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Estreia Temática do filme As Sufragistas continua atual 100 anos depois Em cartaz nos cinemas, As Sufragistas reconstitui a luta das mulheres inglesas pelo direito ao voto

Por: Júlio Cavani - Diario de Pernambuco

Publicado em: 25/12/2015 08:13 Atualizado em: 24/12/2015 17:28

Carey Mulligan interpreta líder política que foi perseguida pelo governo. Foto: Universal/ Divulgação
Carey Mulligan interpreta líder política que foi perseguida pelo governo. Foto: Universal/ Divulgação
 
As sufragistas é um filme que ainda continua atual, apesar de retratar um episódio ocorrido no início do século passado. O tema é a batalha das mulheres da Inglaterra pelo direito de votar. A ação é ambientada em 1913, quando houve um acirramento na tensão entre as ativistas e as autoridades do governo, que usavam a violência policial e a tortura para reprimir protestos e reuniões. Foi um momento fundamental para uma conquista que só se concretizou em 1918 no Reino Unido (e em 1932 no Brasil), mas que ainda é uma luta contemporânea em países como a Arábia Saudita.

Ao concentrar a trama em torno da vida de Maud Watts (interpretada por Carey Mulligan), o filme mostra como uma vítima pode transformar-se espontaneamente em uma peça fundamental em um processo de revolução. A personagem (real) começa a participar do movimento sufragista por curiosidade, quase por acidente, mas aos poucos se vê totalmente envolvida ao ponto de tornar-se uma das líderes. A escolha dela como protagonista da trama reforça a ideia de que todas as envolvidas são essenciais, nos diferentes níveis de participação, para as transformações políticas e sociais.

Meryl Streep participa do elenco no papel da revolucionária Emmeline Pankhurst. Ela aparece no filme rapidamente, mas com bastante força (tanto pela interpretação da atriz quanto pelo discurso). As atrizes Anne-Marie Duff e Helena Bonham-Carter vivem as importantes personagens Edith Ellyn e Violet Miller (uma das maiores mártires do sufragismo feminino). Praticamente todos os homens agem de forma desprezível, como deve ter acontecido na realidade (que pode ter sido ainda pior).

O filme é bastante formal, mas torna-se contundente por causa dos assuntos ainda bombásticos. Além do direito de votar, a presença das mulheres no governo, como representantes do povo, também continua em discussão no mundo. É algo que países como o Brasil, por exemplo, ainda não assimilaram totalmente, como demonstram episódios bastante recentes de preconceito contra ministras e contra a própria presidente. A própria conscientização sobre o voto direto e universal também é um tema urgente em tempos de ameaças contra resultados de eleições supostamente democráticas.


SAIBA MAIS
- Dirigido pela cineasta Sarah Gavron, As sufragistas foi o grande vencedor do Women Film Critics Circle Awards, premiação norte-americana dedicada a filmes sobre mulheres e feitos por mulheres. O brasileiro Que horas ela volta?, de Anna Muylaert, ganhou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro.

- Estão abertas até 8 de janeiro as inscrições do concurso Cabíria, criado pela cineasta brasileira Marília Nogueira, que premiará roteiros de longas-metragens sobre personagens femininas (escritos em português, espanhol ou inglês). O vencedor receberá R$ 10 mil.

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