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Entrevista FIG 2015: cantora diz em entrevista como passou de Maria de Fátima a Joanna Em atividade com crianças em Garanhuns, a diva da MPB lembrou momentos da infância, carreira e adiantou projetos musicais

Por: Marina Simões - Diario de Pernambuco

Publicado em: 22/07/2015 20:20 Atualizado em: 22/07/2015 20:06

Cantora Joanna conversa com professores e alunos de escola público em Garanhuns. Foto: Secult-PE/Fundarpe/Divulgação (Foto: Secult-PE/Fundarpe)
Cantora Joanna conversa com professores e alunos de escola público em Garanhuns. Foto: Secult-PE/Fundarpe/Divulgação

Ela já não atende ao ser chamada pelo nome de batismo, Maria de Fátima Gomes Nogueira. Antes de ser lançada testou Fátima de Nogueira, Nina Fátima, mas todos foram recusados pelo produtor, na época, Artur Laranjeiras. “Queria manter meu nome, mas nessa época tinham umas oito Fátimas. Aí ficamos entre Joana, Mariana e Juliana”, explica a cantora Joanna, que incluiu um N para dar um charme a mais. E deu certo. 

 Aos 58 anos a cantora carioca participou de encontro com professores e alunos da Escola Estadual São José, em Garanhuns, dentro da programação do FiG. Descontraída, a artista respondeu perguntas sobre a carreira e agradeceu as demonstrações de carinho. Ela relembrou episódios do início da infância, dos tempos da escola, contou como recebeu o nome artístico, falou sobre a importância da educação na construção do país e deu detalhes do próximo projeto de inéditas, intitulado Casa, que pretende lançar ainda este ano, junto com um DVD. 

Joanna foi recebida no local por alunos cantando Fazendo falta e se emocionou com a troca de experiências. “Essa oportunidade não é única apenas para vocês, é para mim também. É muito bom estar aqui e poder responder às perguntas e mostrar um pouco de mim para vocês”, afirmou. 

Inéditas
Estou adiando esse projeto desde o ano passado. Tenho muita coisa para explorar e pretendo botar com toda força meu lado compositora nesse trabalho. Irei trazer novidades com parceiros antigos e novos. Já fiz muitas regravações e estou no momento de fazer um CD que seja expressivo e autoral. A única coisa que tenho definida é o nome do disco, Casa, um exercício de volta para casa. 

Paixão pela música
Lembro que aos 12 anos ganhei meu primeiro violão de presente da minha mãe. E aprendi os primeiros acordes com meu irmão, que não era músico profissional, mas foi ele quem me passou essa vontade de querer compor e cantar. Antes disso, eu escrevia poemas, e lembro que meu olhar sempre foi muito forte para o lado da música. Meu pai era violonista, minha mãe gostava de cantar. Tenho uma família que gostava e ainda gosta de música.

Joanna foi uma das sensações do FIG 2015. Foto: Secult-PE/Fundarpe/Divulgação
Joanna foi uma das sensações do FIG 2015. Foto: Secult-PE/Fundarpe/Divulgação
 Infância
Eu era a rainha de chegar atrasada. Tinha motivo para chegar tarde. Quando perdia o ônibus das 6h30 da manhã tinha que ir a pé. Nesse dia, era prova de ciências, e a monitora era um demônio. O que fiz? Pulei o muro, fui descoberta e não consegui fazer a prova. Perdia muito a hora, ficava na rua até tarde soltando pipa e pião. Mas fui boa aluna e esforçada. Sempre me destaquei como primeira voz do coral da escola. Larguei meus estudos no terceiro ano de administração de empresas para me dedicar à música. Quando os números musicais falaram mais alto. 

