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Luto Morre o ator, diretor e dramaturgo Henrique Celibi após acidente em casa Artista escreveu o texto que baseou o espetáculo Cinderela - a história que sua mãe não contou

Por: Isabelle Barros

Publicado em: 11/05/2017 11:08 Atualizado em: 11/05/2017 15:17

Celibi em ensaio do espetáculo Cabaré Diversiones, em 2015. Crédito: Guilherme Veríssimo/Divulgação
Celibi em ensaio do espetáculo Cabaré Diversiones, em 2015. Crédito: Guilherme Veríssimo/Divulgação


O ator, diretor, figurinista, cenógrafo e maquiador Henrique Celibi faleceu na manhã desta quinta-feira, aos 53 anos, após sofrer, na noite de ontem, um acidente doméstico que ocasionou um corte profundo em sua perna. O artista pediu ajuda aos vizinhos e foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Olinda, mas sofreu duas paradas cardíacas e não resistiu ao ferimento. O artista, cujo nome de batismo era Valdenou Henrique de Moura, nasceu em Olinda e começou a carreira aos 14 anos, ao entrar no Grupo de Teatro Vivencial, um dos coletivos mais iconoclastas da história do teatro pernambucano. Ainda não há informações sobre velório e enterro.

Após a dissolução do Vivencial, no início dos anos 80, Celibi foi morar no Rio de Janeiro e trabalhou em escolas de samba. Posteriormente, voltou para o Recife, onde continuou suas atividades teatrais. Nos anos 80, ele escreveu a primeira versão do texto de Cinderela, a história que sua mãe não contou, inicialmente chamado de Cinderela, a Bicha Burralheira e apresentado como cena curta em boates. Jeison Wallace, um dos fundadores da Trupe do Barulho, pediu para adaptá-lo para o teatro e ganhou os direitos sobre o texto. O sucesso estrondoso da peça, montada em 1991, consagrou o grupo.

Após a estreia de Cinderela, Celibi também passou a integrar a Trupe do Barulho. Em depoimento ao Diario de Pernambuco por ocasião dos 25 anos do grupo, Celibi sintetizou sua participação nele. "Sou dramaturgo graças à Trupe do Barulho. Fiz o texto de A casa de Bernarda e Alba, Deu a louca na história que sua mãe não contou e As filhas da p… O grupo faz teatro mesmo sofrendo o preconceito de uma classe sem classe, mas as pessoas sabem o valor dele".


Henrique Celibi, ao centro, na época do Vivencial, ladeado por Américo Barreto (à esq.) e Pernalonga (à dir.). Crédito: Ana Farache/Reprodução
Henrique Celibi, ao centro, na época do Vivencial, ladeado por Américo Barreto (à esq.) e Pernalonga (à dir.). Crédito: Ana Farache/Reprodução

Inquieto, Celibi participou de dezenas de espetáculos em várias funções. Uma de suas marcas como figurinista e cenógrafo era aproveitar materiais do lixo - algo aprendido desde cedo, com o Grupo de Teatro Vivencial - e transformar em cenários inteiros, além de figurinos elaborados. Em 2015, estreou, com elenco jovem, o espetáculo Cabaré Diversiones, uma releitura dos esquetes irreverentes pelos quais o Vivencial ficou conhecido. Em março deste ano, realizou sua última temporada no Teatro Hermilo Borba Filho com um texto de sua autoria, As perucas de Bibi. Em seus últimos dias, se dedicava aos ensaios de um novo espetáculo, intitulado The Celibi Show.

REPERCUSSÃO

Ivonete Melo, atriz e presidente do Sindicato dos Artistas de Pernambuco (Sated/PE)
Em seu Facebook, a colega de Henrique Celibi no Grupo de Teatro Vivencial lembrou o amigo de quase quarenta anos. "Desencarnou hoje o meu filho, meu amigo e minha viveca querida e amada. Que Deus te dê o descanso eterno e muita luz".

Leidson Ferraz, jornalista e pesquisador teatral
"Acho que Celibi era sinônimo de resistência, porque ele nunca parou de trabalhar. Ele transitou por várias linguagens, era muito crítico, irônico e um cara que ainda poderia produzir coisas muito interessantes para o teatro. Era um artista muito querido, sempre com vontade de aprender e via muito teatro, além de um grande retrato do que foi o Vivencial, resistindo acima de tudo. Não quero ficar triste, pois Celibi era animação, brilho, purpurina".

Ana Farache, fotógrafa e atual gestora do Cinema da Fundação
"Conheci Celibi no fim dos anos 70. Tivemos um período no qual éramos muito próximos. No fim do ano passado, lancei o livro Vivencial: imagens do afeto em tempos de ousadia e ele foi uma espécie de consultor para mim. Era muito talentoso, um artista completo: cantava, dançava, interpretava, criava, além de criativo em cima da adversidade. Hoje em dia, são poucos os que encarnam aquele espírito de protesto da época do Vivencial. Ao mesmo tempo, havia uma delicadeza nele. Tinha muita alegria de viver e só tenho boas recordações dele. 

Américo Barreto, ator e colega no Grupo de Teatro Vivencial
"Celibi praticamente morou na minha casa. A mãe dele morreu quando o Vivencial ainda estava em atividade e eu e Fábio Coelho [outro integrante do grupo] ficamos como responsáveis por ele. É uma perda enorme. Estávamos trabalhando juntos para estrear em uma mostra de monólogos. Era um artista com uma força pessoal e uma vitalidade enormes e dizia que a gente precisava fazer alguma coisa por nossa arte, à qual ele se dedicou a vida toda".

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