• Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google Plus Enviar por whatsapp Enviar por e-mail Mais
Cinema Rodrigo Teixeira, produtor por trás do sucesso 'A Bruxa', lança cinco filmes no Festival do Rio Em entrevista, realizador diz que aprendeu ofício na prática: 'não tinha noção técnica alguma'

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 11/10/2017 13:23 Atualizado em: 11/10/2017 12:53

 (Realizador é membro da Academia do Oscar desde 2016. Foto: Divulgação )

Rio de Janeiro - Um dos nomes mais presentes nos créditos de filmes escalados para o Festival do Rio não é de ator, diretor ou profissional de equipe técnica, mas, sim, de uma figura de bastidores. O produtor brasileiro Rodrigo Teixeira, responsável por títulos conhecidos do público, como O cheiro do ralo (2006) Frances Ha (2012) e A bruxa (2015) assina a produção de cinco longas em exibição na mostra este ano: A Ciambra (Itália), O animal cordial (Brasil), Severina (Brasil/Uruguai), Patti cake$ (EUA) e Me chame pelo seu nome (Itália/Brasil/França/EUA).

Quer receber notícias sobre cultura via WhatsApp? Mande uma mensagem com seu nome para (81) 99113-8273 e se cadastre


Na carreira no início dos anos 2000, o produtor diz que ingressou no meio por paixão pelo audiovisual, mas sem qualquer preparo além de inúmeros filmes vistos, sobretudo produções norte-americanas. "Eu não tinha noção do que estava fazendo", relembra Teixeira, convicto de que todos ao seu redor o consideravam "um imbecil, com toda a razão". Confira, a seguir, entrevista com o realizador, hoje considerado um dos brasileiros de maior expressão no mercado internacional, sendo também membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e votante na premiação do Oscar. 

[Entrevista // Rodrigo Teixeira, produtor

O caminho mais comum entre quem se interessa por cinema é partir para a direção ou alguma outra atividade técnica, como edição etc. Como você chegou a produtor? 

Nunca pensei em direção porque nunca soube dirigir. Hoje, mais maduro, talvez pense em dirigir. Mas na época, não sabia nada, não sabia sequer como montar um filme ou que tinha um roteiro. Eu gostava de ver filmes, sabia analisar de uma maneira muito bruta: o que gosto e por que eu gosto. Não tinha noção técnica alguma, eu fui aprender na prática. Eu não sabia como se fazia, não tinha ideia de como se editava um filme, como se juntava uma cena na outra. Eu via um filme como se estivesse lendo um livro. Me apaixonei por cinema sem entender como ele era feito na prática, eu fui aprendendo conforme fui me envolvendo. Hoje, dou risada de mim mesmo.

Como alguém que transita entre os dois lados, quais as grandes diferenças entre o mercado brasileiro e o de Hollywood?

O mercado aqui nunca vai ser igual ao que é lá fora, porque é 100% dependente de recursos públicos. Então, existe uma diferença muito grande quando você é dependente ou independente ou, pelo menos, o mínimo possível. A indústria norte-americana também utiliza (recursos públicos), mas de forma diferente do que a gente utiliza aqui. Lá é como complemento de produção ou chamariz para produzir em algum lugar em específico.

Esse modelo atrelado a recursos públicos, interfere no tipo de narrativa feita aqui?
Acho que não. Existe um cinema brasileiro com viés social e político. Muitos bons cineastas fazem bons filmes, que têm algo a dizer. Buscam esse caminho. Obviamente esse recurso público possibilita que se faça uma obra como essa; você não conseguiria fazer essa obra pensando comercialmente, porque não necessariamente ela vai te dar dinheiro. Então, o recurso público ajuda a criticar ou enaltecer esse país de alguma forma, política e socialmente. E você também tem o recurso público que paga o entretenimento de massa. São dois bichos completamente diferentes. Eu não acho que porque é recurso público ele não gera diversidade. Acho que gera. É algo que depende muito mais da pessoa física do cineasta.

O cinema nacional tem fôlego para conseguir mais espaço internacionalmente?
Acho que o cinema brasileiro tem potencial, não é  questão de fôlego. O dinheiro é o fôlego. Enquanto o dinheiro for distribuído, fôlego existe. O problema é como você faz um filme desse caminhar para a fora, viajar. Vai variar. O estrangeiro, curador de festival, ele quer filmes de cunho político e social. Se ele não for isso, ele tem dificuldade de abraçar um filme de gênero do Brasil. Eu estou louco para ver o filme (As boas maneiras) do Marco Dutra (e Juliana Rojas), porque acho que ele atingiu isso. É um filme político e social, mas é também um filme de gênero (terror). Acho que ele foi bem sucedido. Foi uma exceção, mas isso me faz pensar positivamente sobre o futuro do nosso cinema, mais pessoal. 

O que faz um bom produtor de cinema?

Como produtor, eu sou cinéfilo, antes de mais nada. Eu vejo tudo. Eu leio muito, além de literatura. Eu livro sobre cinema, sobre bastidores, entrevistas com diretores etc. Eu aprendi cinema, fora da prática, com teoria, lendo e conhecendo. Acho que um bom produtor tem que ser curioso, tem que estudar, tem que ser cinéfilo, ter referência. E pelas minhas referências, fui me colocando cada vez mais alto dentro das minhas produções. O fato de ser cinéfilo me levou a um lugar diferente e passei a ser respeitado muito pela minha cinefilia. 

Enxerga algo em comum entre os filmes que produz?
Tem um elo comum: é que eu gostaria de vê-los no cinema. O que você está vendo eu produzir é meu gosto pessoal. Quem quiser quiser saber meu gosto, veja meus filmes. Obviamente, tem outros tipos de filmes que eu adoraria fazer. Eu gosto de filmes de super-heróis. Adoraria ter feito um Capitão América: Guerra civil, eu amei esse filme. Eu gosto dos filmes do Steven Spielberg, todos. Adoraria fazer os filmes do Kleber Mendonça, adoro fazer os filmes do Karin Aïnouz (Madame Satã). 

*O repórter viajou a convite da organização do Festival do Rio

Acompanhe o Viver no Facebook:

 



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.