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Música 'Marília Mendonça não faz sertanejo', diz Maciel Melo em defesa do forró Cantor denunciou ainda retaliações sofridas pelos forrozeiros após protestos

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/06/2017 15:41 Atualizado em: 14/06/2017 21:17

Maciel Melo sai em defesa de Elba Ramalho. Foto: Facebook/Reprodução
Maciel Melo sai em defesa de Elba Ramalho. Foto: Facebook/Reprodução


O músico Maciel Melo divulgou, na tarde desta quarta-feira (14), uma carta aberta em apoio aos cantores Elba Ramalho e Alcymar Monteiro e à campanha "Devolvam o nosso São João", protagonizadas por forrozeiros de todo o Nordeste que pedem uma maior valorização do gênero nas programações dos festejos juninos promovidos pelo poder público. Em sua fala, publicada em seu perfil no Facebook, o músico critica a declaração de Marília Mendonça de que "vai ter sertanejo, sim", em resposta ao desabafo de Elba, feita durante apresentação da goianense em Pernambuco no último final de semana: "Música sertaneja pra mim é outra coisa, não isso que a Marília Mendonça faz".

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Maciel Melo denuncia ainda uma retaliação sofrida pelos músico que aderiram a campanha e saíram em defesa do forró tradicional e da sanfona e questionou a burocracia enfrentada pelos músicos para a realização de shows através do governo do estado. "A meu ver, esta deveria ser mais valorizada pelos órgãos públicos. Por exemplo, ao invés de facilitar a contratação dos artistas, burocratizam cada vez mais o processo. Ora, a obrigação de fiscalizar se o evento está ou não sendo executado é do contratante, não do contratado. Mas somos obrigados a cantar e filmarmos o show senão não receberemos nossos caches. Precisamos assoviar e chupar cana ao mesmo tempo", declara.

"Assino embaixo de tudo que Elba Ramalho falou e faço minhas as palavras de Petrúcio Amorim, Alcymar Monteiro e quem mais estiver defendendo essa bandeira. Fui um dos primeiros a contestar isso, quando comecei a despontar, e daí passei a levar fama de arengueiro, briguento e sei lá mais o quê. Como estava no começo de tudo e sendo retaliado em alguns eventos, resolvi não me calar, mas ficar um pouco mais comedido. O único que levou esses questionamentos adiante foi o Alcymar, que passou a ser rotulado com esses mesmos adjetivos", denuncia o músico.

Nesta terça-feira (13), Alcymar Monteiro divulgou um áudio em que aparece irritado com a fala da cantora sertaneja, a qual considerou como uma provocação direta aos "artistas que lutam para garantir o espaço do forró". "Por favor, ponha a sua mão na consciência, você vem lá de Goiás invadir nossa praia. Agora vê se a gente canta lá no teu Goiás. Vocês não deixam. É horrível, não gosto, é de mau gosto, não tem nada a ver, querem acabar com nossas tradições. Vão se danar e deixem a gente em paz", dispara Alcymar, em trecho da gravação, na qual chama a música praticada por Marília de "breganejo horroroso".

Leia o texto de Maciel Melo na íntegra:


"O buraco é mais embaixo.

Estamos às vésperas da mais ilustre e importante festa, que representa %u2013 ou deveria representar %u2013 as nossas tradições. No entanto, não escuto uma música sequer que alavanque o mais imperioso gênero musical nordestino, o FORRÓ. Pois bem, diante dessa celeuma toda me ponho aqui, como um dos representantes legítimos desse legado de Luiz Gonzaga, para dar o meu parecer a respeito da preservação da nossa identidade cultural.

A meu ver, esta deveria ser mais valorizada pelos órgãos públicos. Por exemplo, ao invés de facilitar a contratação dos artistas, burocratizam cada vez mais o processo. Ora, a obrigação de fiscalizar se o evento está ou não sendo executado é do contratante, não do contratado. Mas somos obrigados a cantar e filmarmos o show senão não receberemos nossos caches. Precisamos assoviar e chupar cana ao mesmo tempo.

