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Artes cênicas Alexandre Nero vem ao Recife com a peça 'O grande sucesso' Ator interpreta integrante de trupe que espera entrar em cena em peça que discute o valor do sucesso e do fracasso

Por: Isabelle Barros

Publicado em: 19/05/2017 08:21 Atualizado em: 19/05/2017 13:12

Alexandre Nero (de cabelo azul) e elenco na peça O grande sucesso. Crédito: Priscila Prade/Divulgação
Alexandre Nero (de cabelo azul) e elenco na peça O grande sucesso. Crédito: Priscila Prade/Divulgação

O que é, exatamente, ser bem-sucedido? Para os atores de uma companhia fictícia que aguardam entrar em cena, essa pergunta paira no ar sem uma resposta satisfatória. Esse grupo de artistas, que reflete sobre sucesso e fracasso com um humor sarcástico, foi unido a partir do desejo do ator e músico Alexandre Nero em voltar ao teatro com uma peça que o agradasse. Unindo ficção e realidade, o texto de Diego Fortes usa uma trama que se passa nos bastidores de uma peça de teatro para falar sobre o valor dado às conquistas da vida no mundo contemporâneo. A peça vem ao Recife para cumprir curta temporada de hoje a domingo (21), no Teatro Boa Vista, e também lança mão da música para dar seu recado, já que os atores cantam e tocam, inclusive Nero, responsável por compor algumas das letras da montagem. O Viver entrevistou o ator sobre este trabalho mais recente.

Você deu um tempo da televisão para se dedicar ao teatro e agora está circulando com o espetáculo O grande sucesso. Qual a importância de se voltar para o teatro nesse momento de sua carreira?
Quando encomendei o texto ao Diego Fortes, queria um espetáculo que falasse exatamente de sucesso e fracasso, mas que não subestimasse o olhar poético do público.  Nos reunimos, atores e equipe, por dois meses, em Curitiba, e foi muito importante termos tido esse tempo para chegar exatamente no formato que a gente queria. Como eu vinha emendando um trabalho atrás do outro, só em meados do ano passado pude me dedicar a esse projeto como eu já queria fazer há algum tempo. Precisava de um espetáculo que realmente me desse muita vontade de fazer e O Grande Sucesso está me permitindo voltar ao teatro da forma que eu queria, como um artista criador.

Você é conhecido por posições políticas progressistas e a peça tem uma carga irônica tanto sobre o teatro quanto sobre a sociedade como um todo. De que forma, na sua opinião, a peça dialoga com a situação atual do Brasil?
O espetáculo mistura fantasia e realidade e tem muito desse humor irônico, sarcástico, que é muito curitibano. Mas não tratamos apenas de sucesso e fracasso, o espetáculo traça ainda um paralelo muito forte com a vida. Na verdade, a gente está vendo um país bastante dividido e não em dois, como querem que a gente acredite, mas sim em vários pensamentos, várias nuances. Há quem acredite que um grande país se começa por uma economia forte, para outros é pela educação. Pra mim, o país não está caminhando como eu gostaria que estivesse, mas, como disse, depende do que cada pessoa pensa ser um grande país.

Você compôs para o espetáculo e também canta. Você sentia falta de integrar essas habilidades no seu trabalho como ator? De que forma você encara a música e a poesia (composição) em sua trajetória?
Todas essas coisas sempre foram complementares para mim. Eu canto desde sempre, muito antes de ser ator. Na verdade, fui para o teatro para saber me portar no palco como músico. Nunca separei o ator do músico, ou do compositor.  Eu entendo um texto como música e a música como um texto. Toda vez que eu atuo estou fazendo música e vice versa. No espetáculo somos todos atores e músicos, todos tocam e cantam em cena, ou seja, está tudo interligado.

Quais são, para você, as definições de "sucesso" e "fracasso"? Qual o peso que você dá a essas palavras em sua trajetória artística?
O fracasso é certo, o sucesso não necessariamente. Não tem a ver somente com talento ou empenho, os fracassos simplesmente acontecem na vidas de todas as pessoas . É claro que é muito mais fácil lidar com o sucesso do que com o fracasso e a ideia de se lembrar do fracasso, de pensar o erro, é justamente essa: não deixar que ele se transforme em algo maior do que realmente. São essas e outras questões que a gente quer discutir.

De que forma os atores participaram da construção das cenas? Como foi esse processo de criação durante os ensaios e como você criou o papel que você interpreta?
A peça é fruto de um processo coletivo com interlocução artística minha, ou seja, eu faço a ligação entre todos os pontos e funções do espetáculo. O texto final é do Diego, mas ele foi feito em cima das vivências, das improvisações de cada um. Há muito de todos nós no espetáculo, sem dúvida alguma.

O espetáculo fala sobre uma faceta do teatro que o público pode não conhecer. Em que essa metalinguagem pode fazer o público refletir sobre aspectos da vida e da arte?
A metalinguagem faz com que as pessoas vejam um espetáculo de teatro dentro de um espetáculo de teatro. O público participa disso, não fisicamente, mas sendo um público ativo, não passivo. Há várias situações nas quais parece que eu estou falando com o público, quando na verdade o personagem está divagando.  O contrário também acontece. Essa é a metalinguagem: a gente fala das coisas que estão acontecendo na peça, como se a peça não fosse a nossa.  Além de ser uma declaração de amor ao teatro, o espetáculo traça um paralelo muito forte com a vida, que começa, algumas coisas acontecem e acaba, assim como no teatro, como na vida. Nada mais é do que estar pensando sobre a vida, jogando com metáforas relacionadas ao teatro.

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