• Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google Plus Enviar por whatsapp Enviar por e-mail Mais
Cinema Planeta dos Macacos: a Guerra é o capítulo mais dramático da série Novo filme da franquia mostra evolução nos efeitos gráficos e amadurecimento no roteiro

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 03/08/2017 15:20 Atualizado em: 03/08/2017 15:34

Antagonismo entre humanos e símios é intensificado no mais novo longa da franquia. Foto: 20th Century Fox/Divulgação
Antagonismo entre humanos e símios é intensificado no mais novo longa da franquia. Foto: 20th Century Fox/Divulgação

A humanidade vem falhando miseravelmente no trato para com seus pares. Da opressão ao genocídio, todo tipo de atrocidade tem sido perpetrado contra a própria espécie ao longo da história, fazendo da violência uma constante. Essa incapacidade de convívio pacífico entre os seres é um dos grandes temas de Planeta dos macacos: A guerra, em cartaz a partir de hoje nos cinemas. O título é escrito e dirigido por Matt Reeves.

Confira aqui a entrevista exclusiva com o protagonista do filme, Andy Serkis

Terceira parte da atual série, iniciada em 2011 com Planeta dos macacos: A origem, A guerra leva ao ápice o conflito entre homens e os outros primatas. No primeiro filme dessa nova leva, um vírus experimental contra Alzheimer é testado em símios e termina com resultados catastróficos. A vacina provoca uma mutação que eleva a capacidade cognitiva dos animais, utilizados como cobaias em laboratório, desencadeando rebelião seguida de fuga. A tensão deixa de ser algo pontual quando o vírus responsável pela melhoria no intelecto dos macacos se revela mortal para a maioria dos humanos e dizima boa parte da população.

Em paralelo, a propagação do agente beneficia os símios, que se organizam em comunidade liderada por César (Andy Serkis), um dos primeiros da espécie a ser exposto e um dos mais evoluídos intelectualmente. A guerra coloca um líder militar, chamado apenas Coronel (Woody Harrelson), disposto a exterminar César e todos os outros macacos para dar fim à praga que quase eliminou a vida humana.

Este, como os outros títulos da franquia, estabelecida pela primeira vez nos cinemas no fim dos anos 1960, pode ser apreciado sob a ótica do cinema do cinema comercial. É um entretenimento competente, com visual exuberante, cenas de ação intensas e conflitos instigantes. Ao mesmo tempo que é possível encarar a trama como um embate de forças entre homem e natureza, não faltam camadas de complexidade à trama.

Originária do romance O planeta dos macacos (Aleph, 216 páginas, R$ 39,90), publicado por Pierre Boulle em 1963, a saga cinematográfica teve início em 1968 e virou um dos maiores sucessos de bilheteria da ficção científica. Rapidamente saturada com as quatro continuações lançadas anualmente entre 1970 e 1971, a franquia ainda ganhou, na mesma década, série televisiva e desenho animado. Depois de um fraco reboot nos cinemas em 2001, dirigido por Tim Burton, a marca teve inesperada sobrevida com a nova trilogia, iniciada em 2011, sob direção de Rupert Wyatt.

Com menos ação que o antecessor, A batalha do planeta dos macacos (2014), A guerra encerra a trilogia com mais drama e conflitos psicológicos, em detrimento dos confrontos físicos. O mais incisivo de toda a série, o novo capítulo assinado por Reeves aprofunda os questionamentos sobre a postura da humanidade em relação ao próximo na luta pelo poder. O terceiro capítulo aprofunda a conexão com os longas originais e traz diversas referências aos títulos anteriores, como cenários, citações a personagens e uso de elementos da trilha sonora clássica.

Diferentemente dos filmes originais, em que os macacos eram vistos como os opressores, agora é reservado aos símios os aspectos mais nobres do que se tem como características humanas, entre elas, empatia e compaixão. A selvageria e brutalidade, habitualmente atribuídas aos animais irracionais, acabam sendo mais associadas ao comportamento do núcleo humano. Como são as boas fábulas ou alegorias, não faltam em Planeta dos macacos possibilidades de interpretação sobre como lidamos com o outro e com nós mesmos.

É inevitável o paralelo com a questão do direito dos animais, tópico cada vez mais em voga com o crescente debate sobre o uso de cobaias em laboratórios, questionamentos sobre a indústria da carne e críticas sobre a continuidade de zoológicos e ou atrações como o Sea World etc. Se, no filme, a evolução nos macacos acaba por intensificar as semelhanças símios e humanos, o inevitável confronto entre as duas partes traz o doloroso lembrete de que a guerra tem pouco a ver com diferenças, mas, sim, com uma inerente afinidade: a violência.


Acompanhe o Viver no Facebook:




Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.