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Cultura Opinião: 'Vivenciamos hoje o cartel cultural' 'A cultura não deve ter fronteiras, mas precisa de limites e divisas', diz empresário

Publicado em: 12/03/2018 19:00 Atualizado em: 12/03/2018 18:56

Foto: Fundarpe/Divulgação
Foto: Fundarpe/Divulgação


De tanto levar aos palcos, artistas e produções de baixa qualidade, empresários que dominam o segmento de shows, no Recife ou em qualquer outra cidade, acabaram moldando a imagem de que são produtores comprometidos com a preservação da arte brasileira e que seus contratados dos mais diferentes estilos ocupam um mercado cada vez mais decadente, carente da verdadeira arte, aquela que emociona, cativa e incentiva, seja pintura, música, dança, literatura ou qualquer outra manifestação tida como cultura.

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Com tamanha desenvoltura e sem poupar investimento, exercitam a frase que atravessa o tempo sem perder seu sentido: "uma mentira, repetida centenas de vezes, torna-se apenas verdade na cabeça de quem a criou" já que "uma mentira repetida mil vezes, nunca será uma verdade; ela será apenas uma mentira repetida na mesma proporção em que foi dita".

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Desse caldeirão emerge muito de tudo, mas principalmente o modismo cultural efêmero que dura apenas o tempo necessário para que a fábrica de talentos medíocres recupere o investimento feito na transformação de nada em coisa alguma com o uso adequado e massificado de todos os meios de comunicação à venda nas prateleiras das rádios, TVs e blogs.

No labirinto da busca pela oportunidade, talentos se perdem e fantoches são construídos diante de uma sociedade que poucas vezes reage à intenção declarada de apagar traços culturais impondo valores voláteis que só duram o momento de êxtase. Assim vemos Mc Coisa Alguma lotando palcos e subtraindo a oportunidade dos que não podem contar com a máquina midiática.

Uma manipulação cada vez mais frequente dos senhores dos eventos, empresários que manipulam a opinião pública ao mesmo tempo em que formam um acordo explícito ou implícito entre empresas concorrentes para, principalmente, fixação de preços ou cotas de produção, divisão de clientes e de mercados de atuação ou, por meio da ação coordenada entre os participantes, eliminar a concorrência e aumentar os preços dos produtos, obtendo maiores lucros. Traduzindo: o que vivenciamos hoje é o cartel cultural cujos integrantes decidem quem vem, aonde se apresenta e com que facilidades pode contar, incluindo todos os benefícios e agilidades na obtenção das certificações legais de competências dos órgãos públicos.

Assim, temos que aturar Mc Bostinha, DJ Fiasco e qualquer desconhecido que seja contemplado com nota de coluna social, enaltecendo o sucesso feito em Nova Iorque, sem necessariamente ter feito algum sucesso, bastando que se credite, já é sucesso.

É você leitor quem pode mudar essa situação sendo mais exigente e seletivo em suas escolhas de lazer e entretenimento. Não raro vemos grandes talentos buscando a oportunidade do grande palco, mas tendo que sobreviver de pequenos cachês de bares e restaurantes, com muita qualidade e dignidade.

É nesse cenário de dificuldade que se pode ousar destacar alguns nomes merecedores da oportunidade de pisar em grandes palcos e brindar grandes públicos com seus talentos, como "João Lacerda, Kelly Rosa, Edilza Aires, Thiago Kherle, Ravel Cerqueira, Maysa Ribeiro", para citar apenas esses, entre mais de uma centena de talentos.

A cultura não deve ter fronteiras, mas precisa de limites e divisas, para que todos possam usufruir das oportunidades e benefícios que pode proporcionar. É uma luta diária e intensa contra o obscurantismo cultural, em prol da a valorização das tradições brasileiras. Nesta terra abençoada não faltam paladinos que ergam essa bandeira para que todos possam bradar, com orgulho, em alto e bom som, Pernambuco, imortal, imortal.

Carlos Carneiro, empresário

* Os textos opinativos publicados no Viver não refletem, necessariamente, a opinião do jornal Diario de Pernambuco

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