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Televisão Protagonista da supersérie da Globo, recifense Renato Góes quer um 'apocalipse político' Nova produção da Globo estreia nesta segunda-feira após A Força do Querer

Por: Fernanda Guerra - Diario de Pernambuco

Publicado em: 17/04/2017 19:02 Atualizado em: 17/04/2017 21:22

Renato Góes vive o médico Renato Reis. Foto: Globo/Divulgação
Renato Góes vive o médico Renato Reis. Foto: Globo/Divulgação

Período de resistência e de efervescência cultural, o regime militar é um dos momentos da história do Brasil recorrentes na teledramaturgia do país. Séries como Anos rebeldes (1992) e Queridos amigos (2008), exibidas na Globo, e Plano alto (2015), da Record, foram algumas produções que tiveram a temática como elemento central ou pano de fundo. Novelas como Senhora do destino (2004 - a primeira fase) e Amor e revolução (2011), do SBT, foram ambientadas na ditadura. Na TV por assinatura, a série Magnífica 70 acompanha a produção cinematográfica no polo da Boca do Lixo dos anos 1970. A partir desta segunda-feira (17), mais uma trama revisita o período. A supersérie Os dias eram assim, assinada por Ângela Chaves e Alessandra Poggi, estreia após a novela A força do querer.

Após a visibilidade alcançada pelo personagem Santo na primeira fase da novela Velho Chico (2016), o recifense Renato Góes, de 30 anos, experimenta o primeiro grande protagonista da carreira na televisão. O ator contracena com a atriz Sophie Charllotte, intérprete de Alice, com quem vive uma história romântica. Na trama, Renato é um personagem homônimo, médico e primogênito de Vera (Cássia Kis Magro), que tem mais dois filhos: Gustavo (Gabriel Leone) e Maria (Carla Salle). Embora seja contra a ditadura, só os irmãos eram engajados no enfrentamento ao regime.

O romance entre Alice e Renato é interrompido por uma armação de Vitor Dumonte (Daniel de Oliveira), antagonista da trama, que arma para que Renato seja considerado um subversivo. Fugitivo, Renato vai morar no Chile e se afasta de Alice. Os dois se reencontram após a anistia aos exilados políticos. Ainda no elenco, o ator Antônio Calloni, que vive Arnaldo, pai de Alice, empreiteiro e incentivador do regime militar. Em Os dias eram assim, Renato trabalha pela segunda vez com o preparador de elenco recifense Chico Accioly, também responsável por Ligações perigosas.

De uma forma mais romantizada, comum às produções televisivas que abordam a temática, a trilha sonora ajuda na reconstituição do período. Clássicos como Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré, Sangue latino, de Secos & Molhados, e Deus lhe pague, de Chico Buarque, preenchem as cenas de perseguição entre militares e manifestantes ou cenas de tortura de jovens detidos. O pernambucano Johnny Hooker regravou a música Como vai você, interpretada por Roberto Carlos e lançada em 1972.  O embate entre pais conservadores e filho revolucionário e a angústia da mãe de um desaparecido político, elementos presentes na clássica minissérie Anos rebeldes, de Gilberto Braga, são tema da narrativa.

Carreira

Renato Góes deu os primeiros passos como ator no Recife, ao iniciar cursos de atuação no Sesc. A estreia só ocorreu quando se mudou para o Rio de Janeiro, onde mora há pouco mais de dez anos. Desde então, não faltam trabalhos em produções televisivas e, de uns anos para cá, cinematográficas. De forma tímida, os primeiros trabalhos foram em participações como Pé na jaca e Cama de gato e, com uma projeção maior, em Cordel encantado. Fora da Globo, fez a novela Água na boca, na Band.

O ano de 2016 foi o momento mais prolífico da trajetória. Na televisão, o ator atuou na minissérie Ligações perigosas, de Manuela Dias, e na primeira fase de Velho Chico, de Benedito Ruy Barbosa. No cinema, ganhou o primeiro prêmio da trajetória: melhor ator coadjuvante pelo filme Por trás do céu, no Festival do Audiovisual do Recife - Cine PE. O longa-metragem abriu portas para o ator, que foi convidado para interpretar Marcelo D2 no filme Anjos da Lapa. Após a série da Globo, o ator também está com dois novos projetos para o cinema.

Entrevista // Renato Góes

Como se deu a inserção nesse cenário político?

Para mim, a ditadura já era uma coisa muito presente, porque eu curtia muito essa época artística. Através da música, eu vivia muito. Toquinho, Chico Buarque, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, muito já se falava deles. A tropicália era uma libertação, um grito de alívio. Tivemos encontro com profissionais, como Peninha, Fernando Gabeira e Nelson Motta.

Como foi a experiência do primeiro protagonista?
Foi bom, porque foi em uma história muito legal. Poderia ter sido em qualquer momento, mas é nessa em que estou muito apaixonado pelo personagem e pela sinopse. É muito emblemático para mim o primeiro ser com um personagem que "tô" admirando. É um personagem forte, complexo, com carga de emoção, que parece ter mais uma vida simples e dada ao próximo. De repente, vira de cabeça para baixo, faz uma alusão a tudo aquilo que estava acontecendo no momento no país. Quem não era de extrema direita, nem de extrema esquerda, quem não estava pendendo para nenhum dos lados, embora o meu personagem seja contra a ditadura.

A série se passa no momento de ditadura, época sem democracia. O que você acha do atual momento conturbado do nosso país?
É um momento delicado politicamente para todos os lados, todos os âmbitos. Na Lava-Jato, não sobra ninguém. Você vê que estava tudo errado. Eu acho que tinha que ter um "apocalipse político" e mudar completamente. Ter outras pessoas, mentalidades, outra forma de governar e seguir em frente. Você vê que a sujeira está espalhada para todo lado.

Acha que pessoas conhecidas, formadores de opiniões, devem se posicionar?
Acho. Eu sempre fui mais pacífico, principalmente em um momento tão difícil de colocar uma opinião. É preciso ter cuidado ao expor opinião e se posicionar em determinada situação. A série é feliz na forma como se posiciona. Na verdade, ela não se posiciona. Ela expõe, mostra a realidade, de forma que as pessoas possam assistir, se identificar e refletir. Eu gosto que tem algumas pessoas, como Jean Wyllys e Marcelo Freixo. Gosto e admiro. Eles são dois caras por quem sempre me posicionei a favor. Você não conhece as pessoas. Você conhece a intenção de trabalho daquelas pessoas. Eu pouco me posiciono. Se tiver que me posicionar, é porque tenho certeza. Posso te decepcionar, mas pelo menos são as pessoas pelas quais eu tenho uma fé e com quem me identifico.

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