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Carnaval 2018 Viúva de Naná Vasconcelos pede manutenção dos maracatus na abertura do carnaval Agremiações do estado temem que tradição instituída pelo multi-instrumentista há 15 anos se perca em 2018

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 08/11/2017 12:13 Atualizado em: 08/11/2017 12:42

Em texto, ela lembra como Naná coordenou a cerimônia de abertura da festa na capital pernambucana com diversos grupos de maracatu de Baque Solto e de Baque Virado. Foto: Nando Chiapetta/DP
Em texto, ela lembra como Naná coordenou a cerimônia de abertura da festa na capital pernambucana com diversos grupos de maracatu de Baque Solto e de Baque Virado. Foto: Nando Chiapetta/DP

Patrícia Vasconcelos, esposa do percussionista Naná Vasconcelos, falecido em março do ano passado, defendeu a tradicional presença dos grupos de maracatu na abertura do carnaval do Recife. A mudança é temida pelas agremiações de Pernambuco após proposta apresentada pela Secretaria de Cultura do Recife para alterar o local e a data dos desfiles e concursos do carnaval de 2018 para uma semana antes dos festejos de momo do Polo Avenida Nossa Senhora do Carmo, no Bairro de Santo Antônio, para um trecho na Avenida Alfredo Lisboa, no Bairro do Recife, entre o Forte do Brum e o Museu Cais do Sertão.

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Em texto, ela lembra como Naná coordenou a cerimônia de abertura da festa na capital pernambucana com diversos grupos de maracatu de Baque Solto e de Baque Virado. "Naná Vasconcelos, com toda maestria, conduziu por 15 anos a abertura do Carnaval do Recife, com 15 diferentes nações de Maracatus oriundas de diversas comunidades da Região Metropolitana do Recife. Esse movimento foi para ele também um momento de celebração das diferenças e exaltação das similaridades, tendo em vista que ele trabalhou além da música, os valores culturais. Trazendo experiências novas para essas nações, o social, se entregando de Corpo e Alma, e nessa entrega surgiram várias descobertas para ambos os lados", escreveu Patrícia. 

Patrícia cita a homenagem prestada ao músico em 2017, com uma abertura coletiva de formato e percurso mantidos em relação à tradição criada pelo multi-instrumentista em 2001, mas com cada mestre assumindo a regência de sua própria nação. "Anos de lutas, de sorrisos e de lágrimas. Lágrimas de emoção e de tristeza por cada não recebido na tentativa de dar continuidade ao movimento. Mas a cada não serviu de motivação para a abertura desses caminhos, completou Patrícia sobre as dificuldades enfrentadas na trajetória. 

"Agora eu, Patrícia Vasconcelos, uma simples mortal no meu luto, luto para que esse movimento e espetáculo das Nações CONTINUE e FRUTIFIQUE, porque Naná viu mais do que a música, Naná viu o outro. O outro que forma as nossas comunidades, o outro que chega do trabalho correndo com sua Alfaia, Abê, Ganzá, etc. para se preparar e mostrar ao mundo a sua dignidade, e sua dignidade vem através da música", conclui ela. 

O secretário-executivo da Prefeitura do Recife, Eduardo Vasconcelos, garante que o encontro de Maracatus na abertura do carnaval não será extinta: "Não vai deixar de ter de jeito nenhum. A gente não abre mão desta tradição iniciada por Naná Vasconcelos, mas ainda não chegamos nas discussões sobre a abertura do carnaval". Ele afirma que as mudanças propostas pela Prefeitura foram elaboradas com base em demandas levantadas pelos próprios grupos e agremiações. "A gente acredita que o protagonismo das nossas agremiações é o protagonismo do carnaval. São 12 segmentos que vivem nessa luta diária, nos 365 dias do ano, produzindo os seus espetáculos. E, com todos esses anseios, a gente pensou em discutir isso", disse ao Viver. 

Confira o texto completo de Patrícia Vasconcelos:

PELA PERMANÊNCIA DOS MARACATUS NA ABERTURA DO CARNAVAL DO RECIFE

Naná Vasconcelos com toda Maestria conduziu por 15 anos a abertura do Carnaval do Recife, com 15 diferentes nações de Maracatus oriundas de diversas comunidades da Região Metropolitana do Recife. Esse movimento foi para ele também um momento de celebração das diferenças e exaltação das similaridades, tendo em vista que ele trabalhou além da música, os valores culturais. Trazendo experiências novas para essas nações, o social, se entregando de Corpo e Alma, e nessa entrega surgiram várias descobertas para ambos os lados.

Um ano após a partida do meu marido amado, no carnaval de 2017 trabalhei junto com os Mestres das referidas nações, com o grupo Voz Nagô e Paz Brandão na concepção de uma linda homenagem à Naná durante a abertura do carnaval, que serviu de cenário para essa celebração cultural, concebida pelo mesmo durante 15 anos consecutivos. Anos de lutas, de sorrisos e de lágrimas. Lágrimas de emoção e de tristeza por cada não recebido na tentativa de dar continuidade ao movimento. Mas a cada não serviu de motivação para a abertura desses caminhos. 

Parabéns, Naná. Você conseguiu! 
Conseguiu deixar uma célula do seu trabalho com muita dignidade e bravura.
Bravo, bravo, bravo, Naná! 

Agora eu, Patrícia Vasconcelos, uma simples mortal no meu luto, luto para que esse movimento e espetáculo das Nações CONTINUE e FRUTIFIQUE, porque Naná viu mais do que a música, Naná viu o outro. O outro que forma as nossas comunidades, o outro que chega do trabalho correndo com sua Alfaia, Abê, Ganzá, etc. para se preparar e mostrar ao mundo a sua dignidade, e sua dignidade vem através da música.
 
Viva aos Maracatus! Viva Voz Nagô! Viva Naná! E NÃO à desconstrução nesse movimento.

Patrícia Vasconcelos

07 de novembro de 2017

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