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Cinema Pernambucano Jesuíta Barbosa estreia como protagonista no filme Malasartes e o Duelo com a Morte Longa, que entra em cartaz na quinta-feira (10), teve première no Cine Ceará, em Fortaleza

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 10/08/2017 08:49 Atualizado em: 10/08/2017 21:34

Jesuíta Barbosa e Isis Valverde fazem parte no longa. Foto: André Brandão/Divulgação
Jesuíta Barbosa e Isis Valverde fazem parte no longa. Foto: André Brandão/Divulgação

Fortaleza (CE) – Presença rara no audiovisual brasileiro, a cultura popular serve de fonte de inspiração para Malasartes e o duelo com a Morte, comédia nacional que chega aos cinemas nesta quinta-feira. Dirigido por Paulo Morelli e estrelado pelo pernambucano Jesuíta Barbosa, o longa resgata a tradicional figura da literatura ibero-americana, caracterizada pela esperteza e sagacidade, atributos nem sempre utilizados de forma escrupulosa. O filme teve estreia nacional no 27º Cine Ceará, festival de cinema realizado em Fortaleza até a sexta-feira (11).


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No cinema, a incursão mais conhecida se deu por Mazzaropi, em As aventuras de Pedro Malazartes (1960). O espaço temporal entre as duas obras teria sido menor se não fossem os percalços na tentativa de Paulo Morelli resgatar Malasartes para as telas. Com o roteiro idealizado nos anos 1980, o cineasta tentou, sem sucesso, emplacar uma série de TV. Na década seguinte, adaptou o texto para o cinema, que também não decolou, por dificuldades na captação de verbas.  


Retirado da gaveta e retrabalhado, o roteiro só foi filmado em 2015 e, nesses dois anos que separam a gravação e o lançamento, o longa passou por complexo processo de pós-produção, já que metade do filme tem efeitos especiais. O orçamento inicial de R$ 10 milhões não foi suficiente para cobrir todos os valores envolvidos no processo digital. Os custos excedentes acabaram sendo bancados pela própria produtora, a O2 Filmes, fundada por Morelli, Fernando Meirelles e Andréa Barata.

O diretor diz que Malasartes "virou um filme tantos efeitos especiais circunstancialmente", à medida que o projeto foi tomando forma. "Poderia ser realizado de uma maneira mais simples", reconhece, destacando que "o importante, é a história". Morelli, no entanto, pretende fazer do título uma espécie de cartão de visita da produtora para o mercado internacional e mostrar a expertise brasileira na área de efeitos especiais.


Força da narrativa reside no elenco
Dividida em dois núcleos, a trama traz o personagem-título vivido por Jesuíta Barbosa transitando entre o ambiente rural e os domínios da Morte (Júlio Andrade). É nesse segundo espaço onde estão aplicados os esforços digitais, na composição de um cenário soturno e fantástico.
Competentes, os efeitos criam bom contraste à ensolarada e vívida paisagem interiorana. Mas o uso excessivo, por vezes, parece apenas reforçar a existência desse recurso e mostrar certa opulência visual, embora tal problema não chegue a comprometer a narrativa.

Simples, a trama coloca Malasartes em jornada para quitar uma dívida com o violento fazendeiro Próspero (Milhem Cortaz), irmão de sua amada Áurea (Ísis Valverde). Após uma das várias desavenças entre os dois homens, o trambiqueiro interpretado por Jesuíta Barbosa acaba esbarrando com a Morte (Julio Andrade), o que gera o duelo citado no título do longa.

Grande parte da força do filme reside no elenco. Carismático, Jesuíta entrega um caipira de moral duvidosa mas, ao mesmo tempo, afetuoso e romântico. Visível também é a doçura de Ísis Valverde, que constrói uma personagem interessante, mas pouco explorada além do papel de dama em perigo. Completa o trio o divertido Zé Candinho (Augusto Madeira), responsável por algumas das sequências mais divertidas do filme. Leandro Hassum e Vera Holtz são outros dos nomes envolvidos na produção.

Com humor ingênuo, boas atuações e produção caprichada, Malasartes e o duelo com a Morte é uma agradável leitura do folclórico personagem e uma válida proposta de mesclar cultura popular ao cinema.

*O repórter viajou a convite da organização do festival

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