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São João Chamego, baião, xote: as várias facetas do gênero que imortalizou Luiz Gonzaga Durante os festejos juninos, um passeio pelas primeiras relíquias musicais deixadas pelo Rei do Baião

Por: Luiza Maia - Diario de Pernambuco

Publicado em: 23/06/2015 08:15 Atualizado em: 22/06/2015 20:27

Rei do Baião, Gonzaga lançou chamegos, seridós, toadas, xotes e músicas de vários outros ritmos. Foto: Arquivo/CB/D.A Press
Rei do Baião, Gonzaga lançou chamegos, seridós, toadas, xotes e músicas de vários outros ritmos. Foto: Arquivo/CB/D.A Press
A disputa oficial pelo primeiro forró lançado tem dois protagonistas. Forró na roça, de 1937, canção do cearense Xerém e Manoel Queiroz, está em um disco de cera do acervo do pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo e é defendida como pioneira pela Associação Cearense do Forró. Forró de Mané Vito, de 1950, composta por Luiz Gonzaga e Zé Dantas, é sustentada pela Sociedade dos Forrozeiros Pé-de-serra e Ai.

Forró pode ser o ritmo nordestino mais acelerado que o baião e mais lento que o xote e vaneirão ou a festa. O conceito mais aceito - gênero que agrega vários ritmos, como xote, baião, xaxado, chamego, marchinha junina e arrasta-pé -, entretanto, remeteria a músicas ainda mais antigas. “A partir da música Baião, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, começou a se formar o que hoje nós chamamos de forró. A música ainda estava se constituindo”, esclarece Climério de Oliveira Santos, cantor, compositor e pesquisador cujo trabalho de doutorado foi dedicado ao gênero. 

A consolidação gradativa dos ritmos pode ser claramente diagnosticada através dos discos lançados pelo principal responsável pela difusão da música nordestina em meados do século 20. Na internet, no portal Luiz Lua Gonzaga (www.luizluagonzaga.com.br), mantido pelo colecionador e pesquisador Paulo Vanderley, as canções são separadas por ano e podem ser escutadas em streaming.

As relíquias podem ser ouvidas também na Fonoteca da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), na Avenida Dezessete de Agosto, 2187, Casa Forte. O acervo conta com mais de 14 mil discos e alguns dos primeiros registros de Nelson Gonçalves, Camarão, Jackson do Pandeiro, Claudionor Germano e Jacinto Silva, além do Rei do Baião. Os visitantes podem até solicitar cópias gratuitas dos álbuns, diariamente, das 8h às 12h e das 14h às 18h.

Dominguinhos contava que vem da marcação da zabumba a diferenciação do forró. Foto: Daryan/Divulgação
Dominguinhos contava que vem da marcação da zabumba a diferenciação do forró. Foto: Daryan/Divulgação
A linha entre os subgêneros do forró é muito tênue. O próprio Gonzagão, nos discos (que traziam, junto com a música, o ritmo), modificava a definição. Ironicamente, Forró de Mané Vito foi a primeira música gravada por ele sem a classificação estampada no rótulo do 78 rotações. Forró do Zé Tatu (1955), a segunda com o termo no título, é um rojão, de acordo com o próprio Gonzaga. “O fato de ter forró no título não quer dizer que seja um forró”, pondera o etnomusicólogo e professor da Universidade Federal de Pernambuco Carlos Sandroni. Forró no escuro foi a primeira a ser lançada já como forró, em 1958, e era a escolhida pelo principal herdeiro musical dele, Dominguinhos, para exemplificar o ritmo.

Antes de ser coroado Rei do Baião, Gonzagão tentou emplacar outros estilos, alguns já cantados, como a toada e o xaxado, outros inéditos, como o chamego e o seridó. “Naquela época, eles estavam inventando os conceitos. Com o tempo, foram fechados. Ele estava tentando introduzir um ritmo nordestino na música brasileira. O primeiro que ele tentou emplacar foi o chamego, mas vieram outros, como baião, xaxado”, explica Vanderley. Com o passar dos anos, os ritmos foram abrigados no imenso guarda-chuva chamado forró, atualmente ampliado, sob protestos e polêmicas, com o forró universitário, eletrônico ou estilizado.

As pioneiras

Vira e mexe (1941) - Primeiro chamego que Gonzagão tentou emplacar, é um choro mais acelerado. Em 1958, ganhou letra e foi intitulado xamego. Já Pé de serra (1942) virou o xote No meu pé de serra.

Baião (1946) - Gravado antes pelo grupo Quatro Ases e um Coringa, a música, dele com Humberto Teixeira, é a apresentação do ritmo. Foi gravada por Gonzagão apenas em 1949.

Asa branca (1947) - Atualmente considerada como um dos hinos do Nordeste, foi lançada como toada, gênero comum entre cantadores do interior de Minas Gerais e São Paulo. Na segunda gravação, em 1952, “virou” baião.

Seridó (1949) - Como baião, o seridó ganhou uma música de apresentação. “Nós ja cantemos o baião e o pé-de-serra, e a Asa branca que vem lá da nossa terra. Mas nós agora temos coisa bem melhor, temo a nova dança que se chama seridó”, dizia a letra do ritmo que não emplacou e acabou escanteado.

Forró de Mané Vito
(1950) - Apesar de ser considerado o primeiro forró, foi lançado sem ritmo especificado. Apenas em 1959, no LP Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zé Dantas, enquadrou a composição dos dois.

Vamos xaxear (1952) - Parceria com Geraldo Nascimento, é o primeiro xaxado dele. O mais famoso, entretanto, foi Olha a pisada, um misto de baião e xaxado com o qual participou do filme Hoje o galo sou eu.

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