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Música Skank domina palco e Céu procura o tom no primeiro show dedicado a Jorge Ben Jor Turnê em homenagem ao artista carioca teve avant-première no Rio de Janeiro e segue em shows gratuitos nas principais capitais do país, incluindo o Recife

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 15/03/2017 03:12 Atualizado em: 18/04/2017 15:26

Skank, o homenageado Jorge Ben Jor e Céu dividiram o palco no primeiro show da turnê Nivea Viva Jorge Ben Jor. Foto: Larissa Lins/DP
Skank, o homenageado Jorge Ben Jor e Céu dividiram o palco no primeiro show da turnê Nivea Viva Jorge Ben Jor. Foto: Larissa Lins/DP

Rio de Janeiro
- Um Samuel Rosa entusiasmado à frente do Skank e uma Céu à procura do tom deram início, na noite desta terça-feira (14), na capital do Rio de Janeiro, à turnê Nivea Viva Jorge Ben Jor, em homenagem ao cantor e compositor carioca. Restrita a convidados, a avant-première, realizada no Vivo Rio, na área central da cidade, marca a estreia do primeiro tributo do projeto Nivea Viva a um artista vivo da MPB, possibilitando a presença do homenageado sobre o palco, como protagonista de alguns dos melhores momentos do espetáculo.

Confira o roteiro de shows do Divirta-se


Durante quase três horas do primeiro show da turnê, clássicos do repertório de Jorge Ben Jor foram interpretados pela banda Skank, pela cantora Céu, pelo próprio Jorge e por dois ou três deles simultaneamente, sob direção musical de Dadi Carvalho. Umbabaraúma, Jorge da Capadócia, Os alquimistas estão chegando e O telefone tocou novamente estão no setlist, marcado por hits e composições lado B do músico. O dia que o sol declarou seu amor pela Terra e País tropical abriram a noite, encerrada com Taj Mahal e um repeteco em conjunto de País tropical.

Na plateia, vultos da música popular brasileira, como como Gilberto Gil e Erasmo Carlos, estavam entre os convidados ilustres. Marjorie Estiano, uma das escaladas para a edição passada do Nivea Viva, e os atores Thiago Lacerda e Débora Bloch também assistiram ao show, entre outros destaques da música, televisão e do teatro brasileiros.

Samuel Rosa e Céu fizeram dueto nas primeiras músicas do repertório. Foto: Larissa Lins/DP
Samuel Rosa e Céu fizeram dueto nas primeiras músicas do repertório. Foto: Larissa Lins/DP
Para o vocalista do Skank, Samuel Rosa, alcançar os tons do ídolo pareceu tarefa simples, complementada pela sua euforia em cena. Não se pode dizer o mesmo da paulistana Céu: parecendo deslocada em muitas passagens do show, ela não entregou os graves, nem a energia que os refrões de Jorge Ben Jor pediam. Trocou de figurino (de um vestido azul brilhante a um macacão prateado luminoso), requebrou, tocou pandeiro, mas conseguiu pouca naturalidade, pouco vigor. Coube a ela uma fração menor do repertório, com menos momentos solo, ofertando mais coreografia do que performance vocal.

A mãe de Céu, a artista plástica Carolina Whitaker, inspirou uma das músicas mais conhecidas de Jorge Ben Jor, Carolina carol bela (Jorge Ben Jor/Toquinho), e foi lembrada na avant-première. "Eu não conhecia muito bem Céu. Mas o nosso encontro foi incrível, porque ela é filha da minha musa Carolina carol bela", explicou Jorge. Ela agradeceu: "É um prazer cantar ao lado do meu ídolo, meu professor, uma referência da música para mim." De acordo com Céu, se passaram anos antes que ela soubesse que a mãe era a Carol da canção. "Eu perguntei: como assim, mãe? Mas minha mãe nunca foi de falar muito. Então, que bom que tivemos esse momento, para que o Jorge me contasse essa história", brincou.

A relação afetiva entre Jorge e os mineiros do Skank também foi "grifada" ao longo da festa. "Ele foi nosso padrinho quando ninguém nos conhecia. Nos cedeu Cadê o pênalty? para nosso primeiro disco, um álbum independente, e ainda nos levou a diferentes programas de televisão junto com ele", lembrou Samuel Rosa. "Ele foi a principal referência de toda uma geração de bandas do rock e pop rock nacional. Contemporâneos nossos, como O Rappa, beberam nessa fonte", disse o vocalista.

O ator Dan Stulbach e a diretora de marketing da Nivea no Brasil e vice-presidente de inovação para as Américas, Tatiana Ponce, anfitriões da avant-première e encarregados de abrir a noite, também citaram a contribuição de Jorge Ben Jor às gerações seguintes a ele na MPB. "Jorge Ben Jor criou um movimento único, em paralelo à bossa nova. Ele foi um alquimista. Misturou funk, samba, jazz e batidas africanas", introduziu Tatiana. Ao fim do show, os laços foram fortalecidos por elogios espontâneos de Ben Jor aos companheiros de palco: ele trata Céu como musa e Samuel, a quem se refere como Samuca, como amigo de longa data.

