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Especial Filme Central do Brasil era gravado em povoado do Sertão pernambucano há 18 anos Há quase duas décadas, Cruzeiro do Nordeste se tornou cenário para uma das produções mais prestigiadas do país. O "Viver" tomou a estrada para revisitar personagens cujas vidas se cruzaram com "Central do Brasil"

Por: Vinícius de Brito

Publicado em: 25/01/2015 08:00 Atualizado em: 27/01/2015 09:15

Fernanda Montenegro e o pequeno Vinícius de Oliveira, à época da gravação de "Central do Brasil" no estado. Crédito: VideoFilmes/Divulgação
Fernanda Montenegro e o pequeno Vinícius de Oliveira, à época da gravação de "Central do Brasil" no estado. Crédito: VideoFilmes/Divulgação

Uma gente de sotaque chiado disparava flashes por um lugar ermo do mapa brasileiro. O endereço é a encruzilhada da BR-232 com a PE-265, quase parada obrigatória dos forasteiros, mais conhecida como Cruzeiro do Nordeste - vilarejo nos arredores de Sertânia, município a cerca de 300 quilômetros do Recife. Ali, o roteiro de Central do Brasil, pensado pelo diretor Walter Salles, encontrou-se com as casinhas estreitas e abençoadas pelas mãos da estátua de "Padim" Padre Cícero.

"Cruzeiro do Nordeste foi escolhida depois de percorrermos cerca de 10 mil quilômetros entre Bahia, Ceará e Pernambuco. Nos encantamos pela cidade, a geografia, as casinhas e a gente", diz, hoje, a produtora da película, Elisa Tolomelli. No final de janeiro de 1997, aquele pedaço de Pernambuco iria se "travestir" de Bom Jesus do Norte, nome fictício de um dos longas brasileiros com maior projeção internacional - e o único do país a ser indicado ao Oscar em duas categorias fortes: melhor filme estrangeiro e melhor atriz.



Em uma viagem sem compromisso com efemérides, o Viver tomou a estrada para encontrar cidadãos cujas vidas se misturaram às filmagens do longa-metragem. Há 18 anos, o dono do único posto de gasolina local se descobriu cinegrafista e registrou um dos poucos making ofs não autorizados das gravações, um menino pobre virou guardião de Walter Salles, a diretora da escola municipal foi alçada à produção do longa, uma jovem professora começava a carreira duradoura de atriz e uma mulher que jamais tinha ido ao cinema contracenou com a dama da dramaturgia Fernanda Montenegro. Quatro moravam no distrito (e um, em Arcoverde) quando foram gravadas as últimas em Pernambuco, em março de 1997. Dois anos mais tarde, mordiam os lábios de apreensão quando o filme concorreu (e perdeu) em Hollywood.

Atores e figurantes filmaram longa de Walter Salles em Cruzeiro do Nordeste. Crédito: Globo Filmes/Divulgação
Atores e figurantes filmaram longa de Walter Salles em Cruzeiro do Nordeste. Crédito: Globo Filmes/Divulgação
A exposição internacional rendeu transformações à fictícia Bom Jesus do Norte. Vieram a água tratada nas torneiras e o calçamento no lugar da lama abundante de duas décadas atrás. O vilarejo, chamado Placas nos idos de 1960, quase homenageou o filme em uma proposta feita para rebatizá-lo - a ideia nunca vingou na Câmara de Vereadores de Sertânia. Da belle époque das filmagens, restou a lembrança: o cenário envelheceu, as montagens e objetos do longa se perderam e a rodoviária local - onde uma turba de figurantes rezou ao lado de Dora e Josué, personagens do filme - foi abaixo após rachar. A agência dos Correios do distrito, inaugurada dois anos após o filme e um dos elementos vitais para ilustrar a troca de cartas no enredo de Central do Brasil, permaneceu desativada por anos e só retomou as atividades em 2013. Um projeto para criar um memorial sobre as gravações adormeceu nas gavetas do Executivo local - a prefeitura silenciou ao ser indagada pelo Viver.

