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Televisão Trilhas sonoras inesquecíveis da teledramaturgia brasileira são tema de livro Obra de Vincent Villari e Guilherme Bryan associa a história da música popular à produção televisiva

Por: Fernanda Guerra - Diario de Pernambuco

Publicado em: 07/12/2014 08:00 Atualizado em: 05/12/2014 20:04

Trilha de O rei do gado foi a mais vendida da história - Foto: TV Globo/Divulgação (TV Globo/Divulgação)
Trilha de O rei do gado foi a mais vendida da história - Foto: TV Globo/Divulgação


Desde a década de 1960, uma fórmula ainda persiste para uma trilha sonora de novela fazer sucesso: vocação comercial e adequação ao personagem. Em mais de 50 anos de teledramaturgia, houve mudanças no processo de seleção ou no consumo das canções e das próprias tramas. A principal delas reflete o momento atual da indústria fonográfica.

“A mídia física se tornou um souvenir da novela. Hoje, as pessoas baixam as músicas e escutam quando querem”, ressalta o escritor Vincent Villari, que assina com Guilherme Bryan o primeiro volume de Teletema - A história da música popular através da teledramaturgia brasileira. Atualmente, por exemplo, nada se aproxima do poder de venda de O rei do gado (1996), a mais lucrativa da história.

Com a audiência atual reduzida das telenovelas, as trilhas continuam relevantes para a popularização das músicas. Mas não como nas décadas de 1970 e 1980, quando era crucial estar numa novela para se apresentar em programas televisivos. “Nos anos 1990, houve uma pulverizada na questão com o surgimento de novos canais e a consolidação da MTV”, relembra Guilherme Bryan.

Teletema aborda as trilhas de folhetins entre 1964 e 1989. Em parte do período, era comum a seleção ser feita por encomenda, fórmula quase escanteada nos dias de hoje. Em Pecado capital, de 1975, se tornou mais comum o formato de coletâneas de músicas. Os hits selecionados estavam prestes a ser lançados por artistas e foram escolhidos de acordo com os personagens. A exceção foi o tema de abertura de Paulinho da Viola (Pecado capital), composta na última hora.

Em Roque Santeiro, músicas de Dominguinhos eram destaque - Foto: TV Globo/Divulgação (TV Globo/Divulgação)
Em Roque Santeiro, músicas de Dominguinhos eram destaque - Foto: TV Globo/Divulgação


As trilhas emblemáticas

Véu de noiva (1969):
Foi a primeira trilha de novela desenvolvida pela TV Globo, com músicas modernas da MPB, com gravações de Elis Regina e composições de César Camargo Mariano, Vinícius de Moraes e Chico Buarque. A pedido do produtor Nelson Motta, que convenceu os músicos, houve uma “ruptura” no preconceito.

Gabriela (1975):
A seleção musical é um exemplo de trilha sonora consagrada. Até hoje, são lembradas canções como Alegre menina, interpretada por Djavan, Modinha para Gabriela, na voz de Gal Costa, e Porto, composta por Dori Caymmi. Caravana, de Alceu Valença e Geraldo Azevedo, era tema de Paulo Gracindo.

Roque Santeiro (1985):
A trilha é uma das mais marcantes. “As músicas fizeram sucesso por qualidade e por estarem associadas à novela”, justifica Vincent. Entre elas, Dona, de Roupa Nova, e De volta pro aconchego, de Dominguinhos e Nando Cordel. Dominguinhos também interpreta Isso aqui tá bom demais, com Chico Buarque.  

Foto: Rogério Resende/R2/Divulgação ( Rogério Resende/R2/Divulgação)
Foto: Rogério Resende/R2/Divulgação

Trecho do livro:
“Guto Graça Melo avisou que a censura tinha cortado minha música. Fui ao estúdio, tirei minha letra e comecei a cantar e gritar umas coisas sem sentido. No final, ficou mais bonito” - Alceu Valença, cantor, sobre Caravana.

Serviço:
Teletema - A história da música popular através da teledramaturgia brasileira, Editora Dash, R$ 69,90, 512 páginas.

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