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Literatura Fernando de Noronha vira cenário para romance policial Jornalista Carlos Marcelo cria narrativa de crime misterioso ambientado na ilha

Por: Nahima Maciel - Correio Braziliense

Publicado em: 19/06/2017 20:00 Atualizado em: 19/06/2017 13:35

Livro é o primeiro romance do jornalista Carlos Marcelo. Foto: Daniel Oliveira/Divulgação
Livro é o primeiro romance do jornalista Carlos Marcelo. Foto: Daniel Oliveira/Divulgação

Em Fernando de Noronha, existe o mar de dentro e o mar de fora. É uma expressão local usada para se referir aos lados da ilha: aquele virado para a costa pernambucana e aquele que se abre para o Atlântico. De certa forma, a expressão também define os dois protagonistas do livro Presos no paraíso. Tobias, o mar de dentro, é um sujeito meio sombrio, introspectivo, com personalidade mais existencialista. Nelsão, mais solar e extrovertido, é o mar de fora. Essa percepção é fundamental para transitar pelo romance, o primeiro do jornalista Carlos Marcelo, autor de Renato Russo: O filho da revolução, Nicolas Behr: Eu engoli Brasília e O fole roncou! Uma história do forró (parceria com Rosualdo Rodrigues).

Como todo romance policial que se preze, Presos no paraíso tem a tríade crime, mistério e solução, mas não se encerra nesta equação. Há um drama que pontua os personagens e cuja relevância é tão importante quanto a trama. Tobias é um historiador cujas finanças passam por certa dificuldade. Graças à irmã, executiva do mundo corporativo, ele recebe o trabalho de realizar um roteiro turístico nada convencional em Fernando de Noronha, algo capaz de fugir do clichê "praias paradisíacas" evocado pela ilha. À medida que esbarra nos personagens - um ator projeto de celebridade, uma dona de pousada lúcida e simples, um militar arrogante, um médico e um intelectual -, Tobias se embrenha no cotidiano da ilha. Quando o crime acontece, ele já faz parte do cenário.

A lista de referências de Carlos Marcelo vai dos clássicos Dashiel Hammet e Raymond Chandler a autores mais contemporâneos, como Dennis Lehane, Leonardo Padura Fuentes e o brasileiro Luiz Alfredo Garcia Roza. Ele bebeu em todos eles mas não se limitou ao gênero. Em entrevista, o autor fala sobre o livro, sobre Noronha e sobre uma possível missão para o romance policial.

SERVIÇO
Presos no paraíso, de Carlos Marcelo
Editora: TusQuets
Páginas: 284 páginas
Preço: R$ 39,90

Três perguntas para Carlos Marcelo, escritor

O livro tem uma trama policial, mas também um certo drama que faz dos personagens criaturas mais sólidas. Foi uma intenção?
O que me interessa nessa história está numa frase que o Cristóvão Tezza falou recentemente, que a literatura é drama e trama. No caso dele, está mais interessado no drama que na trama. No meu, estou interessado nos dois: em ter uma trama sólida, mas que seja protagonizada por pessoas que carregam dramas.

Na ficção contemporânea, é muito clara a intersecção entre a experiência vivida e a literária. Mas no romance policial isso não é tão comum. O vivido é importante para você?
Acho que sim, mas não necessariamente a minha experiência. O livro é uma somatória de experiência, vivência e observação. E a pesquisa entra em segundo plano, ao contrário do jornalismo. A pesquisa entra muito mais a serviço da narrativa. Mas essa tríade é fundamental para mim: invenção, experiência e observação. São os três fatores que ajudaram a construir essa história.

Em que sentido Presos no paraíso é um livro de seu tempo?
As questões políticas e sociais do Brasil estão impregnadas nos personagens. Por exemplo, a falta de perspectiva do Tobias, as dificuldades burocráticas que o Nelsão tem para comandar a delegacia, essa dualidade entre as aparências e o que é de verdade, esse abandono do patrimônio histórico. Mas acho que a literatura policial, se é que tem uma missão contemporânea, é a de devolver a relevância do ato extremo que é um crime. O crime está banalizado no nosso dia a dia. Não há nada mais extremo que morte de crianças, uma das armas do terrorismo atual, e a literatura policial tem esse poder de mostrar a dimensão do impacto que é uma morte.
 
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