O percalço dos desafios sociais contrasta com a movimentação sob holofotes da época das filmagens, quando a população de quase sete centenas de pessoas acolheu por um mês carretas de equipamento e a equipe de produção do longa. A cenografia incluiu a criação de igreja, casa dos milagres, agência dos Correios e cabelereiro. "Montamos o cenário da festa, com inúmeras barraquinhas, usando mão de obra local. E a romaria foi composta por todos os habitantes de Cruzeiro do Nordeste e de pessoas vindas de cidades vizinhas. Eram 800 pessoas que trabalharam três noites inteiras como se fossem atores profissionais", recorda a produtora Elisa Tolomelli.

O enredo do filme caiu em Cruzeiro do Nordeste como luva para representar o drama regional de famílias separadas por precariedade e falta de acesso aos serviços básicos de cidadania. No longa, Fernanda Montenegro é a escritora de cartas Dora, que guia o menino Josué (Vinícius de Oliveira) até a cidade do pai, no Nordeste. Os dois se conhecem na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro, onde a mãe do menino pede a ela que envie uma carta ao esposo. Dias depois, a mulher morre, e a criança é levada pela escrevedora ao encontro da família em Bom Jesus do Norte. A história brilhou em festivais pelo mundo, obteve bilheteria de US$ 22,4 milhões e atraiu cinco milhões de espectadores. O valor de Central do Brasil, porém, não ficou restrito a público e prêmios. Os atores de primeira viagem, os figurantes e os ajudantes de Cruzeiro do Nordeste e das redondezas "tatuaram" a história do longa na pele.



+Perfis


Para  mainha, com amor
Wanderlucy Bezerra ditou uma carta em Central do Brasil, na estreia da carreira de 18 anos no cinema, teatro e televisão

Nascida em Arcoverde, no Sertão do estado, artista vive atualmente no Rio de Janeiro. Crédito: Wanderlucy Bezerra/Divulgação
Nascida em Arcoverde, no Sertão do estado, artista vive atualmente no Rio de Janeiro. Crédito: Wanderlucy Bezerra/Divulgação


Lucy Wander. Wander Lucy. Wanda Bezerra. Lucy Bezz. Lu Bezerra. Wanderlucy Bezerra vira a cabeça para quem a chama assim (Wan-der-lu-cy) há décadas, mas está em busca de um novo nome (artístico) desde 2014: "Quem acha que meu nome artístico deve mudar para Lucy Bezerra?". O nome de batismo dado pela mãe despontou nos créditos de Central do Brasil, filme de estreia. Antes, a sertaneja de Arcoverde passou pelos palcos do Rio de Janeiro, para onde foi aos 21 anos. Voltou ao Nordeste após a morte da mãe, para cuidar do pai. O filme ganhou significado especial. "O papel em si seria escrever carta para mainha", recorda.

No filme, ela dita para a personagem de Dora (Montenegro) uma corresponência verídica em homenagem à mãe. Central abriu-lhe as portas das artes cênicas. "Aguçou minha vontade de fazer cinema, teatro. Fiz Baixio das bestas (2005, de Cláudio Assis), Árido movie (2007, de Lírio Ferreira), filmado em Arcoverde". Voltou ao Rio. Participou de 5 vezes favela, agora por nós mesmos (2010), O duelo e Divã 2 (2014). "A gente vai fazendo passo a passo, degrau a degrau".

Hoje, estuda línguas, interpretação e participa de programas de TV. A agenda cheia ecoa um desejo da infância, quando "lavava prato, varria casa e simulava a participação em uma novela. Ficava como se falasse com outros personagens. Eu me espelhava naquilo. Se não fosse Central, seria só teatro." A mãe de Wanderlucy jamais a viu ganhar as ruas e os palcos do estado nem os do Rio. Mas a carta de amor foi enviada mesmo assim.



O cameraman dos bastidores
Elias Siqueira, comerciante em Cruzeiro do Nordeste, viveu um face cinegrafista em 1997, quando deidiu gravar making of particular do filme

O comerciante Elias Siqueira nunca havia gravado antes. Crédito: Vinicius de Brito/Esp. DP/D.A Press
O comerciante Elias Siqueira nunca havia gravado antes. Crédito: Vinicius de Brito/Esp. DP/D.A Press


Homem do mato, vaqueiro no tempo livre, proprietário de um posto de gasolina à época de filme. Em 1997, "esqueceu" o trabalho, viajou a Arcoverde e desembolsou R$ 1.100 por uma câmera de vídeo. A razão para o rompante: registrar a transformação de Cruzeiro do Nordeste em uma locação de Central do Brasil. "Era tudo muito novo. Eu sentia que filmavam umas coisas, mas achava que eles (produção do filme) iam levar aquilo tudo e ninguém tinha nada registrado. Foi aí que despertou de eu sair roubando as imagens", recorda.

