Às 18h de domingo, último dia da ArtRio, era tão intenso o fluxo de visitantes que a Hauser & Wirth, uma das 60 galerias internacionais da feira, decidiu cercar seu estande. Crianças brincavam perto de esculturas e obras delicadas como The hysterical mother (2007), guache de Louise Bourgeois.
Perto dali, a carioca Luciana Caravello tratou de guardar objetos em acrílico de Alexandre Mazza, porque o movimento de pessoas em torno das peças beirava o perigo. A nova-iorquina Leon Tóvar improvisou placas de papel e as instalou em frente a obras, com o texto “Não tocar”. No espaço expositivo de mil metros quadrados da Gagosian, a vitrine de diamantes Happy memories (2010), de Damien Hirst, já estava cercada por uma corda desde sábado.
Nesta segunda-feira, a ArtRio, que, após vender R$ 120 milhões em 2011, este ano resolveu não divulgar valores, informou seu megapúblico: recebeu 74 mil pessoas, mais que os 60 mil esperados pela organização e ainda mais que os 46 mil do ano passado. A nível de comparação, a oitava edição da feira paulistana SP-Arte, este ano, registrou público de mais de 20 mil pessoas (em 2011, foram 17 mil). Se, por um lado, o público gigante é sinal de êxito, por outro, gera caos.
"Meus vendedores ficaram meio apavorados. Mas eu dizia: “Gente, imagina na Gagosian, que tem Picasso!”", diz a galerista Luciana Caravello.
Ela também comemora: o movimento intenso na feira a fez vender mais de 50 obras, de valores entre R$ 5 mil e R$ 50 mil. Outra galerista carioca, Silvia Cintra, conta ter vendido 40 obras, entre R$ 20 mil e R$ 170 mil. Na Anita Schwartz, foram contabilizadas até o último dia 15 vendas, de trabalhos de R$ 8 mil até R$ 200 mil.
"A feira cresceu bastante e ainda não sei se isso é bom ou não", afirma Anita. "Precisa de mais atenção à organização. É uma questão gerencial."
Na David Zwirner, que tem galerias em Nova York e em Londres, o diretor Greg Lulay afirma que pretende voltar na próxima edição da feira. "Foi uma boa experiência para conhecer nossos colecionadores do Brasil e para nos apresentar a novos, que ainda vão comprar conosco", diz Lulay, que vendeu trabalhos do belga Francis Allÿs e do americano Donald Judd.
Sobre o grande público e os problemas da feira carioca, Lulay ponderou: "É uma feira jovem e precisa de melhoras. Mas está situada num belo lugar, teve belas obras. É claro que faremos algumas sugestões à organização, mas prefiro focar no sucesso do evento."
Alguns galeristas, como Max Perlingeiro, da carioca Pinakotheke, comentam que o intenso movimento também pode inibir grandes colecionadores de fecharem seus negócios in loco. É por isso que, diz ele, transações iniciadas dentro da feira podem levar até dois meses para serem concluídas.
"A ArtRio tem um público exagerado e muito negócio não é fechado ali. Funciona mais como um grande showroom", completa Perlingeiro.
Ainda assim, Perlingeiro diz ter ultrapassado R$ 1 milhão em vendas. Ao todo, oito obras, de Franz Weissmann, Di Cavalcantti, José Pancetti e Pedro Vasquez, foram arrematadas no estande do marchand.
A organização da feira também divulgou as datas da próxima edição: em 2013, a ArtRio será entre 5 e 8 de setembro.
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