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Cinema Cannes: Cineasta pernambucano chama governo Temer de cínico Presidindo o júri da Semana da Crítica, Kleber Mendonça Filho voltou a denunciar o presidente brasileiro no festival

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 25/05/2017 16:31 Atualizado em: 25/05/2017 17:20

O cineasta brasileiro chamou a atenção da mídia mundial quando denunciou um "golpe de Estado" no tapete vermelho de Cannes, ano passado. Foto: Aurélie Lamachère/Instagram/Reprodução
O cineasta brasileiro chamou a atenção da mídia mundial quando denunciou um "golpe de Estado" no tapete vermelho de Cannes, ano passado. Foto: Aurélie Lamachère/Instagram/Reprodução

 

Um ano após denunciar no tapete vermelho do Festival de Cannes um "golpe de estado" de Michel Temer no Brasil, o cineasta Kleber Mendonça Filho se juntou aos crescentes pedidos de afastamento do presidente por acusações de corrupção. Em Cannes, onde preside o júri da Semana da Crítica, uma seção paralela do festival, o pernambucano defendeu a saída do presidente brasileiro e argumentou sobre a necessidade de uma maior articulação entre os diretores do país.

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"Há um ano, tínhamos certeza de que isso ia passar", disse o diretor de Aquarius, em alusão ao governo. "Agora é mais difícil prever o que irá acontecer porque a situação é muito confusa", continua, lembrando os protestos em massa que pedem, há vários dias, a saída do presidente conservador, especialmente depois da divulgação de uma comprometedora gravação. "É como se o pneu de um carro estivesse furado e o motorista não quisesse trocar, e sim continuar dirigindo", comentou o cineasta, defendendo a renúncia de Temer..

"Não vejo o que fizemos como um ato heroico, agimos como simples cidadãos", afirma Kleber. Para ele, porém, falta uma maior articulação entre os cineastas brasileiros: "Cada um faz a sua parte, mas acredito que deveríamos nos organizar melhor e nos expressarmos juntos, escrever uma carta ou fazer um vídeo". Em fevereiro do ano passado, diretores e profissionais da indústria cinematográfica brasileira apresentaram uma carta no Festival de Berlim pedindo o apoio de seus colegas internacionais contra o que consideravam ameaças do governo Temer à cultura.

Segundo o diretor, o governo brasileiro "oficialmente afirma que nada mudará para a cultura [...], mas vamos vendo várias coisas que não apontam nesse sentido. É sutil e cínico. Como se você pedisse um almoço e o garçom dissesse que iria trazê-lo, ainda que não tenha comida". "Isso aconteceu com a sabotagem a Aquarius no Oscar", argumenta, sobre sua obra cotada ao prêmio, que não foi selecionado apesar de ter sido bem recebida no Brasil e no exterior.

Para Kleber, com a chegada dos conservadores ao poder, "começaram a criticar tudo o que tem a ver com o pensamento. Os intelectuais são tratados como idiotas", disse, acrescentando que este é o caso também nos Estados Unidos e no Reino Unido. Embora admita que seja "terrível dizer", assegura que nos momentos de crise às vezes nasce o melhor da arte: "Quando alguém está enojado, frustrado, isso acaba se tornando poesia, literatura ou filme". Explicou que já está trabalhando em sua próxima produção sobre uma pequena comunidade no país que descobre ter um talento especial para a violência. "Não sei se será político ou não, isso o espectador decidirá", diz.

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