Elias queria registrar a importância de "Central do Brasil" para a comunidade. Crédito: Dorival Elze/DP/D.A Press/Arquivo
Elias queria registrar a importância de "Central do Brasil" para a comunidade. Crédito: Dorival Elze/DP/D.A Press/Arquivo
Elias driblou seguranças, furou bloqueio em ruas, usou a porta dos fundos das casas de conhecidos para gravar. Não lembra de qual cena gravou pela primeira vez, mas cita as imagens de "Fernanda Montenegro comendo tapioca" com moradores locais na feira. Ele diz ter filmado brigas de bastidores e uma cena em que Fernanda corre entre tochas - três dias de gravação reduzidos a quatro minutos no filme.

Em 1997, o filho de vaqueiro temia transformação do lugarejo em uma "Bom Jesus de verdade". E lamenta o descaso do tempo. "É assim: ele estoura e depois vai embora. Para a gente da comunidade, foi ótimo em termos de divulgação. Mas em termos econômicos, depois, não foi muita coisa, não." Quando era gerente do posto, viu o nome da empresa mudar para Posto Central do Brasil. Frustrado com a ausência mudanças no local, retornou ao nome original. "As obras que prometeram não vieram". As imagens gravadas repousam em VHS, tecnologia superada pelo DVD. Do filme, ficou a ousadia cinematográfica: "Fui levado por isso (filme). Era caso de instinto".



A escrevedora de cartas
Vânia Lúcia Freire trabalhou nos bastidores de Central do Brasil. O filme retratou a primeira profissão dela: "letrar" os sentimentos dos outros

Professora escreveu cartas para analfabetos de Cruzeiro do Nordeste. Crédito: Vinicius de Brito/Esp. DP/D.A Press
Professora escreveu cartas para analfabetos de Cruzeiro do Nordeste. Crédito: Vinicius de Brito/Esp. DP/D.A Press


A realidade de Vânia Lúcia Freire, hoje, são os muros do colégio onde trabalha como diretora. Há 18 anos, varria a calçada de um posto de saúde da vila quando viu um homem de fala estranha se aproximar. "Fui a última a conhecer o pessoal de Central. Um italiano chamado Zé Luiz entrou no posto e me anunciou como a 'ponte' do filme. Eu concordei". Vânia entrou na coprodução de elenco, com a responsabilidade de pagar os figurantes e 'catar" os "não atores" da região. "Mas eu nunca soube como aquele homem chegou a mim".

Crédito: Dorival Elze/DP/D.A Press/Arquivo
Crédito: Dorival Elze/DP/D.A Press/Arquivo
O convite a introduziu no mundo do cinema. "Eu me perguntava como eles criavam os cenários. Mas vi como era fácil". Até hoje, ela recorda da "intimidade" com Fernanda Montenegro. “Ela falava: ‘Vânia, novidade?' Como se dissesse: ‘Alguém falou sobre a minha cena?’”. E Vânia a fazia rir. Ela também se aproximava da personagem de Fernanda porque escrever cartas tinha sido o primeiro ofício aprendido. "Quando alfabetizada, ficava procurando cartinhas pra escrever, mas não tinha conhecimento. Aprendi com minha tia." Ela "ditava os modelos" para a sobrinha.

"Quando eu vinha a Cruzeiro do Nordeste, o pessoal falava: 'Vânia, quero uma carta'. Sinto falta disso hoje". Ela registrou a punho os dizeres alheios até o ano 2000. Mas, recentemente, a cena se repetiu: Pediram-me para escrever uma carta e mandar a uma rádio pedindo uma cama". Em Cruzeiro do Nordete, 18% da população é analfabeta - a taxa era de 24% há 18 anos. Vânia virou professora. "Ganhei experiência e a amizade do povo. Sempre alguém passa uma mensagem que você e diz: 'Meu Deus, eu não era capaz daquilo e cheguei a fazer'".



