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Censura Artistas se unem contra a censura de manifestações culturais Nomes como Caetano Veloso, Fernanda Montenegro e Marisa Monte formam grupo para divulgar vídeos em defesa da liberdade artística

Por: Correio Braziliense - Correio Braziliense

Publicado em: 10/10/2017 18:31 Atualizado em: 10/10/2017 18:38

342Artes! Contra a Censura e Contra a Difamação é capitaneado pela produtora Paula Lavigne. Foto: Christophe Simon, Estevam Avellar e Facebook/Reprodução
342Artes! Contra a Censura e Contra a Difamação é capitaneado pela produtora Paula Lavigne. Foto: Christophe Simon, Estevam Avellar e Facebook/Reprodução


Em agosto deste ano, a exposição Queermuseu - cartografias da diferença na arte brasileira, que estava em cartaz no Santander Cultural de Porto Alegre, foi cancelada. A mostra foi acusada, pelo conteúdo de algumas obras, de zoofilia, pedofilia e blasfêmia, sobretudo por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL). De lá para cá, o debate não parou. Detratores da exposição seguiram com críticas duras, mas foram rebatidos por grupos que defendem que não pode haver censura e criminalização da arte.

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Agora, um movimento de artistas, capitaneado pela produtora Paula Lavigne, se une para declarar guerra à proibição de manifestações culturais. Chamado de 342Artes! Contra a censura e contra a difamação, o grupo traz nomes como Caetano Veloso, Fernanda Montenegro e Marisa Monte e começou a divulgar vídeos em que defende a liberdade artística.

O assunto estourou outra vez quando a Queermuseu foi proibida também de ser exposta no Rio de Janeiro. A mostra seria aberta no Museu de Arte do Rio (MAR). “A população do Rio de Janeiro não tem o menor interesse em exposições que promovam zoofilia e pedofilia”, declarou o prefeito Marcelo Crivella. Além disso, em tom de provocação, acrescentou: “Saiu no jornal que vai ser no MAR. Só se for no fundo do mar”.

As declarações de Crivella foram o estopim para que o 342 se juntasse novamente. O movimento havia se manifestado antes com duas motivações: pressionar deputados para que aceitassem a denúncia contra Temer (342Agora) e para barrar a extinção da Reserva Nacional de Cobre e Associados (342Amazônia).

Em resposta, o cantor e compositor Caetano Veloso defendeu com veemência a exposição e criticou o conservadorismo. “O prefeito fala que a exposição é zoofilia e pedofilia, baseado na invenção de uns malucos do MBL, que são pessoas suspeitas na sociedade brasileira. Conservadores da desigualdade, da opressão, do horror, inventaram uma história com uma exposição de arte para fazer propaganda do que eles querem fazer propaganda.”

O movimento defende que há em curso um processo de criminalização e de difamação da arte no país. Em nota, o 342 ataca a atuação do MBL no processo e  se posiciona a favor das manifestações artísticas. “Mais uma vez nos unimos por uma causa comum. Dessa vez é a arte que está sendo atacada, censurada e difamada! O MBL quer desviar a opinião pública, criando uma verdadeira ‘cortina de fumaça’’com as acusações contra museus e evitar que os reais problemas do Brasil - que tem um presidente com 3% de aprovação - sejam debatidos! Não vamos deixar barato”, diz o manifesto.

No Congresso

Outro acontecimento que motivou a criação do 342Artes! foi a convocação do curador da Queermuseu, Gaudêncio Fidélis, para depor na CPI dos maus-tratos a crianças e adolescentes na semana passada. O presidente da CPI, senador Magno Malta (PR), classificou a exposição como “atentado ao direito das crianças e dos adolescentes”.

Gaudêncio não compareceu. No vídeo divulgado pelo 342, ele comenta a convocação. “Existe uma CPI que foi criada no Congresso para investigar os maus-tratos a crianças e adolescentes. Isso é subvertido repentinamente quando o presidente da CPI começa a convocar artistas e profissionais. Ele, Magno Malta, não tem o acesso à grande mídia que eu tenho neste momento. E é isso que ele quer fazer quando me leva para lá”, afirmou.

Para Gaudêncio, a cultura e a arte brasileira correm riscos neste momento. “Fica bem claro a partir de agora que isso é um processo forte de criminalização da arte, dos artistas e que nós teremos que enfrentar com bastante veemência”, sustenta.

Em outro vídeo, a atriz Fernanda Montenegro pediu apoio a políticos pela liberdade. “Tudo é cultura, inclusive a cultura de repressão. Mas só há um tipo de cultura que realmente constrói um país, é a cultura da liberdade. A cultura liberta cria a alma de uma nação. Nessa nossa luta de sobrevivência cultural, peço então, aos poucos e honestos políticos que ainda existem que se posicionem”, cobrou.

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