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Artes visuais Fragilidade da essência humana inspira exposição da artista Maria do Carmo Nino Mostra começa nesta terça-feira na Arte Plural Galeria e traz experimentações com pinturas, monotipias e fotografias

Por: Isabelle Barros

Publicado em: 22/08/2017 11:45 Atualizado em: 23/08/2017 15:56

A ideia de casulo está presente na mostra por meio de fotografias manipuladas digitalmente. Crédito: Maria do Carmo Nino/Reprodução
A ideia de casulo está presente na mostra por meio de fotografias manipuladas digitalmente. Crédito: Maria do Carmo Nino/Reprodução

Há seres humanos, muitos deles, que passam a vida inteira tentando mascarar sua vulnerabilidade recorrendo aos mais variados recursos. Aceitar a fragilidade da condição humana e caminhar em paz com ela é uma matéria da qual nem todos se ocupam. A partir dessa reflexão, a artista visual, curadora e professora da UFPE Maria do Carmo Nino balizou sua nova mostra Da nossa essência de vidro, cuja abertura acontece às 19h desta terça, para convidados, na Arte Plural Galeria. O título remete a uma frase escrita pelo dramaturgo inglês William Shakespeare na peça Medida por medida.

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A maioria das obras foi desenvolvida a partir de 2016 e realizada a partir de várias técnicas e suportes: pintura sobre papel japonês, pintura sobre vidro, esmalte de unha sobre papel, monotipias, fotos manipuladas digitalmente. Todas elas convergem para uma espécie de equilíbrio dinâmico reforçado pela delicadeza dos materiais e das situações apresentadas. Peles, membranas e casulos são algumas das referências presentes nas séries exibidas por ela na Arte Plural. “Jean-Claude Carrière, em seu livro Fragilidades, diz que você toca o outro à medida que você se mostra vulnerável. Criamos subterfúgios para escondê-la porque ela nos remete à morte. O artista resiste a isso por meio de sua obra”.

Em seu trabalho com cor e esmaltes, Maria do Carmo recorre à técnica da marmorização, na qual é usada uma tinta bastante viscosa e ela é passada para o papel. A experiência é um acaso controlado no qual as formas podem variar. “Você dialoga com o que o material traz, mas o artista pode ser surpreendido durante o processo e isso é uma aventura”, pontua Maria do Carmo. O vidro também foi eleito como suporte direto para mais experiências com esmalte em pequenos slides e em adesivos que remetem diretamente a fotografias realizadas pela própria artista de uma performance.

O diálogo entre fotografia e pintura também é uma marca do trabalho criativo da artista, cuja última exposição individual aconteceu em 2011. Remetendo ao antigo mito de Dibutades, que explicaria a origem da pintura por meio do contorno da sombra de um homem pela mulher que o amava, a imagem fotográfica é considerada por Maria do Carmo como a indicação de uma ausência. O interesse dela em trabalhar o corpo em movimento na fotografia deu origem a várias obras que parecem estar no limite entre a imagem “real” e uma suspensão no tempo e no espaço. A artista fez uma série de fotos nas quais duas mulheres entraram em uma malha confeccionada especialmente para esse fim e “Trabalhei esses arquivos isolando os corpos do conjunto e, em alguns, casos, os corpos foram invertidos para dar a ideia de casulo”, detalha a artista.

SERVIÇO
Da nossa essência de vidro, de Maria do Carmo Nino
Abertura: Nesta terça, às 19h, para convidados
Onde: Arte Plural Galeria - Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife
Visitação: Terça a sexta, das 13h às 19h; sábados, das 16h às 20h
Entrada gratuita
Informações: 3424-4431



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