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Reconhecimento Herdeiros de Solano Trindade celebram obra do poeta O teatrólogo e folclorista pernambucano falecido há 40 anos continua com vida em destaque

Por: Fellipe Torres - Diario de Pernambuco

Publicado em: 09/06/2014 09:41 Atualizado em: 09/06/2016 13:18

Bisnetos de Solano acreditam que suas obras continuam atuais. Foto: Marilda Borges/Divulgação
Bisnetos de Solano acreditam que suas obras continuam atuais. Foto: Marilda Borges/Divulgação

Três gerações de artistas batalham para manter viva na memória coletiva a obra do poeta, teatrólogo e folclorista pernambucano Solano Trindade, defensor da cultura negra. Filha, neto e dois bisnetos permanecem unidos na missão de reverberar a voz do escritor, calada há 40 anos. Em Embu das Artes, São Paulo, eles fazem palestras, saraus, tocam instrumentos, escrevem poesias e até compõem rap em homenagem a Solano. Aos 77 anos, Raquel se lembra vividamente da rua onde morou até os 8 anos, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife: “tinha cheiro de fruta”. A juventude foi no Rio de Janeiro, para onde o pai se mudou após deixar a cidade natal, e em São Paulo, onde morreu.


A lembrança é parte da palestra da também escritora, cujo tema principal é a vida e obra do patriarca. “Falo não só dele, mas sobre a história do negro, do sincretismo religioso. Não tenho estudo universitário, mas dou aula a muita gente”. Quando não pode ir, Raquel é substituída pelo neto, Zinho Trindade, cujos poemas e raps têm forte influência do bisavô. “Meu primeiro contato com poesia foi através de Solano. Não tive a sorte de conviver com ele, mas cresci dentro do teatro, lendo suas poesias, junto ao maracatu, ao coco. O que faço é reflexo do que aprendi, continuidade do trabalho dele. Foi uma herança. Solano não deixou dinheiro, mas deixou cultura”.

Para Zinho, os textos de Solano permanecem atuais porque as bandeiras que ele levantava (igualdade racial, situação melhor para os pobres) são levantadas até hoje. “A luta não parou”. É consenso entre pesquisadores o fato de Solano Trindade permanecer pouco conhecido, sobretudo em Pernambuco. Por aqui, foi erguida uma estátua no Pátio de São Pedro e gravado um documentário em 2008, com participação do cantor Vitor da Trindade, neto de Solano. Em São Paulo, o “poeta do povo” tem os livros distribuídos na rede pública de ensino, dá o mote para saraus, dá nome a um grupo de teatro popular, a duas escolas e uma rua. “Fazemos o que ele pregava: pesquisar na fonte de origem e devolver ao povo na forma de arte”, conclui Raquel Trindade.

Filha e neto do artista. Foto: Marilda Borges/Divulgação
Filha e neto do artista. Foto: Marilda Borges/Divulgação

Na poesia

Canto dos palmares
Solano Trindade

Ainda sou poeta
meu poema
levanta os meus irmãos.
Minhas amadas
se preparam para a luta,
os tambores
não são mais pacíficos
até as palmeiras
têm amor à liberdade. 

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