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TV Série adaptada de livro de Rubem Fonseca, Lúcia McCartney estreia nesta segunda-feira na GNT Obra do autor já rendeu várias versões na televisão e no cinema

Por: Fernanda Guerra - Diario de Pernambuco

Por: Fellipe Torres - Diario de Pernambuco

Publicado em: 21/11/2016 19:02 Atualizado em: 21/11/2016 19:12

Lucia McCartney fala de uma garota de programa que se envolve com um de seus clientes. Foto: GNT/Divulgação
Lucia McCartney fala de uma garota de programa que se envolve com um de seus clientes. Foto: GNT/Divulgação
O submundo presente na vasta obra do escritor Rubem Fonseca e a maneira como ele é retratado evoca cenas de filmes ou seriados: a narrativa acelerada e minuciosa é um convite ao universo de violência e erotismo. Não à toa, os trabalhos literários do autor - dono de três prêmios Jabuti, dois APCA, um Camões e um Machado de Assis - costumam seduzir o audiovisual desde a década de 1970. A formação em direito e a experiência como comissário de polícia enriquecem o tom detalhista e brutal das narrativas. 

As mais de dez adaptações pegam carona nos textos cinematográficos de Fonseca, muitos deles inspirados em casos reais. Conto publicado em 1967, Lucia McCartney é campeã de versões audiovisuais. A terceira delas é dirigida por José Henrique Fonseca, filho do autor, em parceria com Gustavo Bragança, e estreia hoje, às 21h (horário local). A série homônima chega ao canal GNT décadas depois das releituras no cinema e na televisão. Os oito episódios estão liberados desde sexta-feira para assinantes do GNT Play. 

Lucia McCartney fala de uma garota de programa que se envolve com um de seus clientes, o dono de gravadora José Roberto (Eduardo Moscovis), que tenta tirá-la do mundo da prostituição. A fã de Paul McCartney passa a morar em um apartamento bancado pelo homem. Quando ele desaparece, Lúcia decide se mudar para São Paulo e volta a se prostituir. Na nova versão da série, a personagem principal é incorporada por Antônia Morais, de 24 anos, a primeira protagonista da atriz. A intérprete não chegou a assistir a versões anteriores. %u201CNão busquei muitas referências. Acho que o personagem tem vida própria. Eles mesmos vão se colocando nas situações e manifestando suas formas de existir%u201D, contou a atriz, em entrevista ao Viver.

Dentro do processo de composição da personagem, Antônia chegou a conhecer algumas garotas de programas. %u201CIsso me deu mais conhecimento de causa sobre o mundo da prostituição, mas não foquei tanto nessa questão%u201D, adianta a atriz. Segundo ela, o fato de ser prostituta é apenas um detalhe do universo da personagem. Da realidade de Lúcia, a sonoridade musical foi aspecto familiar para Antônia. %u201COs Beatles são um clássico, tive fases que ouvi mais e fases que ouvi menos. Mas de fato o som deles sempre me emocionou. A Lucia é McCartney, eu sou mais Lennon%u201D, compara Antônia.
 
Na versão cinematográfica de 1971, Rubem Fonseca participou diretamente do processo de adaptação e escreveu o roteiro. Estrelado por Adriana Pietro, Rodolfo Arena, Nelson Dantas e Odete Lara, o filme foi dirigido por David Neves. Para a série do GNT, a participação do autor se reduziu à leitura dos episódios. A personagem feminina também foi vista em uma produção escrita por Geraldo Carneiro e dirigida por Roberto Talma, em 1994, na Globo. Além de participar de adaptações, a intimidade de Fonseca com o cinema foi mais explorada em criações exclusivas para a sétima arte, Extorsão (1974) e Stelinha (1990), vencedor de dez prêmios no Festival de Gramado, incluindo Melhor Filme e Roteiro. 

+ 2 perguntas // Antônia Morais, atriz

Como surgiu o interesse pela personagem? Quais foram as exigências do papel? 
Vinha mentalizando uma personagem assim há muito tempo. Não conhecia a história da Lúcia McCartney quando fiz o teste, mas minha intuição apitou. Quanto mais conhecia a Lúcia, mais apaixonada eu ficava. O papel exigiu física, mental, espiritual e emocionalmente. E fico feliz que tenha sido assim. Mergulhei de cabeça, dei tudo de mim. 

