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Cinema Filme Extraordinário faz apelo sensível sobre tolerância Jacob Tremblay, de O quarto de Jack, estrela o filme, dirigido por Stephen Chbosky

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 06/12/2017 10:45 Atualizado em: 06/12/2017 12:52

Longa-metragem mantém fidelidade ao material original. Foto: Paris Filmes/Divulgação
Longa-metragem mantém fidelidade ao material original. Foto: Paris Filmes/Divulgação

Algumas histórias parecem criadas com o intuito de arrancar lágrimas de quem as acompanha. Extraordinário, filme em cartaz a partir de amanhã, é desses casos em que provavelmente o espectador vai se emocionar pela narrativa dramática, centrada no garoto Auggie (Jacob Tremblay) portador da Síndrome de Treacher Collins, doença genética caracterizada por deformações faciais. O longa-metragem é inspirado no romance de mesmo nome escrito por R. J. Palacio (Intrínseca, 320 páginas, R$ 39,90).

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Após estudar toda a vida dentro de casa com a mãe Isabel (Julia Roberts) como tutora, o menino é matriculado em uma escola comum ao completar dez anos. Ser novato dentro de um ambiente escolar é um tema vez por outro explorado na ficção, mas a provação do personagem central de Extraordinário ganha uma camada extra de problemas. A aparência incomum torna Auggie alvo de olhares estranhos, desprezo e piadas maldosas por parte de algumas crianças.

A história lembra um pouco a de Marcas do destino (1985), protagonizada por Rocky (Eric Stoltz), um adolescente também com um tipo raro de deformidade facial que enfrenta todo tipo de preconceito ao ingressar na escola. Ao contrário da produção oitentista, baseada em fatos reais, a trama de Extraordinário é inteiramente ficcional, embora a inspiração tenha surgido de uma experiência da autora. Em entrevistas, R. J. Palacio revelou que a ideia do livro veio após perceber a reação dos filhos ao ver uma garota com problema similar ao do personagem Auggie.

Ainda que possa, de certa maneira, se enquadrar na categoria de sick-lit, movimento cujo expoente é A culpa é das estrelas (2012), a doença em si não é o grande desafio a ser superado no romance recém-levado às telas. A malformação não implica em problemas de saúde para o protagonista, perfeitamente saudável. Todo o sofrimento e angústias enfrentados têm origem na forma como o mundo ao redor reage à aparência dele. Com uma lição certamente óbvia mas valiosa, o livro e o filme, direcionados ao público infantojuvenil, portam mensagens interessantes sobre a importância da gentileza, reforçando também que, a despeito das aparências, todos são parecidos no seu interior.

+ Brasil
Na história original, a mãe de Auggie é brasileira. O detalhe não é explicitado no filme, mas além do nome, a personagem Isabel entrega uma pista sobre a origem ao dizer que feijoada feita por ela é o prato favorito do marido, Nate (Owen Wilson). A avó do protagonista é interpretada por Sônia Braga, citada em algumas passagens e vista em única cena, um flashback ao lado da neta, Via (Izabela Vidovic). Mesmo com pouco tempo em tela, Braga consegue mostrar a importância da sua figura na núcleo familiar e entrega uma atuação afetiva e convincente.

[Crítica
Um grande risco em histórias como a de Extraordinário é a possibilidade da trama descambar para a pieguice ou para o dramalhão excessivo. O filme é o terceiro da carreira de Stephen Chbosky, cujo trabalho de maior sucesso é outra adaptação literária, As vantagens de ser invisível (2012), de sua autoria. Hábil na condução de dramas juvenis, o realizador se mostra à vontade com os temas abordados na trama.

O pequeno Jacob Tremblay, que havia impressionado em O quarto de Jack (2015), se prova novamente um ator de grande potencial, expressivo e cativante mesmo debaixo da pesada maquiagem do personagem. Roberts também se sai muito bem no papel e esbanja zelo e sensibilidade, assim como Wilson acerta ao entregar uma figura paterna igualmente carinhosa.

Ainda que Auggie seja o guia da narrativa, a história segue a estrutura do livro e traz capítulos narrados a partir do ponto de vista de outros personagens, como a irmã Via e o colega de escola Jack (Noah Jupe). É um recurso interessante, mas nem sempre a divisão funciona e, inexplicavelmente, os protagonistas de cada sequência são deixados de lado em detrimento a outros acontecimentos. Soa mais uma formalidade para tentar transmitir fidelidade ao livro.

Grande virtude do filme, a leveza que predominante é também uma das fraquezas. Eventualmente, fica a sensação de que nenhum acontecimento tem grande peso na vida de Auggie, pois os conflitos têm resoluções simples e rápidas, com grandes transformações dos envolvidos. É uma visão otimista, baseada na crença da regeneração de todos e se, por vezes, soa pouco crível, parece adequada ao público infantil. Ainda assim, o resultado final é equilibradamente divertido e comovente.


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