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Televisão O Outro Lado do Paraíso é 'desserviço' para vítimas de abusos sexuais, diz Conselho de Psicologia Na trama, Laura (Bella Piero) sofre por ter sido abusada pelo padrasto Vinicius (Flavio Tolezani) durante a infância

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 06/02/2018 10:01 Atualizado em: 06/02/2018 09:59

Novela mostra relação entre padrasto e enteada anos após os abusos. Foto: Globo/Divulgação
Novela mostra relação entre padrasto e enteada anos após os abusos. Foto: Globo/Divulgação


O Conselho Federal de Psicologia criticou O outro lado paraíso e afirmou que a novela da Globo está prestando um "desserviço" ao país, pela abordagem a temas relacionados a abuso sexual e saúde mental. Na trama de Walcyr Carrasco, a personagem Laura (Bella Piero) sofre por ter sido abusada pelo padrasto, Vinicius (Flavio Tolezani), durante a infância. Recentemente, Clara (Bianca Bin) a sugeriu que procurasse uma advogada especializada em hipnose para acessar as memórias do trauma. 

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"Mesmo compreendendo o caráter de uma obra de ficção, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) entende que a telenovela O outro lado do paraíso, por se tratar de uma obra capaz de formar opinião, presta um desserviço à população brasileira ao tratar com simplismo e interesses mercadológicos um tema tão grave como o sofrimento psíquico de personagem cuja origem é o abuso sexual sofrido na infância", diz o texto, publicado no site do órgão

"Quanto ao argumento de que se trata 'apenas' de ficção, lembramos que são as novelas da Rede Globo que, como estratégia de elevar a audiência, frequentemente buscam embaralhar as barreiras do ficcional e do real, entre outras formas, introduzindo nas tramas fatos e temas candentes da sociedade", completa a publicação, que destaca a importância de buscar ajuda médica com profissionais especializados em caso de problemas mentais. 

"Saudamos como positiva a manifestação de diversos grupos e escolas de coaching, que, manifestando-se sobre o ocorrido, afirmaram compreender que os transtornos mentais devem ser cuidados por profissionais da saúde mental. O CFP faz um alerta à sociedade para que não se deixe iludir. As pessoas devem buscar terapias adequadas conduzidas por profissionais habilitadas para os cuidados com a saúde, particularmente a saúde mental, finaliza a nota. 

Leia o texto na íntegra:

Mesmo compreendendo o caráter de uma obra de ficção, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) entende que a telenovela O outro lado do paraíso, por se tratar de uma obra capaz de formar opinião, presta um desserviço à população brasileira ao tratar com simplismo e interesses mercadológicos um tema tão grave como o sofrimento psíquico de personagem cuja origem é o abuso sexual sofrido na infância.

Quanto ao argumento de que se trata 'apenas' de ficção, lembramos que são as novelas da Rede Globo que, como estratégia de elevar a audiência, frequentemente buscam embaralhar as barreiras do ficcional e do real, entre outras formas, introduzindo nas tramas fatos e temas candentes da sociedade.

É consenso no Brasil de que pessoas com sofrimento mental, emocional e existencial intenso devem procurar atendimento psicológico com profissionais da Psicologia, pois são os que tem a habilitação adequada. Isso é amplamente reconhecido por diversas políticas públicas, entre elas o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que empregam essas profissionais em larga escala. Mesmo na saúde suplementar, o exercício do cuidado psicológico é reconhecido e regulamentado. Há normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que obrigam os planos de saúde a oferecerem atendimento por profissionais da Psicologia.

Somos uma profissão regulamentada pela Lei 4.119, de 27 de agosto de 1962, os cursos de Psicologia são aprovados e fiscalizados pelo Ministério da Educação e o Ministério da Saúde reconhece a Psicologia como uma profissão da saúde. As mais prestigiadas universidades públicas e privadas oferecem formação em Psicologia e nossa ciência e profissão passam rotineiramente pelo escrutínio das pesquisas acadêmicas. Tudo isso confere segurança à sociedade de que se trata de uma ciência e profissão respaldadas ética e tecnicamente.

Saudamos como positiva a manifestação de diversos grupos e escolas de coaching, que, manifestando-se sobre o ocorrido, afirmaram compreender que os transtornos mentais devem ser cuidados por profissionais da saúde mental.

O CFP faz um alerta à sociedade para que não se deixe iludir. As pessoas devem buscar terapias adequadas conduzidas por profissionais habilitadas para os cuidados com a saúde, particularmente a saúde mental.

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