Radioatividade »Filme sobre a descoberta de urânio no Sertão é exibido nesta segunda no RecifeMostra Blow Up projeta cinco curtas no Cinema da Fundação
Presença de minerais radioativos em Picuí atraiu interesse dos EUA. Foto Camilo Soares/ Divulgação
Dirigido pelos cineasta pernambucanos Antônio Carrilho e Tiago Melo, o curta-metragem Urânio Picuí investiga a descoberta de material radioativo em uma cidade do interior da Paraíba, perto da divisa com o Rio Grande do Norte. Lançado no último Festival do Rio, o filme será exibido pela primeira vez no Recife nesta segunda-feira, às 19h30, no Cinema da Fundação, na mostra Blow Up, com entrada grátis. Serão projetados também os curtas Canção para minha irmã (PE), de Pedro Severien, Baba (Irã/ Inglaterra), de Naz Massoumi, Custo Zero (RJ), de Leonardo Pirovano, e A vida plural de Layka (PE), de Neco Tabosa.
Urânio Pucuí revisita a incrível hipótese de que o urânio retirado das minas de Picuí e Parelhas, no interior paraibano, teria sido utilizado na montagem das bombas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki.
“Não tenho dúvida de que o exército norte-americano extraiu urânio de lá. Se usaram para a bomba, eu não sei”, diz Tiago Melo. Para ele, importa menos a busca pela verdade e mais o impacto que a operação gerou no imaginário da população local. No filme, mineradores e outros que conviveram com os visitantes gringos falam sobre casos de câncer, mutações genéticas e atividade alienígena: até os ETs querem o urânio de Picuí.
“É a cidade do meu pai, então é uma história que ouvia desde criança. Depois, já fazendo cinema, pesquisei e percebi a dimensão da história. Convidei Antônio Carrilho, com quem já havia trabalhado antes, para escrever o roteiro e fazer a codireção”. Entre a pré-produção e a filmagem, foram sete meses de convivio com as cidades, o que permitiu à equipe uma relação próxima com os entrevistados.
Mas Urânio Picuí não se concentra só nos depoimentos e “causos” dos que viveram aquela época, intercaladas com trechos de antigos filmes sobre ações militares feitos em Hollywood. Ele tem sequências ficcionadas e se interessa pelos efeitos reais do urânio sobre as pessoas, como o minerador quase cego que conta sobre o pai que morreu soterrado. Ou o cientista especializado no tema, que desmistifica os supostos males provocados pelo uso indevido das pedras.
Em 2005, Tiago Melo fez um documentário sobre a chegada do telefone celular em Picuí.
Urânio Picuí foi produzido com R$ 70 mil captados pelo edital Ary Severo (governo do estado) e SIC municpal, mais R$ 35 mil desembolsados pelo próprio Tiago. As prefeituras de Picuí e Parelhas também foram apoiadoras.
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