Desde o camarim, momentos antes do show ter início, os artistas já falavam dos vínculos afetivos entre suas carreiras. Foto: Larissa Lins/DP
Desde o camarim, momentos antes do show ter início, os artistas já falavam dos vínculos afetivos entre suas carreiras. Foto: Larissa Lins/DP

>> BONITO, MAS LONGO

A direção artística de Monique Gardenberg oferece ao público um cenário atraente: projeções cinematográficas - inspiradas na paixão de Ben Jor pela sétima arte -, ilustrações, motivos tropicais, psicodélicos e tomadas dos próprios artistas em cena cativam a atenção e embelezam o show. Em alguns momentos, contudo, falta o dinamismo necessário às três longas horas de apresentação, tempo que poderia fluir melhor com reordenamento das faixas selecionadas por Dadi Carvalho em parceria com os artistas convidados.

Quando em cena, Jorge Ben Jor parece fugir ao programado, engatando sequências improvisadas que deverão ser afinadas com a continuidade da turnê. "Foram 30 ensaios com Céu e dois com Jorge", disse Samuel Rosa ainda no camarim, antes de subir ao palco do Vivo Rio, no que poderia ser a explicação de passagens pouco concatenadas entre o homenageado e os artistas convidados.

>> NO RECIFE

No Recife, Skank, Céu e Jorge Ben Jor se apresentam no dia 21 de maio, em local ainda não definido, com acesso gratuito. O formato se repetirá em outras capitais do país, como Fortaleza (7 de maio) e Brasília (11 de junho), sempre com entrada franca e em pontos de movimento turístico ou fácil acesso da população local, como ocorreu em edições anteriores.

>> OUTRAS HOMENAGENS

Jorge entra em cena na metade do espetáculo, engatando composições emblemáticas da carreira. Foto: Larissa Lins/DP
Jorge entra em cena na metade do espetáculo, engatando composições emblemáticas da carreira. Foto: Larissa Lins/DP
O primeiro Nivea Viva!, em 2012, levou Maria Rita aos palcos brasileiros para homenagear clássicos de sua mãe, Elis Regina. Em 2013, o tributo a Tom Jobim levou Vanessa da Mata a protagonizar o projeto. No ano seguinte, Alcione, Martinho da Vila, Diogo Nogueira e Roberta Sá celebraram o samba e, em 2015, Ivete e Criolo cantaram Tim Maia.

No ano passado, o Nivea Viva! celebrou os 60 anos do rock nacional, com turnê protagonizada por Nando Reis, Paula Toller, Paralamas do Sucesso e Marjorie Estiano. O time de artistas evocou a memória de nomes como Raul Seixas, Mutantes, Jovem Guarda, Rita Lee e os mais novos Raimundos, Charlie Brown Jr. e Los Hermanos, incluindo o pernambucano Chico Science e o movimento mangue criado no estado nos anos 1990.

>> SETLIST


1. O dia que o Sol declarou seu amor pela Terra – Skank
2. País Tropical - Skank l Céu
3. Cabelo –  Céu
4. Que pena – Céu
- Céu sai        
5. Oé Oé Carro de Boi - Skank
6. Oba, Lá vem ela – Skank
7. Balança Pema – Skank
8. Menina Mulher da Pele Preta – Skank
9. A minha teimosia é uma arma – Skank
- Céu entra a esquerda
10. Os alquimistas estão chegando – Skank l Céu
11. O telefone tocou novamente – Skank l Céu
12. Chove Chuva - Céu
13. Xica da Silva - Céu
Zé Pretinho entra
14. Jorge da Capadócia - Skank l Céu l Jorge
15. A Banda do Zé Pretinho – Jorge
16.17.18 Santa Clara/ Zazueira / Minha menina – Jorge
19.20.21 Que Maravilha/ Magnólia/ Ive Brussel  - Jorge
22. Por causa de você menina - Jorge l Céu
23. Mas que nada – Jorge l Céu
24. Quero toda noite – Jorge
25.26.27. Zumbi / Bebete / My brother Charles - Jorge%u200B
28. WBrasil – Jorge
- Samuel entra
29. Cadê o Pênalti- Jorge e Samuel
30. Umbabaraúma- Jorge e Samuel
31. Fio Maravilha- Jorge, Céu, Skank
32. País Tropical - Jorge, Céu, Skank

BIS
33. Homem da Gravata Florida - Jorge, Céu, Skank
34. Taj Mahal/A banda do Zé Pretinho – Jorge, Céu, Skank
BIS: País tropical - Jorge, Céu, Skank

*A repórter viajou a convite da Nivea

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