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Música Show de Jorge Mautner no Mimo Olinda será baseado nos três primeiros discos Músico vai homenagear Eduardo Campos e se diz preocupado com agressões ao candomblé

Por: AD Luna - Diarios Associados

Publicado em: 02/09/2014 14:40 Atualizado em: 02/09/2014 15:24

Chico Science & Nação Zumbi regravaram música de Jorge Mautner (foto). Crédito: Laís Merini/Divulgação
Chico Science & Nação Zumbi regravaram música de Jorge Mautner (foto). Crédito: Laís Merini/Divulgação

Em 1996, durante as finalizações do álbum Afrociberdelia, surgiu a ideia de regravar a marcante Maracatu atômico. Houve certa resistência por parte de Chico Science & Nação Zumbi, mas a faixa acabou entrando junto com três remixes dela. A canção acabou se tornando um dos trunfos do disco, além de ganhar um videoclipe bastante exibido na MTV. Jorge Mautner, que compôs a obra junto com Jorge Jacobina, fecha a programação do festival Mimo, no próximo sábado, na Praça do Carmo, em Olinda. O show terá a participação do cantor e percussionista Otto. O grupo pernambucano Bongar toca antes.

“A apresentação vai ser baseada nos meus três primeiros discos, mas terá músicas de outras fases, como no trabalho que fiz com Caetano Veloso (o álbum Eu não peço desculpa, de 2002)”, adianta Mautner. O artista carioca ficou bastante abalado com a morte de Eduardo Campos e fará uma homenagem em forma de poesia.

O músico, compositor, escritor e poeta faz questão de ressaltar a amizade que mantém com a família Arraes há décadas. “Conversava bastante com dona Violeta (1926-2008), irmã do ex-governador Miguel Arraes”, relembra.


Os álbuns que formam a base do show em Olinda foram reunidos em versão remasterizada no box Três tons de Jorge Mautner, lançado no início deste ano pela Universal Music. Pra iluminar a cidade (1972), o primeiro, foi gravado ao vivo por sugestão de André Midani, então presidente da gravadora, que à época se chamava Phonogram.

Com produção de Gilberto Gil, Jorge Mautner (1974) contém alguns dos maiores clássicos do artista a exemplo de Cinco bombas atômicas, Pipoca à meia-noite, Matemática do desejo e Guzzy guzzy, além da citada Maracatu atômico. Gil tocou violão na música e a regravou num compacto lançado em 1973. Roberto de Carvalho, marido de Rita Lee, toca piano e guitarra em várias faixas.

Defesa da liberdade religiosa

Mil e uma noites em Bagdá (1976) é, como o próprio Mautner afirma, “um disco feito para tocar no rádio” por conta da produção mais polida. Além de temas orientais, o álbum flerta com influências do candomblé. Mautner se diz preocupado com a crescente onda de agressões a integrantes e a terreiros dessa tradição. “Estou encabeçando a assinatura do Manifesto pela Liberdade Religiosa, em parceria com João Ricardo Moderno (presidente da Academia Brasileira de Filosofia). É uma minoria de evangélicos que tem praticado esse desrespeito ao sagrado candomblé”, ressalta.

Músicos pernambucanos JuveNil Silva e Graxa perguntam a Mautner

JuveNil Silva, músico e compositor pernambucano. Foto: Keyse Menezes/Divulgação
JuveNil Silva, músico e compositor pernambucano. Foto: Keyse Menezes/Divulgação
 

JuveNil Silva
Você começou a criar muito jovem. No começo dos anos 1960, já estava escrevendo livros e compondo canções um tanto quanto peculiares, como O vampiro, que aborda uma longa narrativa, louca e apaixonada desse personagem sombrio. Quais eram suas referências, influências, inspirações (literárias e musicais) dessa época de “kaos” no início de carreira?
É muita coisa. Durante meus primeiros sete anos de vida, estive sob os cuidados de Lúcia. Babá que era ialorixá e me mostrou o candomblé. Além da música popular brasileira, sou muito influenciado pelas obras de José Lins do Rego, Gilberto Freyre, e pensadores como Marx e Nietzsche, das coisas da África, da Índia. Enfim, é tudo Brasil, país da multidiversidade, do multiculturalismo. O mundo não bebe água, não come e não respira sem o Brasil.

O cantor e compositor pernambucano Graxa. Foto: JuveNil Silva/Divulgação
O cantor e compositor pernambucano Graxa. Foto: JuveNil Silva/Divulgação
 

Graxa
Mautner nasceu no Brasil um mês após o holocausto. O pai dele é judeu. Gostaria de saber como ele vê a situação em Gaza?
Além de pai judeu, minha mãe era católica. Acho que é preciso que se reconheça o Estado Palestino. Podiam se espelhar na solução brasileira, que é a da paz. Somos a nação mais pacífica do planeta, com sua mistura de raças e culturas. Perdemos a Copa do Mundo, mas o Brasil resplandeceu. Somos o povo da tolerância. Veja o caso dos japoneses, quando chegaram no bairro da Liberdade (em São Paulo), nos anos 1960. O pessoal criou o Orixá Samurai para acolher aquela gente.

 

 

Serviço
Show Jorge Mautner, com abertura do Bongar (PE)
Onde: Praça do Carmo, Olinda
Quando: sábado, 0h30
Evento gratuito

Programação musical completa do Mimo Olinda

04/09 – Quinta-feira
20h30 – Igreja da Sé – Trilok Gurtu Band (Índia)
22h30 – Praça do Carmo – Chick Corea & The Vigil (EUA)

05/09 – Sexta-feira
18h – Mosteiro de São Bento – CHAARTS (Suíça)
19h – Seminário de Olinda - Renata Rosa e Emily Loizeau (França)
20h30 – Igreja da Sé - Jordi Savall e Héspèrion XXI (Espanha)
22h30 – Praça do Carmo - Winston McAnuff & Fixi (Jamaica/França)
00h30 – Praça do Carmo - Bassekou Kouyate & Ngoni Ba (Mali)

06/09 – Sábado
18h – Igreja do Carmo - Sonia Wieder-Atherton (França)
19h – Seminário de Olinda - James Duncan Mackenzie Band (Escócia)
20h30 – Igreja da Sé - Egberto Gismonti e Part. Esp. Jacques Morelenbaum (Brasil)
22h30 – Praça do Carmo – Grupo Bongar (Brasil)
00h30 – Praça do Carmo - Jorge Mautner - Part. Especial Otto

07/09 – Domingo
16h – Praça do Carmo – Jorginho Neto (Vencedor do Prêmio MIMO Instrumental)
18h – Praça do Carmo – Areia e Grupo de Música Aberta



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