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Televisão Cara Gente Branca é um soco no estômago de quem finge que o racismo não existe Produção escancara o abismo racial com situações semelhantes à vida real e merece ser mais debatida

Por: Fernanda Guerra - Diario de Pernambuco

Publicado em: 16/05/2017 22:14 Atualizado em: 23/05/2017 11:58

Série Dear White People escancara racismo. Foto: Netflix/Divulgação
Série Dear White People escancara racismo. Foto: Netflix/Divulgação


Antes da estreia, Dear white people já havia dado o recado, provocado discussão, sofrido boicote por parte do público. No trailer, era perceptível que a série, inspirada em um filme homônimo, mexeria em uma ferida aberta. A produção é uma resposta direta para aqueles que persistem em dizer que racismo não existe e é enfática ao mostrar como a discriminação está enraizada na sociedade. A repercussão da trama original da Netflix, no entanto, foi bem abaixo da obtida por 13 reasons why, produção original do serviço de streaming sobre depressão, suicídio e bullying, também problemas sociais perigosos e contemporênos. Com uma temática tão urgente quanto a abordada no seriado produzido por Selena Gomez, Dear white people - ou Cara gente branca - precisa ser mais debatida.

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A dramédia é recheada de sarcasmo, diálogos que refletem o cotidiano e citações ao contexto histórico da escravidão. Como uma crítica social, a série mostra situações corriqueiras que sedimentam, dia após dia, o preconceito racial, como blackface - quando há apropriação cultural para se caracterizar de negros de maneira exagerada - e estátuas estereotipadas. A trama acompanha um grupo de estudantes negros de uma universidade cuja maioria é branca. O quinto episódio, dirigido por Barry Jenkings, responsável pelo vencedor do Oscar deste ano, Moonlight, é o ápice da discussão.

O capítulo escancara o abismo racial, semelhante à vida real. Dois amigos - um branco e um negro - discutem. O negro, Reggie (Marque Richardson) critica o branco por cantar uma música em que a palavra "nigga" - termo usado de maneira geralmente pejorativa para negros - aparece. Durante a discussão, a polícia é acionada, mas a diferença do tratamento é gritante. O policial pede apenas a identificação do negro e o questiona se ele realmente estuda na universidade com uma arma apontada para o negro. Além da questão de cor, a primeira temporada expõe, ainda que discretamente, o racismo sofrido por outras etnias, como a estudante asiática, que esbarra em situações excludentes.

Cada episódio se dedica a mostrar um personagem específico. O sétimo acompanha Gabe, homem branco que namora Sam White, principal ativista do grupo que ressalta constantemente as necessidades de os negros se manterem “acordados”. O personagem é responsável por acionar a polícia, sem mensurar as consequências futuras. O ato é mal visto pelos negros.Dear white people mostra que os contextos históricos e contemporâneos impedem o contra-argumento de que existe o racismo ao inverso - as piadas com brancos não tocam em um passado doloroso.

A produção também reúne diferentes perspectivas de negros dentro de um próprio grupo. Enquanto Sam White tem um ativismo mais evidente, o estudante de jornalismo Lionel utiliza o meio de comunicação em defesa da luta. A questão da mulher negra também é observada de forma realista. Em uma das cenas, Coco é preterida em um grupo de quatro mulheres em uma festa - três delas brancas são escolhidas primeiro por homens.

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