Qual o impacto do trabalho na sua carreira? 
Me fez rejuvenescer. A Lúcia me fez mais solar e me devolveu uma alegria de vida. Aprendi que a leveza não altera o nível de intensidade ou de entrega, ela só torna o processo mais saudável e mais feliz. Desde o início eu sabia que haveria cenas de sexo e de nudez, então me preparei para isso. Para ela, a nudez é algo natural e confortável, então para mim também tinha que ser. 

[ADAPTAÇÕES 

NA TV 

Mandrake (1983) e (2005)
O personagem de Rubem Fonseca ganhou duas versões para televisão. A primeira foi em telefilme adaptado por Euclides Marinho, estrelado por Marcos Palmeira e exibido na Globo. A segunda, dirigida pelo filho do autor, foi produzida pela HBO Brasil em três temporadas. Nos livros, Mandrake é protagonista (ou coadjuvante) de contos, novelas e romances. Advogado mulherengo e frequentador do submundo carioca, serve de fio condutor para histórias policiais. A série da HBO foi baseada nos livros A grande arte (de 1983, vencedor do Jabuti) e Mandrake, a bíblia e a bengala (2005).

Agosto (1993): 
Adaptação do romance policial homônimo foi assinada por Jorge Furtado e Giba Assis Brasil. A minissérie foi exibida pela Globo e estrelada por José Mayer e Vera Fischer. Publicado em 1990, Agosto é apontado como o livro mais famoso de Rubem Fonseca. O romance policial baseado em fato históricos ficcionaliza os fatos em torno do suicídio de Getúlio Vargas. Tem pelo menos uma dezena de edições estrangeiras.

A coleira do cão (2001): 
Exibida na Globo, a minissérie Brava gente agrupou contos de diferentes escritores. Um deles foi inspirado na segunda coletânea de contos de Rubem Fonseca, A coleira do cáo (1965). Dirigido por Roberto Farias, o episódio foi escrito por Antonio Calmon e protagonizado por Murilo Benício como um policial que combate a corrupção. No livro, a condição humana nos grandes centros urbanos é investigada com habilidade ímpar. 

NO CINEMA

O cobrador (2006) 
Protagonizado por Lázaro Ramos, que vive um assaltante que invade uma mansão no réveillon, o filme foi premiado nos festivais de Gramado e Havana. Quatro contos consagrados de Rubem Fonseca foram mesclados para o roteiro: O cobrador, do livro homônimo, de 1979, Passeio noturno, da coletânea Feliz ano novo (1975), e Cidade de Deus, do livro Histórias de Amor (1997) e Placebo, do livro O buraco na parede (1995, vencedor do Jabuti de 1996).

Bufo & Spallanzani (2001) 
Dirigido por Flávio R. Tambellini, o filme é tem roteiro assinado por Rubem Fonseca em parceria com Patrícia Melo. José Mayer vive o detetive Ivan Canabrava, que investiga o assassinato de um fazendeiro morto após fazer seguro de vida de US$ 1 milhão. Lançado em 1986, o romance faz paródia do gênero policial. Ao colocar no centro da trama um narrador onisciente, o escritor Gustavo Flávio (referência a Gustave Flaubert), lança mão da metalinguagem para abordar a literatura e da intertextualidade para dialogar com outras obras e autores.

A grande arte / Exposure (1991) 
A adaptação do romance homônimo marca a estreia de Walter Salles como diretor de longa-metragem. Rubem Fonseca desenvolveu o roteiro ao lado de Matthew Chapman. Na produção, o personagem principal é adaptado para Peter Mandrake, um fotógrafo norte-americano. No elenco, Peter Coyote, Giulia Gam, Raul Cortez e Paulo José. No livro de 1983, o advogado Mandrake se envolve com uma organização criminosa ligada a um universo de técnicas marciais com faca. A violência e o humor negro estão presentes, assim como a linguagem coloquial combinada a referências eruditas, algo comum na obra de Fonseca.

Relatório de um homem casado (1973): 
Dirigido por Flávio Tambellini, a adaptação do conto Relatório de Carlos, publicado em A coleira do cão, de 1965. Acompanha a história de um advogado casado que mantém um caso com uma de suas clientes. A esposa dele descobre e faz um grande escândalo. Ele decide ficar com a amante. O roteiro do filme foi premiado no extinto Coruja de Ouro. 


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