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MPB Maria Bethânia comemora 50 anos de carreira com show de 41 músicas Cantora baiana se apresenta neste sábado, no Teatro Guararapes, em sessão única com ingressos esgotados em duas horas

Por: Luiza Maia - Diario de Pernambuco

Publicado em: 27/06/2015 08:00 Atualizado em: 26/06/2015 20:08

Repertório mescla canções e poemas. Foto: Alexandre Moreira/Divulgação
Repertório mescla canções e poemas. Foto: Alexandre Moreira/Divulgação
Este é um ano de gratidão para Maria Bethânia. Consagrada como uma das principais intérpretes da música brasileira, a cantora baiana comemora os 50 anos de carreira com incontáveis tributos, como a emocionante cerimônia do 26º Prêmio da Música Brasileira e o enredo da escola de samba Mangueira - Maria Bethânia: A menina dos olhos de Oyá - desenvolvido para 2016.

Confira o roteiro de shows no Divirta-se

Na próxima quinta-feira, estreará no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, a exposição Maria de todos nós, com obras de vários artistas, projeções em vídeos, arquivos de áudio, fotografias, cadernos de joias, bordados e entalhes feitos por ela distribuídos em 12 salas. Até o fim do ano, será lançado o livro-DVD de Bethânia e as palavras, recital que abriu a Festa Literária de Pernambuco (Fliporto), em 2012.

A turnê Abraçar e agradecer é o presente da artista para os fãs. Em roteiro assinado por ela, direção e cenografia de Bia Lessa e produção musical de Guto Graça Mello, Bethânia entrelaça, em trajes dourados, durante quase duas horas divididas em dois atos, 41 canções e oito textos dela, de Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Waly Salomão e outros.

Compositores importantes na trajetória dela, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Dorival Caymmi, Tom Jobim, Gonzaguinha e Roque Ferreira foram selecionados, além de outros mais jovens, como Leandro Fregonesi, Márcia Siqueira e Flávia Wenceslau, e os pernambucanos Luiz Gonzaga (Qui nem jiló, com Humberto Teixeira), Dominguinhos e Nando Cordel (Gostoso demais).

Maria Bethânia começou a carreira aos 17 anos, no espetáculo "Opinião", no Rio de Janeiro.
Maria Bethânia começou a carreira aos 17 anos, no espetáculo "Opinião", no Rio de Janeiro.
Eu te desejo amor, versão de Nelson Motta para música de Charles Trenet, inserida na trilha sonora da novela Babilônia, e Non je ne regrette rien (Michel Vancair e Charles Dumont), imortalizada por Edith Piaf e, no Brasil, conhecida também em versão de Cássia Eller, também estão no repertório. Os ingressos para a única sessão no Teatro Guararapes, hoje, às 21h, acabaram em menos de duas horas, mas, em setembro, o espetáculo será registrado para lançamento em CD e DVD.

Carcará, de João do Vale e José Cândido, a música que a consagrou como artista, não está no setlist divulgado. Naquele 13 de fevereiro de 1965, a baiana franzina de apenas 19 anos vinda de Santo Amaro da Purificação substituiu Nara Leão no show Opinião, na capital carioca. Era tão “matuta” que foi acolhida pelo casal Glauber e Rosinha Rocha para não ter de se hospedar em um hotel.

Tímida, no palco no Teatro Opinião, deu o primeiro passo para se cravar na história da música do país. Ainda em 1965, lançou o LP Maria Bethânia, marco ainda das duas primeiras canções gravadas do irmão, Caetano Veloso - De manhã e Sol negro - e do primeiro registro de Gal Costa, em Sol negro. Eles e o conterrâneo Gilberto Gil também estão envolvidos em celebrações dos cinquentenários de carreira. Gil e Caetano com turnê conjunta que estreou na quinta-feira, em Amsterdã, capital holandesa, e não tem data para vir a Pernambuco.

A intimidade com a verve cênica e a paixão pela poesia conduzem os shows, especialmente após Rosa dos ventos, início da parceria com o diretor Fauzi Arap, morto em 2013. Inspirado no fogo, na água, terra e no ar, os elementos primordiais da natureza, foi o primeiro com trechos de Fernando Pessoa e Clarice Lispector - a escritora cedeu Água viva à cantora antes mesmo de ser lançado - e tornou mais sinuosos os limites entre teatro e música no palco.

A Abelha Rainha orgulha-se de ter conduzido a carreira como quis e ainda ostenta o título de primeira brasileira a vender um milhão de cópias, com Álibi (1978). Responsável por versões sacramentadas de ícones da MPB, dedicou um álbum inteiro às composições de Erasmo e Roberto Carlos, gravou Zezé di Camargo & Luciano e cantou Bruno & Marrone. Com o patuá no pescoço e os pés descalços, tem apenas, como diz o título, a agradecer.

