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Televisão Dramaturgo pernambucano João Falcão diz como a trilha de Amorteamo foi construída Escritor fez supervisão musical da obra, ao lado do compositor pernambucano Juliano Holanda

Por: Fernanda Guerra - Diario de Pernambuco

Publicado em: 08/05/2015 21:00 Atualizado em: 08/05/2015 19:10

O diretor mora no Rio de Janeiro, mas acompanha a produção musical do estado natal. Foto: TV Globo/Divulgação (Foto: TV Globo/Divulgação)
O diretor mora no Rio de Janeiro, mas acompanha a produção musical do estado natal. Foto: TV Globo/Divulgação
O recifense João Falcão consegue imprimir resquícios da cultura pernambucana em suas produções, sobretudo em trilhas sonoras. Desde 1999 na TV Globo, o dramaturgo já participou de obras como O auto da Compadecida, Sexo frágil, Clandestinos: O sonho começou e Louco por elas. Além do roteiro, também se envereda no trabalho de produção musical na tevê, no cinema e no teatro. Entre os trabalhos, as trilhas da adaptação da obra de Ariano Suassuna, o filme Lisbela e o prisioneiro e a série Amorteamo, que estreia nesta sexta-feira, na TV Globo, após o Globo repórter.

No seriado que se passa no Recife assombrado do início do século 20, a concepção musical foi feita com o compositor pernambucano Juliano Holanda. Músicas inéditas e novas versões de antigas, como Altas madrugadas e Ouriço, algumas delas interpretadas por Letícia Sabatella, fazem parte da trilha sonora da produção com roteiro de Guel Arraes, Newton Moreno e Claudio Paiva e direção de Flávia Lacerda. Em entrevista ao Viver, João comenta o processo da produção.

Como foi pensada a trilha sonora da série?
Quando conheci Juliano, eu fiquei muito impressionado com o talento dele. Eu o conheci no Recife, depois de um show de Geraldo Maia, e tinha vários artistas. Zé Manoel (pianista) me deu um disco dele. Não consegui mais parar de ouvir. Quando Flávia (Lacerda) tava pensando em alguém para fazer a trilha sonora de Amorteamo, eu logo pensei nele. Achava que as canções de A arte de ser invisível (disco de estreia do compositor) tinham muito a ver com dramaturgia, cinema. O trabalho dele é muito cinematográfico. Tem muita imagem, não só nas letras, como nas melodias. Começamos a ver o roteiro e fomos descobrindo juntos.

A trama é de época, mas a trilha é contemporânea. Funcionou esse contraste?
A trilha tem uma importância para a trama, como em poucas obras. A trilha é contemporânea, mas é atemporal. A série tem uma linguagem contemporânea também. Tem uma abrangência atemporal. No caso da trilha, tem a pegada da música do Recife. Mas só na pedida de Juliano. Não é especialmente regional. É uma coisa mais universal. Poderia ser uma obra que se passasse em qualquer lugar. A trilha sonora vai muito mais pelo melodrama, pelo amor, que pelo assombrado.

Você acompanha a música local de Pernambuco?
É um lugar muito rico musicalmente. De todos os gêneros. Há muito tempo, deixou de ser só do Manguebeat. Depois do movimento, surgiu uma coisa de diversidade muito interessante. Eu sempre procuro escutar os novos. Nos últimos anos, fico muito impressionado com a produção musical do estado. Eu sou muito ligado à música. Às vezes, escrevo um roteiro já pensando no tipo de música que quero. Uma delas foi Eu menti pra você, de Karina Buhr, que virou tema da personagem Chandelly Braz.

>>Outras trilhas sonoras:
"O auto da Compadecida" teve trilha composta por SaGrama. Foto: TV Globo/Divulgação (Foto: TV Globo/Divulgação)
"O auto da Compadecida" teve trilha composta por SaGrama. Foto: TV Globo/Divulgação

O auto da Compadecida (1999):
A minissérie teve produção musical de João Falcão em parceria com o grupo SaGrama, de composições a sonoplastias. "João procurava um grupo de música da região que tivesse identificação com o tipo de obra de Ariano Suassuna. Queria algo mais cômico, com trejeitos nordestinos", lembra Sérgio Campelo. O grupo teve acesso a capítulos da produção para compor. Presepada, tema de João Grilo, ganhou mais evidência.

Louco por elas (2012-2013):
Apesar de não ser uma produção musical originalmente pernambucana, o seriado Louco por elas, de João Falcão, reunia algumas composições criadas no estado. Juliano Holanda, Geraldo Maia, Junio Barreto e Zé Manoel eram alguns artistas que tiveram composições associadas com os personagens. Do pianista, a música Valsa da ilusão apareceu no episódio em que Bento pedia Theodora em namoro.

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