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Cinema Comédia reúne Whindersson Nunes, Tom Cavalcante, Tirullipa e Bruno de Lucca Elenco entrosado e direção do competente Halder Gomes (Cine Holliúdy) não salvam Os Parças

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 29/11/2017 20:00 Atualizado em: 29/11/2017 18:43

À exceção do paulistano Bruno de Lucca, demais protagonistas são nordestinos. Foto: Downtown Filmes/Divulgação
À exceção do paulistano Bruno de Lucca, demais protagonistas são nordestinos. Foto: Downtown Filmes/Divulgação

Responsável por duas das comédias mais originais e divertidas do cinema nacional dos últimos anos, o cearense Halder Gomes, 50, embarca novamente no gênero em Os parças, que estreia dia 30 nos cinemas. Ao contrário de Cine Holliúdy (2012) e O shaolin do Sertão (2017), a nova produção sai da familiar paisagem do Ceará e é ambientada em São Paulo. O que não significa que as raízes nordestinas são deixadas de lado.

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O elenco de protagonistas já deixa claro que as origens são mantidas, ao menos no campo do humor. À exceção do paulistano Bruno de Lucca, os parças do título incluem Tom Cavalcante, Tirullipa e Whindersson Nunes, todos nordestinos. "Acho difícil", diz Halder sobre a possibilidade de tirar a cômica regional em suas obras. "A minha verdade está aqui (no Ceará)", reforça, acrescentando que, apesar do cenário diferente e ambientação contemporânea, enxerga elos comuns entre o novo trabalho e os títulos anteriores.

"Tem muitos elementos que dialogam com os outros filmes, a começar pela ousadia. Tem momentos ousados e imprevisíveis. Não espere o esperado em meus filmes", comenta. Os parças coloca quatro desconhecidos obrigados a trabalhar juntos em uma empresa de casamentos contratada para fazer a cerimônia de Cíntia (Paloma Bernardi), filha de Vacário (Taumaturgo Ferreira), rico e violento contrabandista que atua na famosa Rua 25 de Março, em São Paulo. Mário (Oscar Magrini), o dono do negócio, foge com o dinheiro quase todo e deixa apenas uma pequena quantia para Toinho (Tom Cavalcante), Ray Van (Whindersson Nunes), Pilôra (Tirullipa) e Romeu (Bruno de Luca) organizarem a festa. Intimidados pelas ameaças constantes do criminoso, o quarteto recorre a vários trambiques para conseguir realizar o evento.

Ainda que a marca de Halder Gomes esteja presente na forma de conduzir a narrativa e na utilização de elementos regionais vistos em seus dois maiores sucessos, Os parças acaba sendo a mais impessoal das comédias do realizador. A simples presença de protagonistas é uma bem-vinda quebra de paradigma entre as típicas comédias urbanas nacionais, mas não impulsiona a trama. 

Entrosado, o elenco mostra boa dinâmica, mas não chega a realmente se sobressair. A premissa estapafúrdia poderia, sim, funcionar, mas as situações ficam quase sempre no lugar-comum, com piadas não muito elaboradas e uma sucessão de acontecimentos, no geral, previsível. O grande mérito talvez seja trazer certa diversidade para um tipo de produção em que dificilmente se vê sotaques regionais ou que, quando o faz, quase sempre surge de maneira estereotipada. Halder sabe usar bem o regionalismo ao seu favor e não deixa a representação pender para o caricatural. 

[Novos ares
"É uma transição que tem muito a ver comigo. Eu sou um cara do interior mas sou muito cosmopolita, viajo muito, adoro cidade grande", diz sobre aceitar o projeto de dirigir o filme, cujo roteiro é assinado por Claudio Torres Gonzaga. Para o cineasta, o novo filme é também "um respiro" no campo estético, já que suas obras anteriores foram todas ambientadas em décadas passadas: anos 1990 (As mães de Chico Xavier), anos 1980 (Cine Holliúdy 2 e O shaolin do Sertão) e anos 1970 (Cine Holliúdy). "Antes de voltar a trabalhar nos meus filmes mais complexos de execução, queria fazer algo urbano e que me deixasse com essa liberdade, essa leveza estética”, ressalta, sobre o uso de fotografia mais realista em Os parças e a despreocupação com efeitos especiais.

Outro atrativo para o projeto foi a possibilidade de incluir personagens do Nordeste em outro ambiente. "Somos nós, nordestinos, encabeçando o projeto. Eu não queria fazer um filme urbano como outros feitos no Rio ou em São Paulo. Essas comédias sempre são protagonizadas por paulistas e cariocas, mas quando você chega nessas cidades, só tem nordestino”, exclama. "E essas pessoas ficam invisíveis diante dos cenários dessas produções. Invertemos essa lógica".

Além de Os parças, em 2016 o diretor gravou Notas - Uma comédia de relacionamentos, especial do comediante Edmilson Filho para a Netflix, os dez capítulos da série televisiva de Cine Holliúdy e a sequência do filme, que estreia no próximo ano. Atualmente, escreve também o roteiro para a continuação de O shaolin do Sertão.

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