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Cinema Assassinato no Expresso do Oriente é releitura fiel do clássico de Agatha Christie Filme é dirigido por Kenneth Branagh (Thor), que também interpreta o detetive Hercule Poirot

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 30/11/2017 12:04 Atualizado em: 30/11/2017 11:56

Romance de Agatha Christie foi adaptado antes para os cinemas em 1974. Foto: 20th Century Fox/Divulgação
Romance de Agatha Christie foi adaptado antes para os cinemas em 1974. Foto: 20th Century Fox/Divulgação

Histórias de detetive provavelmente sempre terão seu espaço, seja no cinema, literatura ou outras mídias. De Sherlock Holmes às aventuras de Scooby-Doo, tramas envolvendo a solução de crimes causam inesgotável fascínio. Um dos mais conhecidos personagens do gênero, o detetive Hercule Poirot, criado por Agatha Christie (1890-1976), retorna à tela grande em Assassinato no Expresso do Oriente, em exibição a partir desta quinta-feira.

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Não é a primeira versão cinematográfica do célebre romance, já adaptado em 1974 por Sidney Lumet (Antes que o diabo saiba que você está morto), com Albert Finney no papel de Poirot. O clássico, publicado originalmente em 1934, já foi transposto para o rádio, quadrinhos e televisão, incluindo uma minissérie televisiva japonesa em 2015, exibida pelo canal Fuji Television. Então, ainda que talvez seja uma história desconhecida para gerações mais novas, a mais recente adaptação, dirigida e estrelada por Kenneth Branagh, passa longe de qualquer ineditismo.

A ausência do fator novidade não é um problema nesta nova versão; Branagh e o roteirista Michael Green (Logan) não sinalizam interesse em fazer grandes revitalizações na popular história. O cerne da obra está todo lá: após resolver mais um caso, Poroit embarca em uma viagem de trem que é interrompida por conta de uma tempestade de neve. A intempérie não é o único contratempo: um dos passageiros, Edward Ratchett (Johnny Depp) é assassinado em circunstâncias enigmáticas e a lista de suspeitos é extensa.

Além de Branagh, que entrega uma das melhores personificações de Poroit, merecem destaque outros integrantes do elenco. Estrelada, a relação de atores inclui Penélope Cruz, Willem Dafoe, Michelle Pfeiffer, Josh Gad, Daisy Ridley e outros, em grande parte bastante afinados. Falta, porém, melhor desenvolvimento dos suspeitos, suas motivações ou álibis. Alguns personagens são mais bem aproveitados, mas o resultado, no todo, é desequilibrado. É um problema, mas perdoável, dentro da duração do filme. Por outro lado, gasta-se um tempo significativo em cenas relacionadas ao crime mas que não trazem peso dramático nem aprofundam as jornadas individuais dos passageiros.

Problema comum nesse tipo de filme, a verborragia também dá as caras aqui. Por vezes há exagero no uso de monólogos de Poroit e diálogos excessivamente expositivos. Estilizada, a direção aposta em alguns planos bastante complexos e uma câmera que explora bem o limitado espaço de ação do trem. É uma roupagem mais moderna, mas extremamente respeitosa ao material original. Ainda que irregular sob certos aspectos, o novo Assassinato no Expresso do Oriente oferece uma viagem agradável ao longo de suas quase duas horas de duração.

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