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Apartamento » Chega aos cinemas Deus da Carnificina, de Roman Polannski, com Kate Winslet e Jodie Foster Deus da Carnificina é baseado no livro de Yasmina Reza e também tem John C. Reily e Christoph Waltz no elenco

Correio Braziliense

Publicação: 19/07/2012 18:16 Atualização:

O filme inteiro se passa dentro de um apartamento. Foto: Imagem Filmes/ Divulgação
O filme inteiro se passa dentro de um apartamento. Foto: Imagem Filmes/ Divulgação
Dois casais amigáveis e sorridentes se encontram num apartamento do Brooklyn, em Nova York. Os anfitriões, Michael (John C. Reilly) e Penelope Longstreet (Jodie Foster), são pais de um garotinho que foi ferido no rosto com um graveto, enquanto brincava no parque com seus amigos. O autor do “crime” foi o filho dos Cowan, Alan (Christoph Waltz) e Nancy (Kate Winslet). Pois o encontro, então, é para colocar o assunto em pratos limpos, resolver a rivalidade de crianças com diplomacia de gente crescida. É aí que mora a aspereza do novo filme de Roman Polanski, Deus da carnificina.



Adaptando peça homônima de Yasmina Reza, o diretor franco-polonês acompanha a conciliação entre os Cowan e os Longstreet sem sair do limite imposto pelas quatro paredes. À medida que o relógio avança e o sol da tarde se abranda, a polidez vai sendo substituída pela rispidez, e a defesa dos interesses dos filhos, motivo real da conversa, abre caminho para uma verborragia de provocações e verdades ditas — quase cuspidas — na cara.

A reunião devia ser curta e objetiva, afinal, já se sabe quem é vítima e acusado, quem está na pior, com dentes perdidos e o rosto desfigurado, e deve pedir desculpas. Mas, orgulhosos que são, os adultos não querem ceder. Michael é um homem aparentemente calmo, enquanto Penelope é cheia de melindres. Do outro lado, Alan e Nancy sugerem uma frieza quase corporativa: ele, advogado de uma empresa farmacêutica, passa a tarde ao telefone orientando assessores de imprensa e gerenciando crises; ela é uma investidora que, em resposta, censura o tempo inteiro as interrupções do marido.

Polanski não pôde sair da França para rodar o filme, já que enfrenta problemas judiciais por conta do abuso sexual a uma menina de 13 anos, em 1977 — no ano seguinte, saiu dos Estados Unidos e rumou para o país europeu. Ambientou a trama em Nova York, mas filmou tudo em Paris. O vencedor do Oscar de direção por O pianista (2002) é um senhor de 78 anos ainda produtivo, mesmo cerceado, recluso, enclausurado.

Hoje, realiza um trabalho econômico, cru: em 2010, satirizou a política britânica no suspense O escritor fantasma. Agora, observa impulsos e descargas emocionais selvagens e “infantis”, numa espécie de prorrogação da sua “trilogia do apartamento” (Repulsa ao sexo, 1965; O bebê de Rosemary, 1968; e O inquilino, 1976). Deus da carnificina parece depender muito do quarteto de ótimos atores para funcionar — não por acaso, Jodie e Kate foram indicadas ao Globo de Ouro. É um experimento nada ambicioso sobre a angústia de espaços fechados e as erupções de egoísmo neles aprisionados, distribuído em 80 minutos preciosos do tempo de Polanski. Para o espectador, são imperdíveis.

SERVIÇO
Cinema da Fundação
17h (dom), 17h20 (sab, qua e qui), 19h (qui), 19h10 (sex e ter), 20h30 (dom), 20h50 (sex, sab, ter e qua)

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(por Felipe Moraes, do Correio Braziliense)

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