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Cinema Cineasta pernambucano mostra versão humanizada de Tiradentes no longa Joaquim Filme tem pré-estreia nesta quinta-feira no São Luiz e exibição com a presença do diretor, Marcelo Gomes, sexta-feira, na Fundação

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 20/04/2017 15:40 Atualizado em: 20/04/2017 15:24

Julio Machado (esquerda) dá vida a um Joaquim cheio de imperfeições. Foto: Rec Produtores/Divulgação
Julio Machado (esquerda) dá vida a um Joaquim cheio de imperfeições. Foto: Rec Produtores/Divulgação

Exceto pelo fato de ser um feriado, há pouca celebração em torno do 21 de abril, Dia de Tiradentes. Retratado em pinturas antigas com ares messiânicos, o inconfidente tem uma imagem que ficou no imaginário popular, mas a biografia é bem menos conhecida. O personagem virou objeto de trabalho do cineasta pernambucano Marcelo Gomes (Cinema, aspirinas e urubus), que lança, nesta quinta-feira, Joaquim, longa-metragem inspirado na vida da figura histórica.

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A primeira sessão do filme em Pernambuco será hoje, no Cinema São Luiz (Rua da Autora, 175, Boa Vista), às 20h. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 5 (meia). Na sexta-feira, Joaquim terá exibição especial no Cinema da Fundação/Museu (Avenida Dezessete de Agosto, 2187), às 20h15, com a presença do diretor e dos atores Julio Machado e Isabél Zuaa, que participam de debate após a projeção. Ingressos custam R$ 14 e R$ 7.

Único título brasileiro a participar da competição oficial do Festival de Berlim de 2017, Joaquim não se propõe a ser biografia, nem segue o estilo dos filmes históricos mais tradicionais. Embora busque fidelidade ao espírito da época e tenha sido construído a partir de uma extensa pesquisa sobre o período colonial a respeito do retratado.

O filme, fruto de uma coprodução internacional, tem origem em um projeto do produtor espanhol José María Morales, que planejou série de oitos filmes sobre os libertadores da América. No Brasil, escolheu Tiradentes e Marcelo Gomes, que aceitou o convite com uma única exigência: liberdade poética para traçar o retrato do personagem segundo impressões próprias.  "Não era meu desejo fazer uma novela histórica", enfatiza Marcelo Gomes, complementando que a intenção era realizar crônica com espaço para comparações entre o Brasil colonial e o contemporâneo. "Nosso passado está vivo no nosso presente", aponta o diretor, que enxerga semelhanças entre os dois períodos, como a presença de elite dominante, o fenômeno da corrupção, o racismo etc.

Para além do exercício reflexivo, o longa propõe visão menos idealizada do alferes, retratado como indivíduo comum. O ator Julio Machado acerta bem esse tom e, em nenhum momento, sinaliza qualquer aspecto de mártir no personagem. É um homem ordinário, imperfeito. Para fugir da excessiva sobriedade vista em produções históricas, Gomes optou por direção mais orgânica, com câmera na mão e muitos movimentos.

Ainda que a intenção seja fugir do viés de homenagem, Marcelo Gomes não deixa de imprimir fascínio em torno da figura de Tiradentes. "Se você me perguntar se o Tiradentes é um herói, digo que ele foi o único que perdeu a vida por conta da Inconfidência", diz, exaltando “a nobreza e a dignidade na hora da morte", quando o Joaquim José da Silva Xavier se assumiu como único responsável pelo movimento. "O herói é o cidadão comum, que está sobrevivendo a todos esses percalços políticos, que está lutando por uma saída melhor para esse país", diz o cineasta.

[Duas perguntas // Marcelo Gomes, diretor

Por que a escolha de retratar Joaquim antes da Inconfidência?
Gosto de fazer cinema sobre coisas que não entendo. Não queria fazer algo sobre o processo da Inconfidência, a batalha, a conspiração, mas como surgiu essa mudança, em um cidadão comum, cheio de ambiguidades e desejos. Não existe nenhum registro histórico sobre como Joaquim, um funcionário da Coroa Portuguesa, mudou de paradigma, tornou-se um rebelde. Foi a partir daí que construí minha ficção.

Algum palpite sobre o que causou essa transformação?
Sabemos que as ideias iluministas influenciaram muito, ele tinha uma relação com a elite, mas não fazia parte dela. Ele mudou porque conviveu com as pessoas que enfrentavam a face mais cruel do colonialismo, indígenas e negros, essa convivência foi a mola para mudança. Acho que o nosso Joaquim construiu a consciência política a partir de frustrações individuais.

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