Ela perdeu dois Oscar
Tereza Freire Gomes nunca entrou numa sala de cinema, mas contracenou com a dama da dramaturgia no único filme em que atuou

Tereza Freire Gomes nunca foi a salas de cinema e participa de "Central do Brasil". Crédito: Vinicius de Brito/Esp. DP/D.A Press
Tereza Freire Gomes nunca foi a salas de cinema e participa de "Central do Brasil". Crédito: Vinicius de Brito/Esp. DP/D.A Press


Aquele princípio do ano de 1997 trouxera alguém novo à porta de dona Tereza: "A mim, ele (o produtor de casting) disse: 'nós vamos precisar da senhora; eu vim atrás da senhora para completar um trabalho'". Dona Tereza já sabia do burburinho que corria por Cruzeiro do Nordeste: a cidade havia virado palco para um filme. "Aí ele disse assim: 'Vou botar você pra trabalhar: olhe, essa cena que a gente vai fazer aqui é como se você estivesse brigando com Dora (Montenegro), porque você viu o que ela fez e não gostou. Aí você faz assim: bota o dedo no buço e faça pra ela: 'psiu!'".

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Para ela, o trabalho trouxe o primeiro dinheirinho ganho fora do ambiente doméstico. Colocou no bolso mais de R$ 20, por dois dias de atuação. Analfabeta ("eu faço meu nome muito ruinzinho"), dona Tereza nasceu em uma casa do Sítio Pinheiro, no município de Sertânia, e na região conheceu Oscar, com quem se casou e ganhou a alcunha "Tereza de Oscar", para quem pergunta por ela na cidade.

A mulher de Oscar sempre labutou em casa e no roçado: "plantava milho, feijão, palma; limpava mato, tirava terra de buraco de cerca". Criou nove filhas. "Eu gostei da participação no filme", diz em tom enternecido. "Eu aqui em Cruzeiro do Nordeste e passando no Rio e São Paulo". Dona Tereza conta que um amigo sempre a para na rua: "olha Dona Tereza! A senhora é atriz, aparece brigando com Fernanda Montenegro, né? Estava passando e dá um 'psiu' nela."

O "psiu" levou Tereza à Alemanha, Espanha, Cuba; sem contar as sessões em estreia mundial e ao Oscar que concorreu junto com o elenco da produção, em 1998, mas saiu sem o prêmio. Cinco anos depois, foi a vez de assistir à perda do Oscar que amou durante 30 anos para uma devastadora e fatal doença do coração.



O escolhido de Waltinho
Fred deixou Cruzeiro do Nordeste para ganhar o mundo ao lado do diretor de Central do Brasil

Fred Francisco fez pequenos papéis em "Central do Brasil". Crédito: Vinicius de Brito/Esp. DP/D.A Press
Fred Francisco fez pequenos papéis em "Central do Brasil". Crédito: Vinicius de Brito/Esp. DP/D.A Press


Homem com barba a fazer, roupa colorida e folgada no couro, Fred Francisco dos Santos, 29 anos, e tem encarnado o cheiro de combustível do Posto Cruzeiro, ganha-pão desde os 11. Ali, há 18 anos, viu uma gente estranha, de sotaque esquisito, chegando ao povoado: "Tiraram foto, deram um dinheiro à gente e foram embora”, recorda. Em 1997, "veio o comboio" para transformar o distrito em Bom Jesus do Norte.

"A gente ia pegar umbu, aí viu os ônibus e reconheceu. Walter estava com três pessoas da produção. A gente veio correndo”. Como os conterrâneos, Fred começou a ajudar nos bastidores, por "20 contos por dia". Três dias depois, Walter o escolheu: "agora, você só vai ficar andando comigo", diz.

Fred Francisco tinha 11 anos quando conheceu o diretor do filme. Crédito: Dorival Elze/DP/D.A Press/Arquivo
Fred Francisco tinha 11 anos quando conheceu o diretor do filme. Crédito: Dorival Elze/DP/D.A Press/Arquivo
Foi aí que conheceu e virou amigo de Vinicius de Oliveira, o ex-engraxate escalado para contracenar com Fernanda Montenegro que o ensinou a usar os múltiplos talheres nas futuras visitas ao Rio de Janeiro, destino anual entre 1998 e 2009. Era convidado de Walter Salles, responsável por tirar os documentos dele. Queria ficar lá, mas Walter foi taxativo: "Não romantize as coisas, aqui pra passear é uma coisa, pra morar é outra", aconselhou. Com ajuda financeira do cineasta, fez quatro períodos de economia na Unicap, desistiu, voltou à terra natal e se graduou em matemática em Arcoverde, "mas não é a mesma coisa".

