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Literatura Literatura para mamães: conheça o gênero "mom lit", novato nas estantes do Brasil Sucesso no exterior, gênero ainda não se firmou na produção do mercado editorial brasileiro - embora títulos estrangeiros vendam bem por aqui

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 09/05/2015 10:10 Atualizado em: 08/05/2015 18:46


Gênero "mom lit" ainda não chegou com força ao Brasil. Foto: Paulo Paiva/DP/DA Press
Gênero "mom lit" ainda não chegou com força ao Brasil. Foto: Paulo Paiva/DP/DA Press


Uma heroína imperfeita, humana, muitas vezes traída pela sorte e, sobretudo, mãe. É o perfil das protagonistas do gênero mom lit, uma “evolução” do chick-lit, centrado nos dilemas e peculiaridades da figura materna. Reconhecido nas prateleiras estrangeiras, especialmente nas norte-americanas, esse perfil literário ainda não cravou espaço no Brasil. Embora títulos-símbolo - como Melancia, de Marian Keys, e Coração de mãe, de Jodi Picoult - reproduzam nacionalmente parte do sucesso obtido nos países de origem, chegam às estantes brasileiras agrupados em outros subgêneros, como romance, drama ou mesmo o original chick-lit. Procuradas, Intrínseca, Novo século, Rocco e Leya - editoras cujo catálogo é recheado de títulos dentro do universo chick-lit - têm até dificuldade em apontar os títulos mom lit no acervo.

Enquanto confunde uns, a nomenclatura específica ajuda outros - especialmente leitores - a encontrar livros semelhantes àqueles que já os agradam. Segundo o agente literário brasiliense Andrey do Amaral, ligado à editora Novo Século, as denominações servem para guiar o público e, ainda, criar novos nichos. “Por isso, muitas vezes, títulos originalmente classificados em determinado gênero são relançados em outro. Um chick-lit volta às prateleiras como mom lit, ganhando novo fôlego e assim por diante”, explica. Para ele, a “literatura para mamães” tem potencial de virar tendência no país em alguns anos. “Mas sempre existiu, embora sem essa nomenclatura”, reforça, citando os clássicos de Machado de Assis e José de Alencar, cujas narrativas focam na mulher como figura central da família.

Os títulos contam histórias voltadas para protagonistas que também são mães. Foto: Paulo Paiva/DP/DA Press
Os títulos contam histórias voltadas para protagonistas que também são mães. Foto: Paulo Paiva/DP/DA Press
Além dos romances, a pesquisadora e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Nelly Carvalho ressalta que a poesia brasileira do século 20 também abriu espaço às mães, mas não como figura central. Cita, como exemplo, o poema Infância, de Carlos Drummond de Andrade (“Minha mãe ficava sentada cosendo / olhando para mim”). E pondera: “Hoje em dia, as mulheres ganham contornos mais eróticos ou são abordadas no mundo dos negócios, sob perspectiva mais moderna. Não tenho visto uma fatia do mercado literário nacional restrita à figura das mães, com enredo voltado para essa condição.”

Para as mamães, a identificação com protagonistas maternais gera a empatia que outros romances com heroínas sem filhos pode não provocar. “No começo da minha primeira gestação, li o manual Sinceramente grávida, de Juliana Lins, que aborda a maternidade com bom humor”, conta a administradora Amanda Ferreira, que lê tudo sobre o assunto. Mas quem procura um título com selo de identificação nacional nem sempre acha. Por enquanto, a identificação de um mom lit vem lá do exterior.

>> OS ESCRITORES
O gênero mom lit ainda não tem um autor consagrado como expoente máximo do gênero, mas é representado por nomes como Marian Keyes, Jodi Picoult, Carmem Reid, Allison Pearson, Ariella Papa e Liane Moriarty.

>> QUE TAL ARRISCAR?
Melancia, de Marian Keyes: conta a história de Claire, abandonada pelo marido após o nascimento da filha, aos 29 anos.

Repouso absoluto
, de Sarah Bilston: narra a rotina da bem sucedida advogada britânica Quinn Boothroyd, grávida e “presa” ao sofá.

Coração de mãe
, de Jodi Picoult: apresenta os dilemas da jovem Paige, envolvida com um ambicioso médico, após gravidez inesperada.

O chá de bebê de Becky Bloom, de Sophie Kinsella: fala sobre Becky, que se descobre grávida, e o marido Luke, se preparando para a chegada do bebê.

Um babá em minha vida, de Holly Peterson: narra o envolvimento do babá Peter Bailey com a família da jornalista Jamie Whitfield.

Os livros têm mais reconhecimento no exterior, mas começam a chegar no Brasil com sucesso razoável. Fotos: Divulgação
Os livros têm mais reconhecimento no exterior, mas começam a chegar no Brasil com sucesso razoável. Fotos: Divulgação


>> POR DENTRO DO MOM LIT


Essência
O mom lit é um gênero cujo enredo se desenrola ao redor de uma figura materna, que sempre está entre as protagonistas do romance. Agrega as inseguranças da maternidade aos dilemas da mulher moderna abordados no gênero chick-lit.

Conflitos
Inseguranças relacionadas à maternidade, envolvendo autoestima, vida sexual, carreira, saúde gestacional e educação dos filhos.

Personagens
A mãe é a figura central e, consequentemente, os filhos co-protagonizam as tramas. Há também o romance, representado pelo par romântico da mãe, não necessariamente pai das crianças.

Enredos

Os romances envolvem, geralmente, o desafio das protagonistas em equilibrar vida pessoal e profissional, relacionamentos amorosos, ambições e maternidade.

Perfil

As protagonistas costumam ser humanas, dotadas de características positivas, mas cheias de inseguranças. Cometem erros, se recuperam e amadurecem ao longo da história.








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