coisas novas. Quando produzo digo para os artistas procurarem um caminho e se perpetuar. 

Qual maior dificuldade do grupo?
A maior adversidade foi manter o convívio de 25 anos, tanto interpessoal como na estrada. Nas viagens, passamos muito tempo sozinhos, indo para lugares que não conhecemos e tivemos que superar várias adversidades. Já disse várias vezes que nós somos muito diferentes, de personalidade e musicalidade. Foi isso que nos deu a identidade e nos trouxe até aqui. Mas as diferenças também trouxeram sofrimento e amadurecimento. A minha semana era espera de chegar o fim de semana para ter convívio com essas pessoas. Nossas resenhas eram aguardadas. Isso vai me fazer falta. 

Serviço
O Rappa, Nação Zumbi e Baiana System
Quando: Hoje, às 21h
Onde: Centro de Convenções (Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n - Olinda)
Informações: 3426-5256



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