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Música Álbum histórico de Frank Sinatra e Tom Jobim ganha edição comemorativa de 50 anos Lançado em 1967, o disco reúne sete canções do pai da bossa nova e três faixas do ícone norte-americano

Por: Mariana Peixoto - Estado de Minas

Publicado em: 10/08/2017 14:01 Atualizado em: 10/08/2017 13:09

Primeiro encontro em estúdio entre os dois ícones da música ocorreu em 1967. Foto: Warner Music/Reprodução
Primeiro encontro em estúdio entre os dois ícones da música ocorreu em 1967. Foto: Warner Music/Reprodução

“Eu não cantava tão suavemente desde que tive laringite”. Naquele 30 de janeiro de 1967 ele se saiu com esta. Pela primeira vez na carreira, The Voice teve que colocar o pé no freio. E também pela primeira (e única) vez em 52 anos de vida, Frank Sinatra assinava seu nome de batismo em um registro fonográfico. Francis Albert Sinatra se encontrava, em estúdio, com o brasileiro Antonio Carlos Jobim. O encontro do maior cantor norte-americano com o pai da bossa nova - o título do álbum reúne os nomes completos dos dois autores - ganhou agora nova edição, comemorativa de 50 anos. 

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Álbum curto (não chega a 30 minutos) com dez canções, reúne sete do próprio Jobim (The girl from Ipanema, Dindi, Meditation, How insensitive, entre outras) e três standards norte-americanos (Change partners, I concentrate on you e Baubles, bangles and beads). A reedição traz duas faixas bônus: o medley Quiet night of quiet stars/Change partners/I concentrate on you/The girl from Ipanema tirado do programa de TV A man and his music + Ella Jobim (também de 1967) e uma gravação inédita de The girl from Ipanema, feita durante o registro de Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim.

A sonoridade é bossa nova com roupagem mais sofisticada, já que os arranjos ficaram sob a responsabilidade do alemão Claus Ogerman. O disco foi um sucesso de público e crítica, permanecendo 28 semanas nas paradas da Billboard. Indicado ao Grammy, perdeu, com justiça, o gramofone de ouro de álbum do ano para Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Sinatra estava meio atrasado na bossa. Havia cinco anos, desde o histórico concerto no Carnegie Hall, que a batida brasileira havia virado febre nos Estados Unidos. Ainda que um pouco tardio, o álbum pode ser considerado fundamental.

A principal razão é por trazer Sinatra em um momento especial. Sua interpretação é bastante sutil, de uma técnica vocal que até então parecia inédita em sua longa trajetória. Em completa sintonia com Jobim e seu violão suave, destaca-se ainda o baterista Dom Um Romão. “Um brasileiro que parecia, ao mesmo tempo, estar alerta e drogado”, escreveu Stan Cornyn no encarte do álbum. Executivo da Warner, ele trabalhou diversas vezes em álbuns de Sinatra.

Sinatra e Jobim (“Tone”, como The Voice chamava o maestro) gravaram outro trabalho juntos. Em 1969, reuniram-se para um novo álbum. O resultado, irregular, saiu na compilação Sinatra and company, que veio a público somente em 1971. Outras três faixas deste mesmo encontro em estúdio permaneceram inéditas até 2010, quando foi lançado o álbum duplo Sinatra/Jobim: The complete Reprise recordings, que reuniu as gravações feitas em 1967 e em 1969. Desta maneira, é o trabalho de 50 anos atrás que deve permanecer do encontro dos dois gigantes da música. Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim é um álbum deveras silencioso, para ser degustado aos poucos. Sem pressa, e por muitas e muitas vezes.

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