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Música Naná Vasconcelos: relembre as parcerias famosas do percussionista pernambucano Premiado com oito Grammys, músico já trabalhou com nomes importantes do jazz como Pat Metheny

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 10/03/2016 09:40 Atualizado em: 10/03/2016 11:11


Naná Vasconcelos como parte do trio CoDoNa. Foto: Site Oficial/Reprodução
Naná Vasconcelos como parte do trio CoDoNa. Foto: Site Oficial/Reprodução

A lista de parceiros de Naná Vasconcelos na música é bem extensa e passa por artistas como Gal Costa, Jards Macalé, Milton Nascimento, Os Mutantes - mas alguns deles se destacam. Um encontro marcante para a música brasileira foi o álbum Dança das cabeças, de 1976, com Egberto Gismonti, amigo de Naná até o fim da vida do percussionista. “Ele entende a minha linguagem, os meus caminhos”, declarou o músico no ano passado, logo antes de sair da primeira internação, no ano passado.

Milton Nascimento se despede de Naná Vasconcelos


O percussionista Marcos Suzano, um dos mais importantes do Brasil e que trabalhou com Naná no disco Sementeira, falou sobre o impacto desse lançamento em sua vida no livro 1973: O ano que reinventou a música brasileira. “Foi a primeira vez que ouvi uma percussão que realmente me chegou de fato. Além de ter batido nos meus ouvidos, entrou na minha cabeça e no meu coração. Não era uma percussão virtuosística, mas o virtuosismo estava no contexto, na maneira que ele escolheu os instrumentos e acrescentou outros elementos. Ali nascia, sem dúvida nenhuma, meu grande ‘mestre’”.

Com Milton Nascimento, teve seu ponto alto no álbum Milagre dos peixes, de 1973. Uma das gemas do repertório instrumental brasileiro, o disco surgiu a partir de uma dificuldade: a censura proibiu as letras do álbum, várias delas feitas em parceria com o cineasta moçambicano Ruy Guerra. Os efeitos vocais de Naná Vasconcelos se uniram aos vocalises de Milton.

No fim da década de 1970, ele formou o trio CoDoNa, com o trompetista Don Cherry e o sitarista Colin Walcott (o nome é formado a partir das iniciais dos integrantes). Juntos, lançam discos pela ECM no estilo definido como world jazz. De 1980 a 1983, Pat Metheny fez participações no trio.

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Foto de Gilberto Gil com Naná foi compartilhada nas redes sociais. Foto: Twitter/Reprodução
Foto de Gilberto Gil com Naná foi compartilhada nas redes sociais. Foto: Twitter/Reprodução


“Além de ser um dos melhores percussionistas, Naná foi também uma pessoa maravilhosa. A todo lugar a que ia (com um berimbau no ombro), fez amigos e trouxe alegria para quem estava ao seu redor. A risada e a habilidade de levar felicidade para qualquer situação ultrapassavam barreiras. E que músico incrível. Enquanto eu me encaminhava para uma música mais e mais elétrica, sentia que era importante equilibrá-la com um som natural e Naná pôde oferecer isso de uma maneira perfeita, inclusive na maneira com que usava sua voz. Nós todos vamos realmente sentir falta dele”, escreveu Pat no Facebook.

A experiência internacional do músico ainda inclui a condução de conjuntos de câmara, orquestras sinfônicas e a idealização do PercPan, em Salvador, um dos principais festivais internacionais dedicados à percussão realizado anualmente.

A ligação com a música pernambucana seria retomada em 1999, com o lançamento de Contaminação, cujo repertório tinha, entre outras faixas, A seca, com participação de Alceu Valença. Em 2000, foi dele os arranjos do primeiro álbum da extinta banda Cordel do Fogo Encantado, disco responsável por lançar nacionalmente o grupo.

Em 2015, Naná lançou um projeto com o cantor Zeca Baleiro e Paulo Lepetit chamado Café no bule. As dez canções foram compostas em encontros em São Paulo, por telefone e email. Os outros dois músicos homenagearam o percussionista com uma faixa chamada Canção de Naná. “O Café no bule foi o trabalho mais prazeroso que a gente realizou, e a gente ainda teve a expectativa de continuar, levando o show ao palco quando ele melhorasse. O projeto se chamava Tirando satisfação - era o objetivo mesmo: um trabalho de três amigos. Ele era uma pessoa magnífica. Só de estar no mesmo ambiente que ele, já se aprendia. Foi o maior representante da percussão no país. Perdemos um inventor e todas as futuras invenções dele”, disse Paulo Lepetit.

Naná (ao fundo) em apresentação com Milton Nascimento. Foto: YouTube/Reprodução
Naná (ao fundo) em apresentação com Milton Nascimento. Foto: YouTube/Reprodução


Irmão
O talento de Naná se estente ao irmão, Erasto. Ele já se apresentou com Gilberto Gil, Gal, Stan Getz, morou em Nova York, nos anos 1960, e lançou disco com Márcio Montarroyos e Hermeto Pascoal (Stone alliance). O primeiro álbum solo só saiu em 2005, Jornal da Palmeira, com produção de Fábio Trummer, vocalista da banda Eddie.

Discos inéditos

Músico incansável, Naná Vasconcelos compunha até mesmo no hospital onde ficou internado. De acordo com a esposa e produtora, Patrícia Vasconcelos, ele deixou quase finalizado um álbum batizado de Budista afrobudista (inspirado em uma reportagem de 2015 do jornal argentino La Nación, intitulada El budista afro de la percusión. “Ele achou bonito e disse: ‘Vou fazer uma música disso’”, ela afirmou. Na unidade de saúde, ele já havia composto Amém, amém. Ainda internado, recebeu colegas Egberto Gismonti e Gil Jardim, para trocar ideias sobre novos trabalhos. O amigo e parceiro Yamandú Costa guarda um projeto inédito gravado com Naná Vasconcelos ao vivo em São Paulo, mas sem previsão de lançamento.



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