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Os muitos carnavais de Marieta Severo Atriz, que revelou ter sido foliã nas ladeiras de Olinda, é homenageada por sua vasta obra no Cine PE

Por: Luiza Maia - Diario de Pernambuco

Publicado em: 27/04/2013 06:57 Atualizado em: 20/04/2018 22:29

Atriz conversou com exclusividade coma equipedo Viver
Atriz conversou com exclusividade coma equipedo Viver
 

Marieta Severo chegou a Pernambuco na madrugada deste sábado. Logo mais, recebe homenagem no 17° Festival do Audiovisual Cine PE, pelo trabalho em 37 filmes nos quase 50 anos de carreira, e assiste à exibição de Vendo ou alugo, de Betse de Paula, com Marcos Palmeira.

No domingo, concede entrevista aos jornalistas e logo depois volta para o Rio de Janeiro e sua agenda apertada de ensaios, gravações e compromissos de sócia e produtora da companhia e casa de espetáculos Teatro Poeira, ao lado de Andréa Beltrão, parceira de palcos e da vida.

“É trabalho, trabalho, muito trabalho”, diz a atriz, de 66 anos, três filhas e sete netos. Este ano, além das gravações diárias de A grande família (que virou filme em 2007), dedica-se ao espetáculo Incêndios, dirigido por Aderbal Freire Filho (o mesmo de As centenárias), com quem casou em 2004.

 

Marieta aparece ao lado de Marcos Palmeira em "Vendo ou alugo", que será exibido neste sábado no Cine PE
Marieta aparece ao lado de Marcos Palmeira em "Vendo ou alugo", que será exibido neste sábado no Cine PE
 

 

ENTREVISTA // Marieta Severo

A última vez que veio ao Recife a trabalho foi com As centenárias, com Andréa Beltrão, em 2011. E a passeio?
Nossa, mãe, não lembro. Eu fui a tantos carnavais em Olinda. A minha cunhada (Cristina Buarque, irmã de Chico, com quem foi casada de 1966 a 1999) mora aí. Pulei muito ladeira acima, ladeira abaixo, com minhas filhas pequenas. Adorava tudo aquilo. O Galo da Madrugada, os bonecos.

Você ainda brinca carnaval?
Não. No geral, aproveito para sair do Rio. Tenho uma casa na serra, em Petrópolis. Teve uma época em que eu ficava. Agora, tem uma coisa maravilhosa, que é o carnaval de rua. Mas dificilmente eu fico.

Como está o processo de criação de Incêndios?

Começo a ensaiar daqui a pouco. A peça é de um libanês. Dela, saiu um filme que rendeu indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro (Incêndios, 2010). É um drama, uma história pungente, emocionante. Faço uma mulher, de quem tiraram um filho, quando ela tinha 15 anos. Depois, ela teve dois filhos gêmeos dentro da prisão. Ela foi presa e torturada. A saga dela é ir atrás desse filho, e os filhos atrás da história da mãe.

Você foi atriz no tempo da ditadura, se exilou na Itália. A peça resgata muitas memórias? Isso influencia?
Com certeza. Eu não estou falando de uma coisa que eu não reconheça. Conheço pessoas que passaram por coisas assim. A minha geração viveu tortura, ditadura, foi muito marcante.

Você faz Dona Nenê há muito tempo. Ela ainda deve durar muito?
É o 13° ano já. Dona Nenê está demorando para passar, o que é ótimo. Mas, dificilmente, a gente vai fazer mais 10 anos. Estamos mais perto do fim do que do começo, que nem a minha própria vida. Vai ser difícil, doloroso. Eu nunca vivi um personagem tanto tempo, não convivi tanto com colegas. Mas, quando parar, outras portas se abrirão. Não tenho medo.

Você tem medo de envelhecer?
Ah, o medo que a idade traz é o da decadência física. Eu gosto de trabalhar que nem uma louca, de conseguir fazer tudo que eu faço, ser mãe, avó, cuidar de um escritório, fazer filme junto com peça. Isso é minha vida. Saber que tem uma hora que eu não vou aguentar fazer isso tudo dá uma certa irritação. Ah, que coisa chata!

Como é sua rotina?
A gente grava A grande família de segunda a quinta, do meio-dia às 21h. Quando eu faço teatro, ensaio depois. As centenárias era das 22h às 3h. As pessoas pensam que vida de ator é uma banheira com espuma. É mentira.