Confira o roteiro do show

Ato 1

1. Eterno em mim (Caetano Veloso, 1996)
2. Dona do dom (Chico César, 2001)
*  Texto de autoria de Maria Bethânia
3. Gita (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
4. A tua presença morena (Caetano Veloso, 1971)
5. Nossos momentos (Caetano Veloso, 1982)
* Texto de autoria de Clarice Lispector
6. Começaria tudo outra vez (Gonzaguinha, 1976)
7. Gostoso demais (Dominguinhos e Nando Cordel, 1986)
8. Bela mocidade (Donato Alves e Francisco Naiva, 1997)
9. Alegria (Arnaldo Antunes, 1995)
10. Voz de mágoa (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 2015)
11. Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959)
12. Você não sabe (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1983)
13. Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973)
14. Meu amor é marinheiro (Alan Oulman sobre versos de Manuel Alegre, 1974)
15. Todos os lugares (Sueli Costa e Tite de Lemos, 1996)
*   Texto Depois de uma tarde..., de Clarice Lispector (1920 - 1977)
16. Rosa dos ventos (Chico Buarque, 1971)
Interlúdio
17. Até o fim (Chico Buarque, 1978)
18. O quereres (Caetano Veloso, 1984)
19. Qui nem jiló (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950)
20. Pisa na fulô (João do Vale, Silveira Júnior e Ernesto Pires, 1957) - Instrumental banda

Ato 2

21. Tudo de novo (Caetano Veloso, 1978)
22. Doce (Roque Ferreira, 2008)
23. Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi, 1972)
24. Eu e água (Caetano Veloso, 1988)
25. Agradecer e abraçar (Gerônimo e Vevé Calazans, 1999)
26. Vento de lá e Imbelezô eu (Roque Ferreira, 2007)
27. Folia de Reis (Roque Ferreira, 2014)
28. Mãe Maria (Custódio Mesquita e David Nasser, 1943)
*    Texto Câmara de ecos, de Waly Salomão (1943 - 2003)
29. Eu, a viola e Deus (Rolando Boldrin, 1979)
30. Criação (Chico Lobo, 1996)
31. Casa de caboclo (Roque Ferreira e Paulo Dafilin, 2014)
*     Texto Candeeiro, de Carmen L. Oliveira
32. Alguma voz (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 2014)
*    Maracanandé (canto tupi) - na voz em off de Márcia Siqueira
35. Xavante (Chico César, 2014)
36. Povos do Brasil (Leandro Fregonesi, 2014)
37. Motriz (Caetano Veloso, 1983)
*    Texto Prece, de Clarice Lispector (1920 - 1977)
38. Viver na fazenda (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 2015)
39. Eu te desejo amor (Que reste-t-il de nos amours?) (Charles Trenet e Léo Chauliac, 1942, em
versão de Nelson Motta, 2015)
* Texto Sou eu mesmo o trocado, de Fernando Pessoa (1888 - 1935)
40. Non, je ne regrette rien (Charles Dumont e Michael Vaucaire, 1956)
41. Silêncio (Flávia Wenceslau, 2015)


ALGUMAS DATAS DA ABELHA RAINHA

1965 - Estreia profissionalmente no espetáculo Opinião, substituindo Nara Leão, ao lado de João do Vale e Zé Keti, e causa impacto ao interpretar Carcará. Lança o primeiro LP, homônimo, pela RCA.

1967 - De volta ao Rio - passou temporada na Bahia após o sucesso de Opinião - estrela show na boate Barroco, em Copacabana, que vira disco.

Com o Doce Bárbaros, na década de 1970, Gal Costa, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Caetano Veloso comemoraram 10 anos de trajetória. Foto: Arquivo/CB/D.A Press
Com o Doce Bárbaros, na década de 1970, Gal Costa, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Caetano Veloso comemoraram 10 anos de trajetória. Foto: Arquivo/CB/D.A Press
1971 - Cumpre temporada com Rosa dos ventos, mítico show com canções de Dorival Caymmi, Chico Buarque, Caetano Veloso e poemas de Fernando Pessoa e Clarice Lispector, também lançado em LP.

1975 - Divide com Chico Buarque temporada no Canecão, registrado em disco com o nome da dupla.

1976 - Roda o país em turnê dos Doces Bárbaros, grupo formado com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, para comemorar os 10 anos de carreira deles.

1979 - Com Álibi, torna-se a primeira brasileira a vender um milhão de cópias. Ronda, Negue, Explode coração e Sonho meu estão entre as faixas.

1990 - Comemora 25 anos de trajetória com disco que traz a data no título.

1994 - Homenageia a dupla Erasmo e Roberto Carlos com o disco As canções que você fez para mim.

2000 - Integra o casting da Biscoito Fino, pela qual lança Maricotinha ao vivo. Passa a dirigir o selo Quitanda, responsável pelos CDs de três artistas que admira: Dona Edith do prato, Mart’nália e Paulo César Pinheiro.

2006 - Saem os álbuns Pirata e Mar de Sophia. Um ano depois, DVD duplo com os documentários Pedrinha de Aruanda e Bethânia bem de perto, nos 60 anos dela.

2008 - Lança CD com a cubana Omara Portuondo, do Buena Vista Social Club.

2012 - No recital Bethânia e as palavras, declama textos de Antônio Ramos Rosa, Cecília Meirelles, Guimarães Rosa e Manoel Bandeira, entremeados por canções, como ABC do Sertão, de Luiz Gonzaga.

2014 - Lança o CD Meus quintais e o CD e DVD O vento lá fora, com poemas de Fernando Pessoa lidos por ela e Cleonice Berardinelli, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

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