Educação
A educação é a coisa mais importante da vida do ser humano. Se tivesse esse pilar firme, não estaríamos vivendo esse desajuste social. Para papai e mamãe priorizavam o ensino na vida da gente. Podia faltar tudo, menos a educação. Eu estudei em escola pública e acho que temos como continuar assim. Minha Irmã é professora e sei o grande esforço que se tem nessa profissão, o que os professores passam dentro das escolas. Mas torço muito que a educação do Brasil possa oferecer uma educação de qualidade. 

Primeira vez no rádio
A primeira vez que me ouvi no rádio tinha 22 anos, agora estou com 23 (risos). Já cantava na noite, fazia fotografia, trabalhava em uma boate, o que aparecesse. Nessa época, dividia um apartamento em Copacabana com mais dois rapazes. Mas o homem da casa era eu. Eu que mandava em todos eles. Eram dois compositores. Lancei meu primeiro sucesso Descaminhos, em 1979. Lembro que estava sozinha, neste apartamento, cozinhando um arroz, quando ouvi uma voz no rádio. Era eu. Não acreditei e fui mais perto do rádio. Estava em primeiro lugar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Chorei copiosamente. Foi um momento muito importante na minha vida. 

Romantismo
Essa coisa da música é muito mágica. A gente nunca sabe dimensionar onde a palavra cantada vai chegar. Para gente é um grande mistério. Sempre digo que cantar é semear luzes nos corações das pessoas. A música é representativa na vida das pessoas, é muito poderosa, e pode mudar o universo. A escolha das canções e de ser uma cantora que levanta a bandeira das palavras foi natural no decorrer da minha vida. O tempo todo tenho conseguido atingir o coração das pessoas através da verdade, nesses 37 anos de carreira. O amor é um sentimento que completa as pessoas. Certamente sou protagonista das histórias que canto. Acredito muito na bandeira do amor. É esse sentimento que eleva a gente.

Parcerias 
Isolda é uma gracinha de pessoa e minha parceira há alguns anos. A letra de Íris – uma versão de música italiana- é dela. Mas a ideia de fazer foi minha. Eu estava em turnê na Europa e tive a felicidade de cruzar com a mesma produtora do cantor Biagio Antonacci, grande nome da música italiana. Quando ouvi essa música fiquei apaixonada. E pensei que merecia uma versão. Fui ao camarim e ele autorizou. Mas não quis me arriscar em fazer, e dei a Isolda, uma expert de versões. Gravei a minha parte com o Biagio em Lisboa. Foi um prazer trazer a voz desse artista para o Brasil.

Processo de composição
Há momentos especiais que você compõe imediatamente. A música brota naturalmente. Posso citar dois exemplos: a música Momentos, parceria com Sarah Benchimol - em um dia a música foi feita. E Loucura, também com Sarah - foi tema de novela com Couby Peixoto -foi uma música encomendada e ficamos uma noite inteira compondo. Particularmente, gosto de compor à noite. O silencio me inspira. Também sou uma pessoa que adora parceiros. Não gosto de compor sozinha. Gosto de outras cabeças pensando e isso me incita a fazer novas canções.

Discos religiosos
Eu sou uma cantora de música popular brasileira. As pessoas se confundem, acham que eu mudei de estilo. Mas não é isso. Foram apenas dois momentos paralelos na minha carreira. Os dois CDs tiveram motivos especiais. O primeiro, Joanna em oração (2002), é um disco que dedico à minha mãe. Sou uma Mariana e com esse disco pude reviver canções ligadas à Maria. Esse CD foi feito numa época em que minha mãe estava com problema de saúde. Prometi que se ela ficasse boa, faria a doação para a Igreja Nossa Senhora Aparecida. E, graças a Deus, ela ficou boa. São canções que me remetem a um passado muito bonito e onde fui criada. E depois, o segundo, foi fruto da minha amizade com o Padre Zezinho, um grande teólogo e pessoa que tem uma palavra que sempre me convenceu. Em nome de Jesus (2011), homenageando os 45 anos do Padre Zezinho. Foram projetos isolados. E acredito que não farei mais nada direcionado às canções cristãs. 


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