E por que existe essa imagem de glamour?
Eu acho que é uma necessidade que as pessoas têm de fantasiar, e das outras de vender essa imagem. É a fome com a vontade de comer. É uma coisa tão Hollywood da década de 1940. É tão passado. Mas é meio eterno. Tem essa necessidade de princesa, príncipe, fantasia.

Você sai muito? Circula tranquilamente ou foge dos paparazzi?
Eu saio à beça. Sou muito rueira. Trabalho na rua, minhas filhas não moram mais comigo. Se eu for ao Leblon, posso ser fotografada, claro. Mas não sou um galã de que querem rasgar as vestes. As mulheres são mais animadas. Eu vou a tudo quanto é lugar. Faço compras, saio com os netos. Uma pessoa ou outra pede para tirar foto. Tudo bem. Quando estou com o garfo na boca, peço “dá para esperar eu terminar?”. Geralmente, é tranquilo.

Como Dona Nenê, já são 13 anos ao lado do amigo Marco Nanini
Como Dona Nenê, já são 13 anos ao lado do amigo Marco Nanini


O que você costuma fazer?
Restaurante, teatro. Estou mais caseira, mas sou muito “inventadeira” de moda. É um tal de “vamos não sei o quê”. Nanini diz que não acredita como eu tenho forças. No fim da gravação, 21h, eu chamo amigos para sair, jantar. Agora estou me reservando mais, porque tem a peça para estudar.

E você é daquelas que gostam de receber a família em casa?
Todo domingo é de lei. São as feijoadas, os cozidos, a galinha no molho pardo, comida baiana. Tenho uma casa espaçosa, com cama elástica, casinha de boneca. Até já cozinhei, mas não tenho tempo, sou desastrada. Tenho inveja de quem tem paciência para cozinhar.

E você é das avós que ajudam ou atrapalham na educação dos filhos?

Aí depende do ponto de vista. Tem coisas que eu acho que a criança tem toda razão, que talvez as mães não concordem. Mas não acho legal criança mal-educada, sem limite. Procuro apoiar a educação que minhas filhas dão. Claro que todos sabem que podem folgar mais com a vovó. A criança sabe que aqui é um território livre. Mas procuro não atrapalhar.

Li que você tem facilidade de se desligar dos personagens. É isso mesmo?
Eu não acredito nisso de ficar tomada pelo personagem. Agir de acordo com ele. Isso é loucura, outro departamento. Acabou a peça, tirou a maquiagem, foi. A única coisa que acontece é você estar fazendo uma peça como As centenárias e, mesmo que você chegue triste ao teatro, anima logo.

Você tem medo de ficar marcada pela comédia?

Não tenho medo nenhum. Inclusive, essa peça é muito de eu ir para outros territórios. Eu adoro o poder que a comédia tem. Se não fosse o humor, talvez você não conseguisse falar muitas coisas. É muito libertador e muito rápido. Às vezes, uma piada é mais eficiente do que um discurso enorme.

Incêndios é dirigida por Aderbal Freire Filho, seu marido. Vocês falam de trabalho o tempo inteiro ou conseguem separar?
Não, não, não, não. Tem que ter essa sabedoria de tentar, pelo menos, sair do ensaio e tentar não tocar no assunto. Não estou dizendo que a gente consiga não. Naturalmente, a gente conversa, mas tenta não falar.



Para ver Marieta Severo

Bye bye Brasil (1979), de Cacá Diegues – Artistas mambembes circulam o Brasil com espetáculo de circo, passando por cidades em que não há televisão. Com José Wilker, Bety Faria e Fábio Júnior. Comédia.

Carlota Joaquina, princesa do Brasil (1995), de Carla Camurati. Sátira à vida de Carlota Joaquina (Marieta Severo), que conheceu o marido D. João de Bragança (Marco Nanini) com apenas dez anos e se decepcionou ele. Comédia.

Cazuza – O tempo não para (2004), de Sandra Werneck e Walter Carvalho. Biografia Cazuza (Daniel de Oliveira), desde o início da carreira, em 1981, até a morte, em 1990, aos 32 anos. Marieta é Lucinha Araújo, mãe do cantor e compositor.

A dona da história (2004), de Daniel Filho – Inspirado na peça de João Falcão, em que Carolina (Marieta Severo) encontra a si mesma 30 anos mais jovem (Débora Falabella). Com Antônio Fagundes e Rodrigo Santoro. Romance.



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