Hoje, está no mesmo lugar e estuda para concurso. "Waltinho não concordou de eu estar aqui no posto: o tanto de investimento que ele já fez", deixa inconclusa a frase. Ao final, deixa escapar: "Eu não me ofereço não pra ir (ao Rio), mas tomara que ele possa me chamar de novo. Se eu for convidado, estou à disposição dele".



+ O filme por eles

"O filme, por falar de perdas, memórias, buscas e pelo tom melodramático, consegue sempre ter um ponto de contato com aqueles que entram em contato com ele pela primeira vez. A escolha do elenco foi muito feliz, conjugando atores, não atores e luzes muito próprias de uma realidade mostrada de uma maneira inédita (...). O filme recuperou a autoestima do nosso cinema, marcado até então por um momento de descrédito da atividade de maneira geral."

>> André Piero Gatti é professor, pesquisador e autor do artigo A comercialização de um filme internacional: Central do Brasil.

"Acho que é um filme que tem importância por causa da repercussão que teve. Acho que Central do Brasil consegue fazer a retomada do cinema brasileiro, o que se deve também a editais. E tem o fato de as pessoas escreverem uma carta, escrever uma carta para quem está longe, quer dizer, uma coisa em desuso, mas que sensibiliza."

>> Cláudio Assis é pernambucano e diretor de filmes como Baixio das bestas (2006) e Febre do rato (2011).

"Eu acho que Central do Brasil foi importante, porque veio num momento de retomada do cinema, fez com que algumas portas se abrissem para fomentar a produção. Ele opera com signos de uma certa brasilidade periférica que funciona no sentido das emoções."

Crédito: Facebook/Reprodução
Crédito: Facebook/Reprodução
>> Marcelo Pedroso é pernambucano e realizador de filmes como Brasil S/A (2014) e KFZ-1348 (2008).

"O filme é uma experiência que justifica a projeção numa sala de cinema e faz persistir o meio de fruição e negócio. Ou seja, é bem sucedido, enquanto projeto e modelo. (...) Nesta criação que mistura ator "natural" e ator de ofício, revela-se a potência que o documentário já apontara, mas que se desdobraria com também grande repercussão na virada do século no Brasil e internacionalmente. Creio que ainda vivemos a voga documentária. As demandas da semelhança e do prazer pela imagem podem ser articuladas no olhar para o rosto do 'povo'".

>> Pedro Plaza Pinto é Professor no Departamento de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e autor de artigos sobre Central do Brasil.

Crédito: Facebook/Reprodução
Crédito: Facebook/Reprodução
"Para mim, qualquer filme desse período é importante, porque eu estava na faculdade. Talvez, Central do Brasil tenha me levado a me despertar para o cinema popular brasileiro – para as pornochanchadas – do que qualquer outro (filme). Até por ser um filme que eu paguei para ver no cinema. Eu comecei a entender e acreditar no cinema brasileiro de público.”

>> Daniel Aragão é pernambucano e diretor de filmes como Prometo um dia deixar essa cidade (2014) e Boa sorte, meu amor.


+ Prêmios

Cinema 100 Melhor Roteiro
Sundance, EUA, 1996

Urso de Ouro Melhor Filme
Berlim, Alemanha, 1998

Urso de Prata Melhor Atriz
Berlim, Alemanha, 1998

Melhor Filme Júri Ecumênico
Berlim, Alemanha, 1998

Melhor Filme Júri Público
San Sebastian, Espanha, 1998

Melhor Filme Estrangeiro
Hollywood Foreign Press, EUA 1999

Crítica Melhor Atriz
Fort Lauderdale, EUA, 1998

Júri Especial Melhor Filme
Havana, Cuba, 1998

Melhor Ator Jovem
Havana, Cuba, 1998

Melhor Filme
Cartagena, Colômbia, 1999

Indicação de Filme Estrangeiro
Oscar, EUA, 1999

Indicação de Melhor Atriz
Oscar, EUA, 1999

Melhor Filme Estrangeiro
Cesar, França, 1999

Melhor Filme Estrangeiro
BAFTA, 1999



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