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Televisão Conversa com Bial acerta o tom em entrevistas conduzidas com equilíbrio Programa substituto de Jô Soares passa a marca das cem edições

Por: Tiago Barbosa

Publicado em: 20/09/2017 21:33 Atualizado em:

Apresentador equilibrou conteúdo das perguntas ao comandante do Exército. Foto: Globo/Reprodução
Apresentador equilibrou conteúdo das perguntas ao comandante do Exército. Foto: Globo/Reprodução


O epísódio de estreia do Conversa com Bial (Globo) se mostrou decepcionante: a uma presidente do STF recém-designada ao cargo, Pedro Bial evitou dirigir perguntas incômodas, adotou tom festivo e perdeu a chance expor o poder menos transparente da república - justamente a instância considerada corporativista e decisiva em momentos cruciais do país em anos recentes.

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Desde então, o jornalista dosou a simpatia e enfileirou boas performances à frente do talk show noturno substituto do colega de casa Jô Soares. O resultado têm sido edições marcadas pela variedade de abordagens e de entrevistados, sempre sob um guarda-chuva temático capaz de congregar personalidades cuja manifestação favorece a compreensão plural dos assuntos debatidos.

As entrevistas se tornaram mais equilibradas entre aspectos humanos e questões sociais - além de despertar interesse no dia seguinte à transmissão. O programa com o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, exemplifica a condução bem feita por Bial. O entrevistador tocou em temas sensíveis às Forças Armadas - como o tratamento dispensado a gays e trans - e exortou o militar a se posicionar frente à declaração de um subordinado sobre intervenção na democracia brasileira.

Sem se descuidar da vida privada, deixou o entrevistado à vontade para falar da doença degenerativa crônica com a qual convive e cujos efeitos interferem na capacidade motora. As declarações permitiram perceber como pensa o comandante, dado valioso diante da instabilidade democrática do país.

Em outra entrevista, Bial demoliu barreira televisiva geracional e de gênero ao colocar Alcione e As Bahias e a Cozinha Mineira (com duas vocalistas trans) para cantar juntas. No papo com Caetano Veloso, os medos do músico e o lado família vieram à tona - e o artista se sentiu abertura para rememorar as agruras dos anos de chumbo no Brasil.

A erudição patente de Bial - explorada sem concessão a qualquer traço de prepotência - e a afetividade imposta às conversas têm enriquecido as entrevistas e amainado a saudade do Programa do Jô - embora o antecessor tivesse o mérito de convidar, com frequência, pessoas anônimas. Resta saber se haverá variedade suficiente para tantas outras (boas) edições - até agora, já foram mais de 100.

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