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Música 'A Tropicália não seria a mesma se não fosse Jorge Ben', diz Jorge du Peixe Projeto Los Sebosos Postizos faz show, neste sábado, no Baile Perfumado

Por: Júlia Galvão

Publicado em: 10/09/2016 17:33 Atualizado em: 10/09/2016 19:25

Grupo foi formado por integrantes da Nação Zumbi nos anos 1990. Foto: Pio Figueiroa/Divulgação
Grupo foi formado por integrantes da Nação Zumbi nos anos 1990. Foto: Pio Figueiroa/Divulgação

Recife será cenário de um verdadeiro encontro entre alquimistas do ritmo. O Los Sebosos Postizos, projeto paralelo dos integrantes da Nação Zumbi, faz show neste sábado (10), no Baile Perfumado. Formada originalmente por Jorge Du Peixe (vocal), Lucio Maia (guitarra), Dengue (baixo) e Pupillo (bateria e percussão), a banda resgata a obra do carioca Jorge Ben Jor, mostrando que o antigo "jovem samba da linha de bamba" também é um mangueboy. Quem dá continuidade à festa, afim de levar o tom "Original Olinda Style", é a banda Eddie.
No repertório do show, canções da primeira fase da carreira de Ben Jor, como Minha teimosia é uma arma pra te conquistar, Frases, Cinco minutos, A jovem Samba e algumas faixas emblemáticas da fase mais pós-tropicalista do compositor, como Os Alquimistas estão chegando e O homem da gravata florida. Oba, lá vem ela, Amor de carnaval e Vem morena, vem integram às boas novas do setlist. Eles vêm acompanhados por Gustavo da Lua (percussão), Chiquinho (teclados) e Pedro Baby (guitarra).

A noite promete uma mistura de percepções sonoras: desde o afoxé eletrônico, que perpassa pelo mangroove, até chegar ao toque único de afropsicodelia. A inovação de arranjos na maioria das músicas permite um mergulho no universo dos "deuses astronautas" do carioca. 

Los Sebosos Postizos surgiu de homenagem a Ben Jor em 1998, numa festa denominada a Noite do Ben. A banda, até então visualizada por muitos como um cover, lançou o álbum Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben Jor, em 2012, produzido por Mário Caldato. Músicas do Tábua de esmeralda (1974), Samba esquema novo (1963) e Bidu - Silêncio no Brooklin (1967) estão reunidas nas 14 faixas do primeiro e único disco. 

O Samba Rock e o Mangue Beat
Em 1995, no programa Roda Viva, da TV Cultura, o malungo Chico Science em entrevista com o Zé Pretinho não hesitou em falar sobre a importância do Tábua de Esmeralda (1974) na sua formação. "A gente ouvia muito esse disco. Era reza diária", lembrou Du Peixe. Afinal, ao beber porções das alquimias de Ben Jor, Science foi um mestre na arte de fazer groove. 

Entrevista Jorge du Peixe // cantor

Por que dar continuidade a um projeto de interpretação das músicas de Jorge Ben Jor?
A gente começou em 1998/1999, com projetos paralelos. Até então ninguém tinha feito. O repertório que a gente se baseou foi todo da década de 1970. Mas Ben Jor tem uma discografia muito extensa. A verdade é que é divertido acima de tudo. Saímos da zona de conforto com a possibilidade levar outro tipo de som. Até hoje tem demanda pra caramba! A gente gosta de tocar aquilo. Fazemos uma dinâmica diferente para dar outra atmosfera. Jorge Ben sempre foi muito atencioso quando cruzavámos com ele nos aeroportos, por exemplo, ele perguntava sobre a banda, sobre o disco. Isso é muito legal. 

Vocês se consideram uma banda cover?
Não vejo problema em fazer cover. Não existe essa preocupação. Respeita-se os moldes, mas a invenção e a ideia é de cada um. A original já existe, por que fazer igual? A gente se junta no estúdio, mas nada é igual. Cada música pede uma atenção diferente. 

Tem planos para outro disco?
Existe demanda por Los Sebosos Postizos. Com o tempo vai modificando, adaptando. Pedro Baby (guitarra) somou muito com Lúcio Maia (guitarra). Carlos Trilha também, um cara de planos nacionais. Tudo vai se ajustando. Faz parte o disco ter relação com Jorge Ben, mas quem sabe lá na frente role um Tim Maia? Isso é legal e autoral também. 

A noite vai contar com novidades? 
Vamos tocar três músicas novas que não estavam no repertório. Oba lá vem ela, do Força Bruta, Amor de carnaval, do Bidú: Silêncio no Brooklin, e Vem morena vem, do Samba Esquema Novo. Ah, outra novidade: vai ser a primeira vez que Carlos Trilha (produtor musical e ex-tecladista do Legião Urbana) participa do show aqui em Recife. E, claro… O bailão da banda Eddie!

Quais são os elementos da música de Ben Jor que mais influenciaram o Mangue Beat, levando em consideração o reconhecimento de Chico Science em relação ao Tábua de Esmeralda?
Ele aborda tudo. A Tropicália não seria a mesma se não fosse Jorge Ben. Os discos dos anos 1960 e 1970… bebemos na fonte. O cara é um contemporâneo da bossa, uma bossa nova mais negra, clara. A bossa de Jorge Ben. Com o passar do tempo, as pessoas foram tendo mais acesso a música. Nos anos 1990 todo mundo teve mais acesso. A gente ouvia muito o Tábua de Esmeralda, era como se fosse uma reza diária. 

Serviço
Los Sebosos Postizos e Eddie
Quando: Sábado (10), às 22h
Onde: Baile Perfumado (Rua Carlos Gomes, 390)
Informações: 3033-4747
Ingressos: R$ 45 (meia entrada) | R$ 55 (social)
Realização da GO! Elephants, Babel Produções e Multiprod 


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