Esta é apenas uma das coisas que acho equivocadas no meio de tantas outras. Assino embaixo de tudo que Elba Ramalho falou e faço minhas as palavras de Petrúcio Amorim, Alcymar Monteiro e quem mais estiver defendendo essa bandeira. Fui um dos primeiros a contestar isso, quando comecei a despontar, e daí passei a levar fama de arengueiro, briguento e sei lá mais o quê. Como estava no começo de tudo e sendo retaliado em alguns eventos, resolvi não me calar, mas ficar um pouco mais comedido. O único que levou esses questionamentos adiante foi o Alcymar, que passou a ser rotulado com esses mesmos adjetivos.

As retaliações são um fato, mas nem por isso vou aqui culpar nossos artistas correligionários. A culpa também é do sistema atual, da situação em que se encontra o país que a cada ano vai tirando o patriotismo de nossos cidadãos. Quanto mais alienado for o povo, mais políticos corruptos serão eleitos. Essa juventude que abre as malas de seus carros com seus equipamentos de sons super potentes, espalhando músicas de péssima qualidade, vai gerar em breve um vereador, um prefeito, um deputado, um governador. Consequentemente, irá trazer para os seus redutos as atrações que que representem seu gosto musical e não a verdade de seu povo. O problema está na educação, na falta de orgulho por parte de nossa gente.

Não vou desistir, a cada dia que passa vou aprimorando mais o que aprendi com o rei do baião LUIZ GONZAGA. A cada dia que passa vou ficando mais criterioso com a minha música e com a música brasileira. DEVOLVAM O NOSSO SÃO JOÃO, por favor, não apaguem a fogueira que ainda teima em permanecer acesa no interior de alguns sertanejos. Música sertaneja pra mim é outra coisa, não isso que a Marília Mendonça faz. Viva ELBA RAMALHO, VIVA JACKSON DO PANDEIRO, DOMINGUINHOS, VIVA A MÚSICA BRASILEIRA.

O buraco é mais embaixo, viu DONA MARÍLIA?"

ENTENDA O CASO
Durante a abertura oficial do ciclo junino da cidade de Caruaru, no dia 3 de junho, a cantora Elba Ramalho, um dos ícones do São João nordestino, criticou a programação de Campina Grande, na Paraíba, e reclamou do espaço tomado por artistas da música sertaneja nas grades juninas. "Falei com a Paraíba, reivindiquei porque o São João de lá está muito mais comprometido que o São João daqui. Eu não tenho nada contra nenhum artista, nada contra nenhum sertanejo. Tem espaço para tudo, no céu cabem para todos os artistas, ninguém atropela ninguém. Porém eu não toco na Festa de Barretos, Dominguinhos também não cantava. A festa é deles, é dos sertanejos, e eles têm bem esta coisa: essa área é nossa", disse ela, pouco antes de apresentação na Capital do Forró.

"Aí quando chega aqui no São João, em Campina Grande, não ter o Biliu de Campina, não ter Alcymar Monteiro, eu reclamei bastante, cara, não ter os trios. Quando chega o São João, se você não tem forró... Eu não quero ir a uma festa que não tenha forró", comparou, em apoio a campanha Devolva Nosso São João, encabeçada por Joquinha Gonzaga, sobrinho de Gonzagão, e Chambinho do Acordeon, conhecido nacionalmente após interpretar o Rei do Baião no filme Gonzaga: De pai para filho, de Breno Silveira.

Nas redes sociais, a manifestação conta com adesão de cantores, compositores e instrumentistas de vários estados do Nordeste. Eles compartilham textos, vídeos e imagens com os dizeres "Devolvam o nosso São João", "São João é do Nordeste" e "São João só é grande quando tem forró", entre outros. As declarações da artista paraibana, amplamente identificada com Pernambuco, tiveram grande repercussão e provocaram respostas da prefeitura campinense e de jornalistas do estado da Paraíba.

No último final de semana, nos bastidores de sua apresentação no São João da Capitá, Marilia Mendonça rebateu as críticas e negou que as portas de Barretos (Festa do Peão) e outros festivais estejam fechadas ao forró: "Isso é mentira. Talvez a porta não esteja aberta porque algo está fora do seu trabalho. Quem tá com trabalho legal tem portas abertas em todas as regiões do Brasil. O segredo é música boa. Não tem nada de um tomar o lugar do outro". No palco, a cantora defendeu que "vai ter sertanejo no São João, sim".

Confira as falas de Elba, Marília Mendonça e Alcymar:






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