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Literatura Obra religiosa de Frei Caneca é resgatada em livro Escrito e organizado por Frei Tito, lançamento traz também biografia do religioso, conhecido pela participação na Revolução de 1817

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 12/09/2017 13:40 Atualizado em: 12/09/2017 13:41

O carmelita foi executado no dia 13 de janeiro de 1825. Foto: Coleção Murillo La Greca/Divulgação
O carmelita foi executado no dia 13 de janeiro de 1825. Foto: Coleção Murillo La Greca/Divulgação

Mais lembrado como líder político do que propriamente como religioso, Joaquim do Amor Divino Rabello, o Frei Caneca, tem parte de sua produção eclesiástica resgatada no livro Vida e escritos (Cepe, 154 páginas, R$ 25), cujo lançamento será hoje, a partir das 19h, na Arquidiocese de Olinda e Recife. Assinada por Frei Tito, a obra reúne dois sermões e um tratado, além de conteúdo biográfico do revolucionário pernambucano.

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Os escritos do carmelita foram atualizados para o português contemporâneo e trazem, ainda, textos introdutórios assinados por Tito, com comentários e informações de contextualização. O volume é mais um dos lançamentos alusivos ao bicentenário da Revolução Republicana de 1817 em Pernambuco, da qual Frei Caneca participou ativamente. O autor trata como indissociáveis as vertentes sociopolíticas e religiosas na formação de Caneca.

"O período de estudos no Seminário de Olinda põe-no em contato com o que existia de melhor na literatura liberal dos teóricos europeus e norte-americanos", assinala. Nascido em 1779, no bairro de Fora de Portas (atual Comunidade do Pilar), periferia do Recife, Joaquim Rabello herdou o apelido do pai, Domingos Rabelo, conhecido como Caneca por conta do estabelecimento de venda e reparo de utensílios domésticos fabricados em lata e latão. Ingressou em 1976 no Convento do Carmo, sendo ordenado padre em curto espaço de tempo, em 1801, aos 22 anos.

Adepto de um modelo de religião mais calcado na ética e civilidade, pautada também pela filosofia e ideais revolucionários, Caneca teve influência do iluminismo europeu, a partir de autores como Rousseau e Montesquieu. O engajamento de Frei Caneca, sobretudo em 1817, não era caso isolado. Estima-se que mais de 40 religiosos participaram do movimento, apelidado de Revolução dos Padres. Para Tito, o teor politizado de alguns dos escritos de Caneca é algo circunstancial.

"Não se tratam de textos amadurecidos em clima de reflexão e tranquilidade próprias do ambiente acadêmico", afirma. "São escritos polêmicos, tratando os temas no calor do debate público, ao sabor imediato dos acontecimentos que se precipitavam", acrescenta.

Cheias de referências e citações de autores diversos, inclusive em outros idiomas, como latim e francês, algumas passagens dos textos de Caneca demandam certo esforço de leitura. Na avaliação de Tito, no entanto, o empenho é recompensado com a força argumentativa e grande erudição do carmelita, a quem considera um dos maiores escritores brasileiros das primeiras décadas do século 19.

[Trecho

"Não conheceria o Esplendor da Luz Eterna a obscuridade do nosso entendimento, a fraqueza da nossa vontade e a sua propensão para o mal, muito principalmente depois que o pecado do primeiro pai pecador mais imperfeita tornou aquela essência, que saíra das mãos do Criador apta para viver em perfeição e santidade? Longe, senhores, longe do nosso entendimento estas ímpias cogitações. Jesus Cristo, pela sua infinita sabedoria, conhecia exatamente o quanto nós podíamos por nós mesmos, para que não precisássemos dos auxílios celestes (...) Por isso nos lembrou a oração, como meio indispensável para a salvação: “Vigiai e orai, para não entrardes em tentação"
Do Sermão sobre a oração

Serviço
Lançamento do livro Frei Caneca: Vida e escritos, de Frei Tito
Quando: hoje, às 19h Onde: Arquidiocese de Olinda e Recife (Avenida Rui Barbosa, 409, Graças)
Quanto: gratuito (livro: R$ 25)


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