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Polêmica Críticas ao uso da Lei Rouanet pelo setor de moda não fazem sentido, acredita ministra da Cultura Questionamentos partem, sobretudo do setor teatral, maior beneficiado com a lei no ano passado

Publicado em: 29/08/2013 13:07 Atualizado em:

Foto: Secom Palácio/Divulgação
Foto: Secom Palácio/Divulgação

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, disse nessa quarta-feira (28) que a autorização para os estilistas Alexandre Herchcovitch, Pedro Lourenço e Ronaldo Fraga captarem recursos com o uso da Lei Rouanet não limita a possibilidade de outros projetos de arte serem beneficiados.

Na avaliação da ministra, as manifestações de alguns integrantes do setor teatral contra a autorização não têm sentido. As críticas questionam a decisão do ministério de estender ao setor de moda a possibilidade de conseguir patrocínios com a lei que incentiva a aplicação de investimentos por meio de isenção tributária.“O que está previsto para a moda não chega a 1% [das autorizações para a captação]. É uma manifestação completamente fora do esquadro”, disse.

De acordo com a ministra, o setor que mais recebe benefícios com a lei é o teatral, que no ano passado atingiram 28% com a captação de R$ 286 milhões. "É briga por espaço, mas o patrocínio do teatro não briga com o patrocínio da moda. Nós temos que pensar grande, ter visão e pensar na cultura como um todo. Eles estão brigando e têm o maior naco. A música é 23% “, declarou.

Marta Suplicy comentou ainda o resultado da análise da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cnic) sobre os pedidos dos estilistas. Nos votos, Pedro Lourenço recebeu 7 contra e 7 abstenções, o que, para a ministra, pode demonstrar uma resistência à ideia de incluir o setor de moda na aplicação da lei. “Percebi que tinha um receio de entrar em uma coisa dessa que é muito nova. Eu não tive muita dúvida. Acredito que isso é política de Estado”.

Apesar de informar que a Cnic é independente, a ministra considerou que depois do que ocorreu com a análise dos projetos dos estilistas cabe uma discussão no trabalho do órgão. “Acho que não podemos criar uma coisa que vire só de ad referendum. Eu espero que a gente faça uma discussão maior. Eu ainda vou conversar com eles. Acho que podemos fazer uma discussão dentro do próprio conselho, dos prós, dos contras e do porquê da resistência”.

Segundo ela, no ano passado o ministério não atingiu o teto do que podia com os projetos de captação pela Lei Rouanet. “Nós tínhamos R$ 1,6 bilhão no ano passado e foi captado R,350 bilhão. Temos que pensar com generosidade e pensar o Brasil”, disse.

Animada com a primeira manifestação que pode gerar investimentos no setor da moda, Marta Suplicy informou que recebeu hoje (28) um convite para um encontro, na semana que vem, com integrantes da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit). Na reunião, ela vai explicar como o setor pode se habilitar ao uso da lei de incentivo. “Vou porque é uma coisa nova, e outros setores que quiserem ajuda, eu ajudo, no sentido de mostrar a importância de conseguir os patrocínios”, declarou.

Agora, de acordo com a ministra, vai depender dos próprios estilistas captar os recursos. “Depende da captação deles. Pode ser que não captem um tostão. Não depende de mim. A gente fez o que pode fazer. Vou me esforçar para fazer uma apresentação para a Abit que demonstrou interesse”.

Marta Suplicy disse que os incentivos ao setor da moda ajudam a estender o conceito de soft power (poder suave) que o ministério adotou para fortalecer a imagem do Brasil no exterior.

Ela comentou a interesse do ministério de ampliar a aplicação da lei de incentivo ao setor de moda, durante a posse do presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Guti Fraga, na sede da instituição, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Guti Fraga é ator, diretor e jornalista e, em 1986, criou, na Favela do Vidigal, o grupo Nós no Morro, integrado por jovens da comunidade e das áreas próximas.


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