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Crime Após ameaça de bandidos, Museu de Arte Contemporânea fecha as portas Vigilantes foram rendidos e ameaçados durante tentativa de assalto no sábado

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 11/04/2017 21:00 Atualizado em: 11/04/2017 21:33

O MAC é alocado em um conjunto de quatro casas tombadas no Sitio Histórico de Olinda. Foto: Isabella Valle/Fundarpe
O MAC é alocado em um conjunto de quatro casas tombadas no Sitio Histórico de Olinda. Foto: Isabella Valle/Fundarpe


Por problemas estruturais e falta de segurança, o Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), localizado no Sítio Histórico de Olinda, fechou as portas. O equipamento foi alvo de tentativa de assalto ao quadro Enterro, do artista plástico Cândido Portinari, no último sábado (8). Procurada pelo Viver, a diretora do equipamento cultural, Célia Labanca, explicou que suspendeu a visitação da Galeria Tereza Costa Rêgo (a única das quatro pertencentes ao museu que ainda estava aberta ao público) devido às precárias condições do espaço - localizado em um edifício do século 17 tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

Por ser tombada, a sede do local só pode sofrer interferências pouco invasivas nas edificações. O equipamento, sem manutenção há décadas, acumulou problemas hidráulicos, elétricos e estruturais. Além disso, não existem câmeras de vigilância nos espaços interno ou externo. "Ficamos ainda mais vulneráveis. Tivemos seguranças rendidos com armas na cabeça e sendo ameaçados. Não vou me responsabilizar pelas vidas deles", alertou Célia. Nesta terça-feira (11), apenas funções administrativas do local foram desenvolvidas. 

Entre as obras presentes no acervo do MAC estão peças de arte de renomados artistas brasileiros como Tomie Ohtake, Lasar Segall, Manabu Mabe, Ladjane Bandeira, Francisco Brennand, Montez Magno e Almeida Júnior, pertencentes à coleção Assis Chateaubriand.

A diretora do museu explica que não possui orçamento próprio para realizar as ações necessárias para o devido funcionamento. Segundo Célia Labanca, já existem oito projetos urbanísticos, arquitetônicos, de iluminação, de cenário e reforma elaborados para o espaço, orçados no valor de R$ 8 milhões. Por se tratar de patrimônio tombado, cabe à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) a manutenção do equipamento.

O secretário de Cultura do Estado, Marcelino Granja, porém, afirma que a Galeria Tereza Costa Rêgo está em pleno funcionamento e que os demais espaços estão fechados devido a reformas em andamento desde outubro do ano passado. "A fachada do edifício já se encontra pintada e parte da reforma contou com a aquisição de grandes arquivos para a proteção do acervo", detalha ele.  

Marcelino classificou o assalto como um incidente frustrado e se diz tranquilo com a segurança do museu. "As obras são guardadas em cofres fortes, com código de segurança, em salas separadas para evitar roubos e o museu possui uma equipe de segurança no local. Os quadros do MAC estão estão sob rigorosíssima proteção, estou confiante em sua segurança", garantiu. "O assalto foi frustrado e ocorreu como poderia ocorrer em qualquer outro lugar. Poderia ter acontecido em um posto de gasolina ou em uma residência", afirmou o secretário, alegando já ter solicitado reforço da Polícia Militar na região e o início do processo investigativo pela PM.

Sobre o projeto de requalificação completa do espaço, Marcelino disse se tratar de uma proposta muito mais ampla. "Temos um projeto elaborado em parceria com a sociedade civil de R$ 8 milhões aprovado e aguardando captação via Lei Rouanet. Mas isso não impede o funcionamento do museu", explica.  

AÇÃO
Por volta das 6h30 da manhã do sábado, três homens armados invadiram o Museu de Arte Contemporânea para roubar o quadro Enterro, do brasileiro Cândido Portinari. A obra, avaliada entre R$ 800 mil e R$ 1,5 milhão, porém, se encontra emprestada para uma exposição do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Os assaltantes renderam funcionários do espaço e, depois de não encontrar o alvo da ação, levaram duas armas pertencentes aos vigilantes da instituição.

Esta não foi a primeira investida contra a pintura. Em julho de 2010, Enterro chegou a ser furtada do museu. A obra, uma tela de óleo sobre madeira pintada em 1959, foi recuperada em uma operação que uniu policiais civis e federais de Pernambuco e do Rio de Janeiro, resultando na prisão de dois homens na capital fluminense.

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